Cidades

BRASIL

Há 9 meses sem solução, caso Marielle reflete falhas de investigações pelo país

Há 9 meses sem solução, caso Marielle reflete falhas de investigações pelo país

FOLHAPRESS

05/12/2018 - 13h53
Continue lendo...

Em março deste ano, a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes se juntaram às mais de 60 mil pessoas assassinadas anualmente no país. Agora, perigam entrar em outra estatística: a dos muitos casos que nem sequer chegam à Justiça.

Os nove meses de investigação ainda sem conclusão jogam luz sobre um problema caro ao Brasil, que é a demorada e baixa elucidação de mortes violentas. Diferentes estudos calculam que só dois a cada dez desses crimes geram denúncias, embora não haja dados oficiais e a variação seja grande entre os estados.

As razões são muitas. De um lado, estão as já conhecidas dificuldades estruturais das polícias Civil e Técnico-científica, como escassez de profissionais, materiais e treinamento, muitas vezes pela priorização dos investimentos no policiamento das ruas.

Na prática, isso atrasa a chegada dos agentes na área do crime, prejudica a obtenção de informações essenciais logo no início, precariza os trabalhos de perícia e faz investigadores atuarem em vários casos simultaneamente, por exemplo.

Do outro lado, está o modo como as apurações são feitas. De maneira geral, é um trabalho "rotinizado" e "cartorial", concluem pesquisas que entrevistaram agentes, delegados e peritos em diferentes capitais, como Rio, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre.

Também acabam dependendo prioritariamente de provas testemunhais, e não técnicas. "A perícia tende a confirmar a materialidade, mas não apontar a autoria, iluminando 'o que ocorreu, mas não quem matou'", resume um relatório de 2017 do Instituto Sou da Paz.

Soma-se a isso a falta de articulação entre os próprios funcionários da Polícia Civil e da corporação com o Ministério Público, que é quem decide se denuncia ou não o suspeito apontado no inquérito.

O sociólogo Michel Misse, da UFRJ (Universidade Federal do RJ), concluiu ao coordenar em 2010 a pesquisa "O Inquérito Policial no Brasil" em cinco estados que, mesmo após concluídos, muitos casos ficam presos num "pingue-pongue" entre os dois órgãos pela fraqueza das provas. "Algum dia, um procurador cansado olhará toda aquela papelada e pedirá seu arquivamento", escreve ele.

No caso de Marielle e Anderson, que foram perseguidos e assassinados a tiros na noite de 14 de março no centro do Rio, há uma distância grande do padrão de investigações de homicídios em alguns pontos, mas pequena em outros, segundo o que já foi divulgado da apuração sigilosa.

"É um crime político, dificílimo, diferentemente da maior parte dos homicídios, que são de fácil elucidação e dependem mais de treinamento e organização das polícias", pondera Arthur Trindade, professor da UnB (Universidade de Brasília) e ex-secretário da Segurança do DF.

Segundo estudo feito em Belo Horizonte pela socióloga Ludmila Ribeiro, da UFMG (Universidade Federal de Minas), o caso traz características que normalmente reduzem a menos da metade as chances de elucidação, como ter sido cometido num espaço público e com arma de fogo, sem flagrante.

"Por outro lado, o crime tem características específicas que em tese deveriam facilitar o esclarecimento, como imagens de câmeras, identificação do carro, pessoas que passavam", afirma ela. "Mas estatisticamente é muito difícil um caso sobreviver depois de seis meses de investigação."

Em 2013, a socióloga da UFMG mediu o tempo entre a abertura e o fechamento de inquéritos que geraram denúncias em cinco capitais. O caso Marielle ainda está dentro da média calculada, de um ano e dois meses, mas está longe de grande parte dos casos, que é finalizado em quatro meses.

As informações divulgadas até agora também indicam que o assassinato da vereadora reflete a dependência geral de testemunhas. A investigação está sob a coordenação dos interventores federais na segurança pública do estado, no comando das polícias do Rio desde fevereiro passado.

A principal linha de investigação tem como fio condutor o relato de duas pessoas e continua apontando para o vereador Marcelo Siciliano (PHS) como mandante do crime. Ele teria supostas desavenças com Marielle na zona oeste do Rio, o que ele nega desde o início.

"Nesse caso há a necessidade de provas mais robustas do que as que a polícia normalmente trabalha, que são só provas testemunhais. O caso é muito sensível e as provas têm que ser muito fortes", diz Arthur Trindade.

A falta de sintonia comum entre Polícia Civil e Ministério Público também é visível no caso. "A polícia diz que tem um prazo e que vai concluir as investigações, apesar de não dar o prazo. Já o MP [Promotoria] diz que não há um prazo, porque as investigações exigem rigor", afirma o deputado federal Jean Wyllys (PSOL), presidente da comissão externa da Câmara que acompanhas as investigações.

Enquanto isso, as milhares de mortes não esclarecidas no país levam a mais mortes, lembra Rodrigo Azevedo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG que reúne especialistas no tema. "Não há dúvidas de que o homicídio que é esclarecido e responsabilizado previne outros homicídios. A impunidade traz o sentimento de que o crime compensa."

problema crônico

Buracos ressurgem em via recém recapeada por R$ 22 milhões

Buracos voltaram a aparecer na pista do sentido bairro-centro da Avenida Duque de Caxias, cujo recapeamento foi solenemente inaugurado em agosto de 2025

19/09/2026 10h56

Segundo comerciantes da região, buracos chegaram a ser fechados há alguns meses, mas voltaram a aparecer após dias seguidos de chuva

Segundo comerciantes da região, buracos chegaram a ser fechados há alguns meses, mas voltaram a aparecer após dias seguidos de chuva

Continue Lendo...

Após investimento de R$ 22,1 milhões, parte do recapeamento dos quase dez quilômetros da pista de acesso a Campo Grande da Avenida Duque de Caxias voltou a ser tomado por buracos em meio às chuvas das últimas semanas.

O trecho tomado por buracos está próximo à entrada do Bairro Nova Campo Grande, região oeste de Ca mpo Grande, onde o recapeamento foi concluído faz menos de dois anos. Em abril e maio deste ano o mesmo local já havia  esfarelado e se transformado em pequenas crateras.

Depois disso, segundo comerciantes da região, o serviço de tapa-buracos fez remendos e solucionou o problema. Mas, bastaram alguns dias seguidos de chuva e a pista voltou a se desmanchar. Na manhã deste sábado (19), um cavalete e cones com inscrição da Agetran sinalizavam o local para tentar evitar que motoristas sofram prejuízos ao caíram nos buracos.

Antes do recapeamento que foi oficialmente inaugurado em agosto de 2025, durante os festejos dos 126 anos de Campo Grande, aquele trecho da Duque de Caxias era constantemente tomado por ondulações. Por conta da altura destes borrachudos, constantemente motociclistas sofriam acidentes no local.

Estas ondulações já surgiam por conta de falha estrutural na base do asfalto. Depois do recapeamento, em vez de corrigir o problema crônico estrutural, a situação ficou pior, reclamam trabalhadores de uma bicicletaria que fica ao do ponto crítico

“Eles até vieram e arrumaram, mas não durou muito e agora já está essa buraqueira toda novamente”, reclamou um trabalhador que preferiu não se identificar.

O recapeamento da pista sentido bairro-centro, que ficou sob responsabilidade da prefeitura, foi feito pela empreiteira Engepar, que inicialmente havia sido contratada por R$ 16,5 milhões, mas recebeu pelo menos 11 aditivos e o valor final, segundo o site da transparência, superou os R$ 22,1 milhões. O dinheiro foi procedente de emendas da bancada federal e aporte de R$ 9,3 milhões do Governo do Estado.

No sentido contrário, a obra ficou sob responsabilidade da Equipe Engenharia, que foi contratada pelo Governo do Estado, e consumiu em torno de R$ 16 milhões, totalmente bancados pela administração estadual. 

Segundo comerciantes da região, buracos chegaram a ser fechados há alguns meses, mas voltaram a aparecer após dias seguidos de chuvaPara reduzir o risco de acidentes, cavalete e cones foram colocados pela Agetran nos buracos que surgiram na Duque de Caxias

ACIDENTE FATAL

Homem morre ao colidir contra traseira de caminhão no anel viário da BR-262

Com este caso, Mato Grosso do Sul tem cinco vítimas em rodovias nas últimas 24 horas, todas em estradas federais

19/09/2026 10h30

Acidente fatal vitimou cearense de 32 anos, na BR-262, em Três Lagoas

Acidente fatal vitimou cearense de 32 anos, na BR-262, em Três Lagoas Foto: Eliton Chaves/24h News MS

Continue Lendo...

O cearense José Gerlanio Gomes Ribeiro, de 32 anos, morreu na madrugada deste sábado (19) depois de colidir na traseira de um caminhão carregado de minério, no anel viário da BR-262, em Três Lagoas. Esta é a quinta morte em rodovias de Mato Grosso do Sul nas últimas 24 horas, todas em estradas federais.

Segundo informações do jornal 24h News MS, o acidente aconteceu por volta das 04h15, próximo ao Posto Real, no município três-lagoense. José conduzia um um carro da marca Peugeot quando ocorreu a colisão, que foi violenta e deixou o veículo completamente destruído na parte dianteira.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados. Porém, ao chegarem no local, José já se encontrava sem vida.

De acordo com o motorista do caminhão, ele passou a noite no posto de combustível e estava retomando a viagem quando o acidente aconteceu. A carga de minérios iria até Itutinga (MG), que fica a cerca de 900 quilômetros do local da ocorrência. Quanto à dinâmica da colisão, ainda segue em apuração pela Perícia.

Depois dos procedimentos policiais, o corpo de José foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para, posteriormente, ser liberado para a família.

Até o fechamento desta matéria, o trecho da rodovia ainda estava em situação de Pare e Siga, enquanto são realizados os reparos necessários e a remoção do caminhão, que ficou impossibilitado de ser removido imediatamente devido aos danos na traseira do veículo.

Mais mortes

Na tarde desta sexta-feira (18), quatro pessoas morreram e seis sofreram ferimentos na altura do quilômetro 72 da rodovia BR-163, no município de Itaquiraí, no extremo sul de Mato Grosso do Sul.

A tragédia envolveu uma van que estava a serviço da secretaria de saúde da prefeitura de Eldorado, e um carro de passeio. Por conta da colisão a van tombou e provocou a interdição parcial e total da rodovia por cerca de quatro horas. O congestionamento que se formou chegou a cerca de dez quilômetros na principal rodovia do Estado.

De acordo com informações da prefeitura de Eldorado, na van estavam oito pessoas que retornavam para a cidade após buscarem atendimento médico em Dourados, cidade que fica a quase 200 quilômetros de distância.

A prefeitura informou que entre os mortos está o servidor público Odair Torres, e sua esposa, Edimárcia Oliveira. Os outros mortos são Jildson Vera Martins, morador da Aldeia Cerrito, e Edimilson Lopes, morador da Aldeia Porto Lindo, no município de Japorã.

De acordo com as informações policiais, o casal estava na van e os dois indígenas estavam no carro de passeio.  Dos seis feridos, conforme as informações da administração municipal, três estavam em estado considerado grave. Três das mortes foram confirmadas no local do acidente e a outra, no hospital de Itaquiraí.

Até o começo da manhã deste sábado ainda não haviam sido divulgadas as circunstâncias da colisão, que ocorreu em um local sem duplicação da rodovia.

Por conta da morte do servidor municipal, a prefeitura de Eldorado emitiu nota lamentando a tragédia:

“A Secretaria Municipal de Educação de Eldorado/MS manifesta profundo pesar pelo falecimento do servidor Odair Torres e de sua esposa, Edimarcia Oliveira, ocorrido tragicamente nesta data. Neste momento de imensa dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos, colegas de trabalho e com todos que tiveram o privilégio de conviver e compartilhar momentos com o casal. Que Deus, em sua infinita misericórdia, conforte os corações de todos, concedendo força e serenidade para enfrentar esta irreparável perda. Recebam nossos mais sinceros sentimentos e nossa solidariedade.”

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).