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EDUCAÇÃO

Governo estuda implantar escola cívico-militar em Chapadão do Sul

Município já tem escola que funciona nos moldes do programa do governo federal
22/02/2020 15:16 - Adriel Mattos


 

A Secretaria de Estado de Educação (SED) de Mato Grosso do Sul estuda implantar a terceira escola cívico-militar do Estado. A unidade será a primeira do interior, em parceria com a Polícia Militar (PM).

Essa escola será aberta em Chapadão do Sul, cidade no nordeste do Estado. No município, a PM já atua em outra unidade. Em parceria com a prefeitura, o Projeto Atalaia trabalha nos mesmos moldes do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim).

O Projeto Atalaia tem uma estrutura disciplinar hierarquizado semelhante ao da PM, levando o aluno a ser “promovido”, de acordo com seu desempenho escolar e comportamento. Com atividades educativas, o que implica na correção de atos individuais e coletivos, atende estudantes de 8 a 17 anos, desenvolvendo noções de companheirismo, solidariedade, civismo, responsabilidade, espírito de grupo e liderança, resgatar a cidadania, a dignidade humana, a valorização da família.

Representantes da SED e da PM já começaram a se reunir para definir as primeiras tratativas para a implantação da nova escola cívico-militar. Na última reunião, realizada na quinta-feira (20) entre membros da Polícia Militar e da prefeitura de Chapadão do Sul, discutiram a possibilidade de implantar essa nova unidade nas dependências do campus local do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).

O superintendente de Administrações Regionais (Suare) da SED, Juari Lopes Pinto, destacou a importância da parceria, que já dá resultados com o Projeto Atalaia. “O projeto é relevante e reconhecido no âmbito estadual, pelo procedimento exitoso na formação dos estudantes, temos a visão de que não são estudantes do Município, ou do Estado, mas sim estudantes da Rede Pública de Mato Grosso do Sul e o regime de colaboração é imprescindível”, afirmou.

 
 

PROJETO ATALAIA

A Escola Municipal Carlos Drummond de Andrade, em Chapadão do Sul, aderiu ao Projeto Atalaia no ano passado. Como mostrou o Correio do Estado em novembro de 2019, a gestão da unidade tem a mesma hierarquia do programa federal, compartilhamento entre a Secretaria Municipal de Educação e a PM.

Coordenador militar da escola, o capitão Andrew Nascimento explicou que os alunos têm aulas comuns, com professores civis, e recebem orientação dos militares à tarde. “Há oficinas, aulas de civismo, noções de trânsito, de primeiros-socorros, de combate às drogas. E também fazemos visitas ao quartel da PM e dos bombeiros”, detalhou.

O uniforme é diferente, e os alunos devem seguir algumas regras, como de corte de cabelo, e são acompanhados diretamente por ambas as equipes. A partir dos ensinamentos dos policiais, a disciplina na sala funciona. Assim que o professor entra, o líder da turma pede que todos se levantem e cumprimentem o profissional, em seguida, o líder relata os ausentes.

“Os professores viram que as regras aumentaram a concentração. Em casa, os pais notaram que há mais respeito”, ressaltou Nascimento.

 
 

PECIM

Anunciado em setembro de 2019, o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), do Ministério da Educação (MEC), deve implementar as mudanças em 216 colégios até 2023, começando com 54 em 2020. O modelo será levado, preferencialmente, para regiões que apresentam situações de vulnerabilidade social e baixos Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

No último dia para estados e interessados se inscreverem no programa, o governo do estado anunciou a indicação das duas escolas de Campo Grande para o Pecim. A SED realizou uma consulta pública nos dois bairros, tendo 93% de aprovação no Anache e quase 80% nos Los Angeles.

Para a seleção, o MEC levou em conta critérios como a escola inscrita estar na capital do estado ou pertencer à região metropolitana, estar situada na faixa de fronteira; e a faixa populacional, considerando a realidade estadual. Logo no lançamento, o governo abriu prazo para as unidades da Federação manifestarem interesse. Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e outros 14 estados aderiram. Depois, foi a vez dos municípios, e mais de 600 cidades pediram para participar — incluindo Corumbá.

As famílias dos alunos das duas escolas cívico-militares de Campo Grande serão peça-chave no funcionamento das instituições, como noticiou o Correio do Estado no mês passado. Além de participar das reuniões, os pais ou responsáveis deverão ir a encontros da comunidade escolar.

Com a entrada dos militares nas escolas, os educadores podem focar na gestão da escola. “O que acontece hoje é que a direção e a coordenação das escolas trabalha muito em função da correção disciplinar dos estudantes e os outros serviços da escola vão ficando para trás. Com esse apoio dos oficiais do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, nosso trabalho será mais voltado à questão administrativa e pedagógica, porque a questão disciplinar esses oficiais vão tomar conta”, afirmou na época a então diretora da escola Professor Tito, Eliana Prado Verneque Soares.

Com esse vínculo, os educadores esperam diminuir que preocupa, a evasão escolar, que é quando o aluno, por qualquer motivo, deixa de ir à escola. “O objetivo macro é o aprendizado do estudante e diminuir a evasão. Precisamos resgatar esses meninos, para que a escola seja interessante para eles”, disse.

As disciplinas do currículo comum, como Língua Portuguesa e Matemática, serão mantidas e ministradas por professores da SED. Os militares vão contribuir em outras atividades. Entre as matérias eletivas, que o estudante pode escolher seguir, está a Educação para a Cidadania.

 
 

EQUIPES

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) já nomeou os militares que atuarão nas escolas da Capital. São três policiais militares e dez bombeiros.

Da PM, foram convocados o tenente-coronel Cícero Aparecido Pereira, a subtenente Erenice da Conceição Rodrigues Mendes e a 3º sargento Valdete Domiciano Pinto. Segundo o Comando-Geral da corporação, mais dois militares da ativa comporão a equipe.

Pereira já é membro da equipe de trabalho da Secretaria de Estado de Educação (SED) que está organizando o cronograma das primeiras semanas de aula na unidade. Além dele, compõe o grupo o coronel Hudmax Evangelista Ortiz.

Do Corpo de Bombeiros, voltam à força os subtenentes Edimalso Raimundo de Lima, Luis Alberto Mota, Marcio Aparecido Ribas, Nelson Martins Amorim e Rozival de Souza; além dos 1ºs Carlos Antônio Gonçalves, Joirson Sebastião Pereira, Leivas Leite de Oliveira, Valdeci Alves Calisto, Walter José da Silva Nascimento.

 

Felpuda


Malfeitos que teriam sido praticados em tempos não tão remotos podem ser a pedra no caminho de pré-candidatura que está sendo costurada. As conversas ainda estão nas “ondas da rádio-peão”, mas, com a proximidade da campanha eleitoral, há quem diga que isso se tornará uma tremenda dor de cabeça para quem vai enfrentar as urnas. Pior:  o dito não seria culpado direto, mas sim a sua...  Bem, deixa rolar para ver onde vai parar.