Cidades

Impacto geral

Greve dos caminhoneiros
para 60% das indústrias, diz Fiems

De 6,2 mil estabelecimentos, 3,7 mil indústrias estão sem produzir

RENATA PRANDINI

24/05/2018 - 09h41
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Cerca de 60% das indústrias de Mato Grosso do Sul pararam suas atividades em decorrência da greve dos caminhoneiros em todo o Brasil.

De acordo com levantamento parcial realizado pela Federação da Indústria de Mato Grosso do Sul (Fiems), dos 6.201 estabelecimentos industriais em operação no Estado, 3,720 indústrias estão sem produzir. Em nota, a instituição se posicionou contrária à forma utilizada pelos caminhoneiros para realizar a manifestação - paralisação - e alertou para a possibilidade de perdas para a indústria e atraso no pagamento dos 121,5 mil trabalhadores.

Entre os grupos que suspenderam as atividades, está o Aurora, que tem unidade de abate de suínos em São Gabriel do Oeste. O JBS também confirmou que “está adotando medidas em suas operações [fábricas] e logística, que inclui a paralisação de algumas unidades de carne bovina, aves e suínos em razão da impossibilidade de escoamento da produção.

Para a Fiems, o governo federal precisa rever a política de preços dos combustíveis. Uma das alternativas defendidas pela instituição é a desoneração do óleo diesel.

No início da tarde de ontem, a Petrobras anunciou a redução de 10% do preço do diesel nas refinarias pelo prazo de 15 dias. A medida visava dar fôlego às negociações entre categoria e governo federal. A greve, no entanto, permanece em boa parte do País. 

Clima

El Niño reforça preparação do setor de saneamento para eventos climáticos extremos

As empresas ampliam investimentos em tecnologia, monitoramento e infraestrutura, enquanto a regulação começa a incorporar essa agenda

05/07/2026 20h00

Entre os efeitos do El Niño estão o excesso de chuvas no sul do Brasil e a falta dela nas regiões central e norte

Entre os efeitos do El Niño estão o excesso de chuvas no sul do Brasil e a falta dela nas regiões central e norte

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A previsão de um El Niño intenso tem levado concessionárias de saneamento a reforçar estratégias para enfrentar eventos climáticos extremos. As empresas ampliam investimentos em tecnologia, monitoramento e infraestrutura, enquanto a regulação começa a incorporar essa agenda.

A previsão para o próximo ciclo de El Niño indica redução das chuvas em parte do Norte e do Nordeste, o que pode comprometer a disponibilidade hídrica. No Sudeste e Centro-Oeste, a tendência é de temperaturas mais elevadas, aumentando o consumo de água e a pressão sobre os sistemas de abastecimento, segundo o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento.

Os impactos sobre o saneamento, porém, vão além. "Muito se fala em água e esgoto, mas tem também a questão da drenagem", afirma o sócio da LMDM Consultoria, Carlos Lebelein. Segundo ele, o excesso de precipitações no Sul tende a sobrecarregar os sistemas de drenagem urbana, ampliando o risco de enchentes.

Nascimento destaca que o El Niño deverá ocorrer em um cenário de temperaturas globais já elevadas, o que exigirá monitoramento permanente e uma gestão cada vez mais eficiente dos recursos hídricos. "Estamos vivenciando um novo normal. As empresas vão ter que utilizar muita inteligência para conseguir gerir um problema que veio para ficar", diz.

Preparo

Na Aegea, o planejamento para eventos climáticos leva em consideração os impactos regionais distintos do El Niño, segundo o vice-presidente da companhia para as regiões Norte e Nordeste, Renato Médicis. Para isso, a empresa utiliza modelos de inteligência artificial que antecipam cenários com até seis meses de antecedência, cruzando dados sobre consumo de água, níveis de rios e previsões meteorológicas.

Em Manaus, por exemplo, a Aegea reposicionou antecipadamente bombas de captação no Rio Negro durante a seca histórica de 2024 As projeções também orientaram investimentos em novos poços, reservatórios e na ampliação da oferta de água no Piauí e no Pará. "Trabalhamos sempre de forma preventiva, para não precisarmos atuar de maneira reativa", diz Médicis.

O diretor de Produção e Tratamento da Sabesp, Marco Antonio Lopez Barros, relata que a crise hídrica de 2014 e 2015, a mais severa já enfrentada pelo Estado de São Paulo, foi uma "lição dura", incorporada ao DNA da companhia.

Entre 2025 e 2030, a Sabesp prevê investir R$ 7,8 bilhões em segurança e resiliência hídrica, reforçando a agenda após a privatização. O plano inclui ações para combater perdas, como o uso de tecnologia para localizar vazamentos, a instalação de hidrômetros inteligentes e a distribuição de caixas d'água para famílias mais vulneráveis, reduzindo os impactos da gestão de pressão adotada em períodos de escassez hídrica.

"Não considerar que hoje há alterações no clima em relação ao que tínhamos há 20 anos é fechar os olhos para os dados", afirma Barros. Contudo, ele pondera que conciliar investimentos em resiliência climática com as metas de universalização é um desafio para o setor, especialmente para empresas de menor porte

Na Iguá Saneamento, a adaptação climática passou a integrar o planejamento operacional. Desde 2022, a companhia desenvolve planos de segurança hídrica e de resiliência climática, além de centros de controle que monitoram, em tempo real, rios, reservatórios, vazões e tendências climáticas para antecipar riscos.

Entre as iniciativas estão a ampliação de reservatórios, a modernização dos sistemas de distribuição e a elaboração de planos de contingência para enfrentar eventos extremos. "Não temos como fazer chover, mas podemos melhorar o sistema para preparar a empresa para situações mais críticas", afirma a diretora de Operações (COO), Paula Violante.

Avanços regulatórios

Do ponto de vista regulatório, a incorporação do tema é mais gradual. Ana Cândida, sócia do BMA Advogados, observa que os contratos de concessão mais recentes passaram a tratar de forma mais específica os riscos climáticos.

Como exemplo, ela cita o contrato de privatização da Sabesp, que prevê medidas preventivas para enfrentar situações recorrentes de escassez hídrica e estabelece regras específicas para eventos climáticos extremos que ultrapassem a capacidade de mitigação da concessionária.

Para a advogada, a evolução da regulação acompanha uma transformação mais ampla no setor. "O desafio agora é adaptar a infraestrutura a um cenário em que secas, enchentes e ondas de calor tendem a ocorrer com maior frequência e intensidade", afirma.

Tragédia

Brasil envia 6 toneladas de vacinas e insumos para apoiar resposta a terremotos na Venezuela

Pelo menos 2.954 pessoas morreram e 16.592 ficaram feridas nos terremotos que sacudiram a Venezuela em junho

05/07/2026 19h00

Terremotos na Venezuela deixaram 1.450 mortos e 3.150 feridos

Terremotos na Venezuela deixaram 1.450 mortos e 3.150 feridos Foto: Reprodução

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O governo brasileiro enviou neste sábado, 4, uma carga de aproximadamente seis toneladas de vacinas, medicamentos e insumos de saúde para apoiar a resposta humanitária ao terremoto que atingiu a Venezuela.

A operação foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE).

O voo, fretado pela companhia aérea Gol, decolou às 18h do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino ao país vizinho.

A carga reúne doações do Ministério da Saúde, da farmacêutica Eurofarma e da Marinha do Brasil.

Entre os itens enviados estão 250 mil doses de vacina antirrábica para cães, 10 mil doses de vacina contra a febre amarela, medicamentos e equipamentos laboratoriais destinados ao hospital de campanha mantido pela Marinha brasileira em La Guaira.

Segundo o governo federal, as vacinas estão sendo transportadas em temperatura controlada para preservar sua qualidade e eficácia.

A manutenção das campanhas de imunização em áreas afetadas por desastres é considerada essencial para evitar surtos de doenças e reduzir o risco de mortes.

O Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o envio das doses não compromete os estoques nacionais de vacinas.

Pelo menos 2.954 pessoas morreram e 16.592 ficaram feridas nos terremotos que sacudiram a Venezuela em 24 de junho, segundo o balanço mais recente divulgado pelo governo.

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