Corumbá recebeu, na manhã desta segunda-feira (14) uma reunião decisiva para uma articulação binacional inédita entre Brasil e Bolívia voltada à prevenção de incêndios florestais no Pantanal e no Chaco boliviano.
O encontro realizado na sede do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) serviu para fechar a logística de uma expedição de reconhecimento que vai passar por território boliviano até a região da Baía Gaíva, que fica além da Serra do Amolar.
Do lado brasileiro, o acesso a essa região só é feito por embarcação, Rio Paraguai acima, a partir de Corumbá. Porém, do lado da Bolívia, há uma estrada de acesso que depende de manutenção.
O debate reuniu representantes da instituição, do Prevfogo/Ibama, da Armada Boliviana, da Defesa Civil boliviana e da Sub-governação da Província de Germán Busch, composta pelos municípios de Puerto Suárez, Puerto Quijarro e Carmen Rivero Tórrez, órgão vinculado ao Departamento de Santa Cruz.
A operação segue até 18 e contará com veículos e equipes da Defesa Civil da Bolívia, Armada Boliviana, Prevfogo/Ibama e IHP, por meio da Brigada Alto Pantanal.
O trajeto terrestre parte da região de Puerto Quijarro, na Bolívia, e segue em direção à Baía Gaíva, viabilizando o acesso das equipes a pontos de atuação já em território brasileiro, no Pantanal.
A articulação começou a ganhar corpo após atuação conjunta envolvendo a Armada Boliviana, o IHP, o Prevfogo/Ibama e o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul. Depois disso, a Sub-governação da Província de Germán Busch somou-se aos esforços de estreitar atividades coordenadas.
“Temos como prioridade trabalhar com a prevenção dos incêndios florestais. Essa condição nos fez avançar nas tratativas para haver essa ação conjunta entre instituições de Brasil e Bolívia. Isso envolve também uma articulação entre departamentos. Em épocas anteriores, não tínhamos essa articulação direta, mas hoje isso está mudado, as normativas das autoridades estão caminhando para um trabalho coordenado conjuntamente. Precisamos compartilhar informações, compartilhar tarefas e avançarmos para conseguir realizarmos trabalho conjuntos em maior escala”, detalhou o sub-governador da Província Germán Busch, Luis Delgadillo.
Na Bolívia, o 5º Distrito Naval “Santa Cruz” da Armada Boliviana, que fica em Puerto Quijarro, abriga também o Centro Nacional de Formação para Especialistas em Eventos Adversos, que tem formado brigadistas militares e civis para todo o território boliviano. Por conta da importância dessas unidades para prevenção e combate a incêndios florestais, o tema de atuação transfronteiriça ganhou ainda mais peso na região.
“Essa reunião só reforça a importância de se manter um compromisso de amizade e coordenação entre países vizinhos. Estamos empenhados em abrir caminhos, manter acesso a vias para permitir que localidades remotas possam ser alcançadas e garantir um atendimento para ambos os países e a suas populações que vivem nessas áreas. A Armada Boliviana está preparada, vem realizando capacitações e treinamentos, incluindo atividades com as instituições brasileiras”, disse o comandante do 5º Distrito Naval da Armada Boliviana em Santa Cruz, Capitão de Navio Cadmiel Mouzon Terán.
Em paralelo, o Ministério de Defesa da Bolívia, por meio do VIDECI, formalizou apoio a uma frente complementar da cooperação: o ingresso e deslocamento de brigadistas do Ibama entre a localidade de El Carmen e a fronteira com o Brasil, na região da Serra do Amolar, entre os dias 13 e 15 de setembro.
Para isso, a Bolívia designou o Tenente-Coronel Alexis Paredes Ferrufino, responsável departamental do Viceministerio de Defensa Civil da Bolívia como ponto focal encarregado de articular as ações com o Prevfogo/Ibama, o 5º Distrito Naval da Armada Boliviana e demais instituições envolvidas.
“Esta coordenação interinstitucional tanto da Bolívia, como do Brasil é para tratar de forma mais efetiva a prevenção de incêndios que são fronteiriços. Com esta expedição, vamos realizar um importante reconhecimento de pontos fronteiriços mais sensíveis e permitir que possamos agir mais efetivamente na proteção de populações de ambos os lados”, comentou o Tenente-Coronel diplomado Estado Mayor Alexis Paredes Ferrufino.
Juntas, as duas frentes formam a construção de uma resposta binacional coordenada a um dos maiores desafios ambientais da região transfronteiriça, os incêndios florestais que ameaçam, ao mesmo tempo, o Pantanal (reconhecido pela Unesco como Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade) e a floresta chiquitana, no Chaco boliviano.
“Essa mobilização fortalece uma ação coordenada internacional para proteger um patrimônio natural da humanidade como o Pantanal, além da floresta chiquitana. É um passo inédito de cooperação entre instituições brasileiras e bolivianas que atuam na região transfronteiriça, e a colaboração da Armada Boliviana é fundamental para dar segurança e viabilizar o acesso das equipes durante toda a operação”, afirma o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.
A expedição tem caráter estritamente preventivo e busca fortalecer os canais de comunicação, os pontos de contato e os protocolos de apoio mútuo entre os dois países diante da temporada de incêndios florestais transfronteiriços.