Cidades

REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Juiz suspende a própria reintegração
de posse contra indígenas

O motivo da suspensão foi porque a comunidade não foi ouvida

Izabela Jornada

16/03/2018 - 14h18
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Juiz suspendeu a própria reintegração de posse contra indígenas em protesto pela comunidade não ter sido ouvida pela Prefeitura Municipal de Aquidauana. Na decisão, o juiz autorizava o uso de força policial, caso necessário.

O juiz Juliano Baungart, da 2ª Vara Cível de Aquidauana, havia expedido ordem de reintegração de posse no dia 26 de fevereiro e o motivo da suspensão da decisão foi porque a prefeitura não ouviu as reivindicações dos indígenas e não deu atenção necessária à comunidade no que dizia respeito ao processo de escolha da direção da unidade escolar. 

A reintegração de posse do juiz era contra indígenas que ocupam a Escola Municipal Indígena Polo General Cândido Rondon, no distrito de Taunay, Aldeia Bananal, desde 22 de fevereiro.

A nova decisão, de 14 de março, determina a remessa do processo “à Justiça Federal para que esta decida acerca de sua competência para conhecer e julgar a presente ação”. 

A suspensão ocorreu após intervenção do Ministério Público Federal, que realizou vistoria no local e reunião com a comunidade indígena, que reiterou não ter sido consultada sobre a escolha da diretora da escola, cujo nome foi rejeitado pela comunidade.

O MPF, em seguida, interveio no processo, mediante petição direcionada ao juiz responsável, em que demonstra que a prefeitura municipal não seguiu o próprio regramento, consistente na Resolução Gemed nº 11, de 27 de junho de 2011, que estabelece diretrizes para a eleição de diretores e diretores-adjuntos das escolas da rede municipal de ensino, cuja fase final é a eleição direta destes profissionais. 

O MPF lembrou, na petição, que a Prefeitura de Aquidauana também não seguiu legislação internacional da qual o Brasil é signatário, a Convenção nº 169/1989 da Organização Internacional do Trabalho sobre os Povos Indígenas e Tribais, ratificada pelo Decreto nº 5051/2004, que determina que “os programas e os serviços de educação destinados aos povos interessados deverão ser desenvolvidos e aplicados em cooperação com eles”, entre outros regramentos que determinam expressamente a consulta dos povos indígenas em “medidas administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente”.

O MPF já havia tentado negociar, junto à Prefeitura de Aquidauana, para que as aulas pudessem iniciar antes mesmo de resolvida a questão da ocupação, além de reiterar o entendimento dos indígenas com relação à nomeação da diretora citada.

A prefeitura informou que “eventuais providências relativas à diretoria da escola não seriam adotadas no momento e que apenas após o início das aulas é que seriam discutidas”.

Para o Ministério Público Federal, “resta indubitável, portanto, que a questão posta em juízo não envolve somente alguns índios mas toda a Comunidade da Aldeia Bananal, haja vista que também se relaciona à recente nomeação para o cargo de diretor, de tal forma que interesses indígenas estão em discussão no feito. É forçoso concluir, ainda, que a ocupação somente ocorreu motivada pela vontade de os indígenas serem ouvidos pela Administração Municipal com relação à adoção de uma medida que os afeta diretamente. Além disso, como visto, continuam sem ser ouvidos, já que o prefeito municipal tem se recusado a, ao menos, propor medidas visando à conciliação”.

TRIBUNAL DO JÚRI

Até defesa quer condenação de homem que matou esposa e filha bebê

Advogado de João Augusto Borges afirmou antes do julgamento que não fará "a defesa do impossível" e que objetivo é adequar pena à culpabilidade do réu pelo duplo feminicídio de Vanessa Medeiros e da filha Sophie, de 10 meses

27/05/2026 08h45

A defesa admitiu que o réu deve ser condenado e afirmou que irá atuar para retirar o que considera

A defesa admitiu que o réu deve ser condenado e afirmou que irá atuar para retirar o que considera "excessos acusatórios" do processo Marcelo Victor

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O julgamento de João Augusto Borges, acusado de matar a esposa Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha Sophie Eugênia, de apenas 10 meses, começou na manhã desta quarta-feira (27), no Fórum de Campo Grande. Antes de entrar no plenário do Tribunal do Júri, a defesa admitiu que o réu deve ser condenado e afirmou que irá atuar para retirar o que considera "excessos acusatórios" do processo.

Responsável pela defesa, o advogado Renato Franco declarou que a estratégia adotada não será de negar os crimes, mas buscar uma pena "correspondente ao fato praticado".

“Nós não fazemos a defesa do impossível. A conduta dele resultou na morte de duas pessoas, a Vanessa e uma criança de 10 meses de idade”, afirmou o advogado.  

Segundo Renato Franco, a defesa entende que parte da denúncia e da decisão de pronúncia teria extrapolado os limites necessários para o julgamento.

“A nossa análise como advogados criminalistas é que algumas linhas acusatórias contidas tanto na denúncia quanto na pronúncia possuem alguns excessos acusatórios e somente a retirada desses excessos vai ser a força defensiva”, disse.  

O advogado também afirmou que a defesa acredita que João deve responder criminalmente pelas mortes.

“Hoje nós vamos fazer o possível para que ele seja condenado na medida da culpabilidade dele. Ele deve sim responder pelo que praticou”, declarou.  

Ressaltou ainda que o réu confessou o crime desde o início das investigações e que deve manter a mesma postura durante o interrogatório perante o conselho de sentença.

“Ele sempre disse como foi, inclusive revelou qual foi o motivo e como praticou a conduta”, afirmou.  

A defesa também comentou sobre o pedido para que fosse avaliada eventual inimputabilidade de João Augusto Borges, hipótese negada pela Justiça durante a tramitação do processo. Segundo o advogado, a análise era necessária diante da brutalidade do caso.

“A gente acredita que deveria existir essa averiguação para saber se ele tinha condições racionais, lógicas, o que se espera de um homem comum, mas como não foi indeferido a época, hoje também falar de subinimputabilidade não é o caso”, disse.  

Crime chocou Campo Grande

O caso aconteceu na tarde de 26 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande. Conforme a investigação, João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de conversar e a matou com um golpe de “mata-leão”. Em seguida, estrangulou a filha do casal, que estava sobre a cama.

Após os assassinatos, ele saiu para trabalhar normalmente. Horas depois, comprou gasolina, colocou os corpos em um carro da família e

ateou fogo em uma área da Rua Desembargador Ernesto Borges.

Durante audiência realizada em agosto do ano passado, João afirmou que cometeu os crimes após um “acesso de raiva” depois de levar um tapa da companheira. Na ocasião, também admitiu já ter pensado anteriormente em matar Vanessa e a filha.

O réu foi preso em 27 de maio de 2025 e responde por duplo feminicídio e ocultação de cadáver.

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Prisão

Megatraficante solto por desembargador vivia como "próspero agricultor" na Bolívia

Gerson Palermo estava em Cotoca, cidade próxima de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido na região como empresário

27/05/2026 08h10

Palermo foi preso em uma operação da polícia especializada em narcotráfico da Bolívia com a Interpol

Palermo foi preso em uma operação da polícia especializada em narcotráfico da Bolívia com a Interpol Divulgação

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Gerson Palermo vivia escondido da Justiça brasileira há quase 10 anos e estava morando em uma cidade da Bolívia que fica a cerca de 600 km de Corumbá, que tem pouco mais de 106 mil habitantes e é conhecida pelo turismo local, por abrigar a sede do Santuário da Virgem de Cotoca, santa padroeira do Oriente Boliviano. Por ano, ao menos 200 mil pessoas visitam o santuário. 

Ele foi preso na madrugada de ontem, a partir de uma operação que mobilizou policiais da Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (FELCN) e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). 

A Polícia Federal (PF), que mantém agentes em Santa Cruz de la Sierra, atuaram em conjunto ao fornecer detalhes de monitoramento do foragido. Conforme apurado, essa equipe mantém o monitoramento que chega a 70 nomes de criminosos que são fugitivos e ligados a facções criminosas.

O criminoso estava estabelecido na cidade, distante cerca de 20 km de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido como um empresário que atua no ramo da agricultura. 

Cotoca tem como base de sua economia a agricultura (algodão, soja, mandioca), pecuária, silvicultura, pesca, além do setor industrial com fábrica de ferro para construção civil e ferrovias.

Sua permanência em Cotoca já vinha sendo registrada há alguns anos, conforme apurado. E ele seguiu morando no município mesmo depois que outro criminoso chegou a ser preso também em Cotoca, no começo deste mês, por conta de crimes relacionados ao Comando Vermelho (CV).

As informações divulgadas pela FELCN apontaram que Palermo tinha residência nos arredores de Cotoca, com uma vida relativamente discreta. Com seus 68 anos, ele se apresentava na região como empresário brasileiro. 

Não foi confirmado qual era a identidade que ele apresentava e se tinha documento falso. Quando foi abordado em sua casa, ele não demonstrou reação. Também não foi divulgado se houve apreensão de armas na residência dele.

O criminoso, condenado a 126 anos de prisão, conseguiu fugir do cumprimento de pena em regime semiaberto em 20 de abril de 2020, depois de obter habeas corpus que foi despachado pelo desembargador Divoncir Maran. 

O pedido foi concedido com cerca de 20 minutos depois de protocolado, mesmo tendo mais de 200 páginas. 

Além disso, Palermo foi apontado em investigações como um dos principais elos no tráfico internacional de drogas, trazendo cocaína em aeronaves da Bolívia e fazendo a distribuição, a partir de Corumbá, em caminhões. Sua ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi indicada. 

Além disso, ele participou do sequestro de um Boeing 727 da Vasp para roubar R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil.

OPERAÇÃO CONJUNTA

Na Bolívia, está em curso um operativo de larga escala que foi denominado Plano Halcón, que foi lançado no começo de maio. A proposta é atuar com tropas policiais envolvendo a FELCN, Fuerzas Armadas de la Nación, Polícia Nacional e autoridades do Executivo para combater o crime organizado por meio de monitoramento fronteiriço e ações de inteligência, além de apoio de forças policiais de outros países vizinhos, como é o caso da PF. 

Esse trabalho está concentrado para a região de Santa Cruz de la Sierra, onde há uma atuação de membros da fação PCC, além de outras organizações criminosas.

O vice-ministro de Defesa Social y Sustancias Controladas, Ernesto Justiniano Urenda, divulgou a prisão de Gerson Palermo. 

“A prisão foi realizada por efetivo do Grupo de Inteligencia y Operaciones Especiales (Gioe Oriente-GER) da FELCN, em coordenação com a PF do Brasil. O cidadão brasileiro foi transferido para as dependências da Interpol para os procedimentos correspondentes e para fins investigativos. Essa operação foi possível graças ao intercâmbio de informações e cooperação entre as forças policiais da Bolívia e do Brasil. Exemplo da importância do trabalho conjunto na luta contra o narcotráfico internacional”, afirmou.

Urenda ainda reforçou em seu comunicado oficial que as autoridades bolivianas estão em um esforço conjunto para combater a atuação de criminosos que buscam fugir de questões legais em outros países na Bolívia. “Bolívia não deve ser refúgio de fugitivos vinculados ao narcotráfico”.

ESCONDERIJO

O município que está na região metropolitana de Santa Cruz de la Sierra, mas tem vida autônoma, de certa forma pacata e distante da estrutura de autoridades que têm sede no grande centro protagonizou outro refúgio de procurado pela Justiça brasileira.

No começo deste mês, Kleber Nóbrega Pereira, o Kekeu, foi preso também em Cotoca, durante o fim de semana.

Ele é apontado como liderança no CV, facção iniciada no Rio de Janeiro. Ele vivia na cidade com a esposa, Micaely Santos Silva, e atuava com as finanças do CV. 

A ligação dele com o crime envolve investigações sobre tráfico internacional de drogas, crime organizado, tráfico de armas, homicídio, lavagem de dinheiro, corrupção de menores e roubo.

* Saiba 

Segundo informações obtidas pelo Correio do Estado, o megatraficante será extraditado para Mato Grosso do Sul hoje, pela manhã. Ele deve ser entregue à Polícia Federal em Corumbá e trazido para Campo Grande.

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