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UNIDADE DE TRAUMA

Hospital amplia atendimento às vésperas de vistoria

Dez pacientes de UTI principal foram levadas para Unidade recém inaugurada

13 FEV 19 - 06h:00LUANA RODRIGUES

Técnicos do Ministério da Saúde fizeram uma vistoria na Santa Casa de Campo Grande ontem, com o objetivo de verificar o Plano Operativo do hospital e a real necessidade de aumento de repasses, na ordem de R$ 8 milhões, para operação de 100% da Unidade do Trauma. A visita estava marcada para hoje e amanhã, mas foi antecipada, sem explicações.

Estratégicamente, na última sexta-feira (8), a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do local recém inaugurado foi colocada em funcionamento. Ao todo, dez pacientes foram transferidos do prédio principal da Santa Casa  para o prédio do Trauma.

Conforme consta no site da Santa Casa, a UTI  do Trauma recebeu higienização no fim na tarde de quinta-feira e uma operação de transferência foi realizada na tarde de sexta.  

A vistoria no hospital foi derminada pelo ministro sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta, justamente com o objetivo de levantar dados de internação e atendimento, comprovando que a administração realmente precisa do montante milionário para custear o novo setor.

As dúvidas surgiram a partir do início efetivo do funcionamento da unidade, no dia 10 de setembro do ano passado – quase cinco meses após a inauguração do prédio. Isso porque, além do atraso, o setor nunca operou com 100% da capacidade e  virou alvo de investigação do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) e do Ministério Público Estadual (MPMS) por estar subutilizado.

Hoje, a Unidade do Trauma interna pacientes em 51 dos 100 leitos de enfermaria. No centro cirúrgico, foram realizadas 799 cirurgias nos meses de outubro, novembro e dezembro do ano passado. 

Nestes três meses, o hospital recebeu total de R$ 1,3 milhão pelos serviços realizados. Valor bem abaixo do almejado pela Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), que administra o complexo. 

REPASSES

A Santa Casa pleiteia aumento de repasses há anos e, em 2017, a contratualização do hospital com a prefeitura ficou emperrada por não haver acordo sobre o reajuste, que chegaria a R$ 3,5 milhões por mês. 
No ano passado, a promessa era de que o Ministério da Saúde repassasse R$ 6,2 milhões para que os atendimentos na Unidade do Trauma começassem. Além disso, Estado e gestão municipal transfeririam R$ 3,8 milhões (R$ 1,9 milhão cada um) para completar os R$ 10 milhões que seriam necessários para a 
manutenção dos leitos.

Nada foi concretizado, pois os gestores alegam que a Santa Casa não revela como chegou ao valor do custeio e também não explica como foram feitos os cálculos.

Reportagem publicada pelo Correio do Estado, na edição do dia 5 de setembro de 2018, mostrou que, apesar de o hospital ter conseguido R$ 18 milhões para iniciar as atividades naquele mês, a partir de janeiro deste ano já não havia garantia de recursos para a manutenção dos atendimentos.

DEMORA
 

Com 100 leitos, a expectativa era de que a Unidade do Trauma absorvesse a demanda em relação à urgência de traumas e outros atendimentos ambulatoriais. A conclusão da obra se arrastou por 23 anos – desde a década de 1990. O local inicialmente seria uma maternidade, projeto que foi modificado. 

A obra parou pela última vez em 2013 e posteriormente foi retomada em janeiro de 2016. Na nova etapa, o valor licitado foi de R$ 8.701.224,58 e a Poligonal Engenharia apresentou proposta de R$ 8.440.167.45, desconto de R$ 261.057,13, aproximadamente 3% do valor inicial. 

Ao todo, foram R$ 32 milhões em investimentos, sendo R$ 20 milhões referente à estrutura que ficou parada desde os anos 90 e R$ 12 milhões aos últimos repasses do Ministério da Saúde.

 

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