Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Assine a Newsletter

13 SERVIDORES AFASTADOS

Guarda Municipal teve ano para ser esquecido

Envolvimento com milícia e excesso contra passageiros de ônibus estão entre os problemas

19 NOV 19 - 09h:00DAIANY ALBUQUERQUE

Este ano, pelo menos 13 servidores da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande foram afastados de suas atividades. Entre esses, estão os três agentes que já foram exonerados da corporação pelo envolvimento em grupo criminoso responsável pela execução de três pessoas em Campo Grande.

Os primeiros a deixarem a corporação foram os guardas municipais Marcelo Rios, Rafael Antunes Vieira e Robert Vitor Kopetski, que foram presos no primeiro semestre deste ano pela Polícia Civil. Marcelo foi detido no dia 19 de maio com arsenal bélico em uma casa que pertence a Jamil Name, atualmente na Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Já Rafael e Robert foram presos no dia 22 de maio por obstrução de Justiça, depois de, segundo a polícia, tentarem sequestrar a esposa de Marcelo Rios com o objetivo de impedir uma possível delação.

Os dois, que agiram com o motorista Flávio Narciso Morais da Silva, foram soltos no dia 31 de maio, mas dois meses depois voltaram à prisão por determinação do Tribunal de Justiça. Recentemente, foram denunciados pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por organização criminosa e se tornaram réus. A expulsão dos três foi publicada no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) do dia 4 de setembro.

Além deles, seguem o mesmo caminho outros quatro servidores presos na Operação Omertà, que investiga grupo criminoso especializado no crime de pistolagem. Na ação, foram detidos os guardas Alcinei Arantes da Silva, Eronaldo Vieira da Silva, Igor Cunha de Souza e Rafael Carmo Peixoto Ribeiro.

Os quatro, que continuam  no Presídio de Trânsito de Campo Grande, estão suspensos da corporação enquanto é feita a sindicância pela corregedoria da guarda. O processo dura 60 dias e o comando tem 20 dias após o relatório da comissão para tomar decisão final.

Outros três profissionais, conforme o comandante da Guarda Civil Metropolitana, Anderson Gonzaga, estão afastados por desvio de conduta dentro da corporação. “Dois são por abandono de trabalho, simplesmente não estão vindo mais”, relatou.

Além desses, ontem a corporação publicou o afastamento dos três guardas envolvidos na repressão à manifestação ocorrida no Terminal Morenão, na sexta-feira, feriado da Proclamação da República. Uma sindicância foi aberta para apurar a conduta dos servidores, que usaram gás de pimenta e armamento calibre 12 – com munição não letal (de borracha) – para dispersar um protesto no local. O titular da Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes), Valério Azambuja, confirmou ontem, durante entrevista coletiva, que houve erro por parte dos guardas na forma em que eles agiram para dispersar a população. “Tomaram a atitude por conta e, de fato, foi equivocada”, declarou.

Para o comandante da corporação, apesar de sete dos afastados e expulsos terem envolvimento com o grupo de extermínio comandado pelos empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, os que mais afetam a imagem da guarda são os três agentes afastados ontem.

“Esses últimos prejudicam [a imagem] por eles serem bons profissionais e por eles estarem exercendo a atividade-fim. Agora, os demais, como é desvio de conduta, para nós não reflete porque se torna transparente o serviço da instituição. E, realmente, não permanecem aqueles que usam a instituição para fazer algo de errado, porque ela zela principalmente pela questão da legalidade e da transparência no seu serviço. Em serviço, a gente fica bem chateado com esses três últimos, porque é em decorrência do serviço e da atividade de rua”, declarou Gonzaga.

MANIFESTAÇÃO

Na manifestação ocorrida no Terminal Morenão, conforme relatos de quem estava no local, os agentes da Guarda Metropolitana usaram spray de pimenta para dispersar cerca de 50 manifestantes, a maioria mulheres, que bloqueavam a entrada e a saída dos ônibus.

A confusão ocorreu porque um grupo de empregadas domésticas esperou por mais de uma hora o ônibus da linha 072. Segundo a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o problema foi causado porque um veículo da linha estragou e o carro que deveria substituí-lo estava na linha 070.

Os agentes foram acionados para atender à ocorrência pelo 153, a pedido da segurança do próprio terminal. Porém, decidiram intervir sem o aval dos superiores e com métodos errados quando chegaram ao local, conforme Azambuja. “Houve algumas falhas de procedimento. Primeiro, naquele tipo de manifestação tem a questão do diálogo. Segundo, uso do spray de pimenta em determinados ambientes não é apropriado. Ali principalmente, pois tinha muitas mulheres e crianças. Então, foi indevido. Além disso, não se usam armas longas em tumultos”, disse o secretário.

INVESTIGAÇÃO

As vítimas da ação dos guardas começaram a ser ouvidas ontem pela Defensoria Pública. Os defensores querem saber como foi a ação e entender se houve violência de gênero, já que a maioria eram mulheres. “Se fossem homens naquela situação seria usada a mesma truculência?”, questionou a defensora Graziele Dias.

Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Por conta própria, Arthur luta por melhorias em Dourados desde os 6 anos
MINI REPÓRTER

Por conta própria, Arthur luta por melhorias em Dourados desde os 6 anos

Após incêndio em transformador, parque ficará sem iluminação nesta segunda
CAPITAL

Após incêndio em transformador, parque ficará sem iluminação

Sem reforma, Horto Florestal tem "piscina de lodo" e preocupa frequentadores
PARQUE

Sem reforma, Horto Florestal tem "piscina de lodo" e cenário de abandono

Com três vítimas de MS, tragédia da boate Kiss completa sete anos
INCÊNDIO

Com três vítimas de MS, tragédia da boate Kiss completa sete anos

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião