Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

MORADIAS

Homex: o sonho que virou pesadelo

Dos 272 apartamentos erguidos, parte está ocupada por compradores que nunca receberam a chave

11 AGO 2018Por GABRIELA COUTO04h:00

A tão sonhada casa própria vendida pela Homex no empreendimento Varandas do Campo, localizado no Bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande, nunca atingiu as expectativas dos seus compradores. Quatro torres foram entregues entre 2011 e 2012, mas no ano seguinte as obras foram abandonadas e a empresa decretou falência.

Desde o início, os proprietários dos 272 apartamentos que foram concluídos – o projeto era para três mil – acreditavam estar adquirindo um imóvel de qualidade, com toda a área de lazer e as promessas vendidas nas propagandas de parques no entorno, mas nunca tiveram de fato isso em seu dia a dia. Cerca de 60% dos imóveis estão ocupados por compradores que decidiram se apossar do bem para não tê-lo invadido.

Hoje, os condôminos convivem com o investimento mofando sobre suas cabeças. “Aqui é só Jesus para nos guardar. O forro está podre, assim como os sifões. Quando chove, infiltra toda a parede. Estou esperando receber a indenização da Homex para poder reformar e, finalmente, ter o meu imóvel como sonhei”, conta a moradora de um dos prédios Angelina Aparecida Martins, 48 anos. 

A síndica do Condomínio Cuiabá, Nayara Chaves, 30 anos, conta que tem proprietários que desistiram de empossar a unidade habitacional. “Isso não é nem está sendo o nosso sonho da casa própria. O povo é muito frustrado com essa moradia. Você pode perguntar para quem for, todos estão abalados e estressados com esta situação”. 

Segundo ela, há moradores que afirmam não querer pagar o condomínio porque a Homex não entregou o imóvel como o prometido. “Como não houve a entrega oficial e muitos proprietários decidiram entrar nos apartamentos que comparam, para não serem invadidos por sem-teto, houve uma desorganização”.

Dá para perceber isso com a conta de água que chegou neste mês para os moradores. A cobrança de agosto de 2016 até junho de 2018, no nome da Homex, soma mais de R$ 112 mil. “Até isso surgiu agora, sendo que tenho cavaletes separados. Essa conta não é nossa”. 

 A energia também é uma bagunça. O bloco 25, por exemplo, não tem um morador sequer. Tudo porque não há possibilidade de instalar energia direto no prédio, já que os invasores da área vizinha roubam a fiação e o registro. Para levar luz ao bloco 1, um fio imenso atravessa todo o condomínio. 

É por essas e outras razões que a maioria das unidades está vazia. Com isso, o medo de invasão aumenta. Há 15 dias, houve uma tentativa durante a madrugada e o anúncio de que a desapropriação da área invadida se aproxima faz com que os moradores tenham medo de os casos serem mais frequentes. 

Até mesmo botijões de gás estão sendo furtados dos condomínios. “Quando chegamos aqui, tivemos que colocar tudo porque já havia sido levado. Até mesmo vaso do banheiro, torneira, pia. Agora estamos enfrentado problemas de furtos de motocicleta dentro do nosso quintal”, conta Jacques Daniel da Silva, 49 anos. 

A atendente Patrícia Rezende Flores, 31 anos, reclama da falta de segurança e da qualidade da infraestrutura oferecida em relação ao preço. “Pagamos muito caro para estar aqui. Eu pago mais de R$ 700 por mês de parcela para ter paredes que parecem ser de papel. Meu sonho virou um pesadelo até hoje. Dói no bolso”. 

Atualmente, a Capital Consultoria e Assessoria Ltda. é responsável pelo condomínio da Homex em Campo Grande. Já a Caixa Econômica Federal (CEF), que financiou o empreendimento, não respondeu à reportagem até o fechamento desta matéria.  

 

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