Cidades

OPERAÇÃO

Esquadrão da Morte do PCC vigiava alvos 24 horas por dia

Até Diário Oficial era usado por quadrilha para acompanhar vida dos 12 ameaçados

RAFAEL RIBEIRO

21/03/2019 - 17h32
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Parecia filme de espionagem, mas na verdade era a atuação do chamado 'Esquadrão da Morte do PCC', grupo de bandidos que tinham como missão a execução de 12 servidores da segurança pública, como policiais e agentes penitenciários. De forma bastante intuitiva, o bando funcionava como uma central de inteligência, seguindo de perto e por 24 horas a rotina dos alvos e seus familiares.

Os policiais civis da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco), responsáveis pelas prisões, descobriram que o grupo se dividia, principalmente, em dois. 

Um deles tinha como responsabilidade o trabalho de 'investigação', propriamente dito. Criavam perfis falsos nas redes sociais para seguirem os agentes de segurança e descobrirem dados de suas vidas particulares. A coisa ia além, com consultas frequentes às páginas oficiais do Governo do estado e leitura diária do Diário Oficial para descobrir escalas de trabalho e transferências de postos.

Todo o conteúdo produzido por eles era encaminhado aos 'torres', como são chamados os líderes da facção criminosa, que controla o tráfico de drogas e armas na fronteira do Estado com Paraguai e Bolívia, que estão detidos no Presídio de Segurança Máxima, no Jardim Noroeste, região leste de Campo Grande, e Penitenciária Estadual de Dourados.

Segundo a delegada Ana Claudia Medina, responsável pela investigação que durou quatro meses, a outra parte dos bandidos fazia o trabalho de campo. A maioria desses, que já cumpriram pena anteriormente ou que estão em liberdade condicional, tinham dívidas a pagar com as lideranças. E então passavam a acompanhar, inclusive com fotos e vídeos, os sevidores de segurança pública marcados como alvos, juntamente com familiares, parentes, amigos colegas de profissão, acompanhando minuciosamente a rotina diária, locais frequentados, residencias, veiculos utilizados, trajetos de deslocamentos e horários vulneráveis.

A audácia era tamanha que a polícia investiga a invasão nas casas de alguns dos policiais de forma infiltrada, usando roupas de operadoras de televisão a cabo ou concessionárias de internet. Era a forma encontrada para fazer a 'varredura' das residências, descobrindo cômodos e planejando formas de ataque.

"Eles tinham apoiadores que, aqui fora, faziam o levantamento de campo e monitoramento 24 horas por dia dos servidores e dos seus familiares, como quais carros usavam, o dia de folga, onde costumavam ir", disse a delegada.

A identidade dos alvos do Esquadrão da Morte do PCC é mantida em sigilo por motivos de segurança. O Correio do Estado apurou que a operação foi deflagrada na eminência de ataques promovidos a agentes de Rio Brilhante, Corumbá, Três Lagoas e Dois Irmãos do Buriti.

A principal suspeita da Polícia Civil é que a primeira das ações planejadas pelo grupo foi de fato concretizada: a execução do soldado da Polícia Militar Juciel Rocha Professor, 25 anos, ocorrida na madrugada do dia 10 de fevereiro, em um bar de Maracaju. O PM fazia constantemehte o trabalho de escolta na transferência de presos da cidade para os grandes presídios do Estados.

Dois dias depois, quatro homens foram presos acusados pelo crime. A motivação apontada na época já antecipava alguns dos elementos revelados pela Deco. E um dos detidos havia obtido a liberdade do presídio apenas 22 dias antes. Voltando ao cárcere com o posto de liderança, como uma promoção.

CONFIRA ABAIXO A LISTA DE PRESOS PELA POLÍCIA CIVIL NA QUARTA:

BATIDA FRONTAL

Acidente entre caminhão e moto deixa um morto na BR-262

A vítima foi arremesada ao solo e ficou preso entre os eixos do veículo. O rapaz sofreu lesões na cabeça e não resistiu aos ferimentos

12/04/2026 08h15

Eryck Willian Amarilio Neves pilotava a moto Honda/CG 125 Titan ES

Eryck Willian Amarilio Neves pilotava a moto Honda/CG 125 Titan ES Foto: reprodução da rede social

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Na noite de sábado (11), por volta das 21h, um acidente de trânsito, com colisão frontal envolvendo um caminhão e uma moto, causou a morte de Eryck Willian Amarilio Neves, de 27 anos. A tragédia ocorreu na BR-262, km 366, em Campo Grande.

De acordo com os relatos, a batida entre os veículos fez Eryck ser arremessado ao chão, sofrendo lesões pelo corpo e na cabeça. Ele ficou preso entre o primeiro e o segundo eixo do caminhão.

Houve atendimento médico realizado pela equipe do SAMU, porém, mesmo após os procedimentos, o rapaz não resistiu aos ferimentos e veio a óbito no local, por volta das 22h.

Após os peritos e o delegado Leonardo Antunes Ballerini Fernandes adotarem as providências, o motorista do caminhão foi liberado. Ele foi autuado no crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor. 

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EDUCAÇÃO

Censo: 50% de alunos cotistas nas federais concluem graduação

Índice é superior ao registrado entre os não cotistas em universidades

11/04/2026 23h00

Pesquisa indica que a maior parte dos estudantes que ingressam no ensino superior por ações afirmativas concluem seus cursos e são diplomados

Pesquisa indica que a maior parte dos estudantes que ingressam no ensino superior por ações afirmativas concluem seus cursos e são diplomados Foto: Sam Balye/Unsplash

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O Censo da Educação Superior (2024), organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 49% dos alunos que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais e em instituições da rede federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica concluíram a graduação – índice superior ao registrado entre os demais ingressantes, que foi de 42%.

O Censo indica ainda que a maior parte dos estudantes que ingressam no ensino superior por ações afirmativas concluem seus cursos e são diplomados. 

O Censo da Educação Superior (2024), organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 49% dos alunos que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais e em instituições da rede federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica concluíram a graduação – índice superior ao registrado entre os demais ingressantes, que foi de 42%.

O desempenho desses estudantes reforça o sucesso de políticas de ampliação do acesso à educação superior, articuladas pelo Ministério da Educação (MEC).

Os dados do Censo demonstram que, entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de pessoas ingressaram em instituições federais de ensino por meio de políticas de reserva de vagas, o que ampliou a presença, especialmente nas universidades federais, de grupos historicamente excluídos desses espaços. Somente em 2024, esse número foi de 133.078 estudantes.

A maior parte das matrículas ocorreu em universidades, que registraram 110.196 alunos cotistas, enquanto 22.587 foram contabilizados em instituições da rede federal.

Nos processos seletivos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), cerca de 2 milhões de cotistas ingressaram em cursos de graduação desde a adoção desses mecanismos. A implementação da modalidade no Sisu surge com a criação da Lei de Cotas. Regras específicas também foram criadas para o Prouni e, mais recentemente, para o Fies.

Com o Sisu, mais de 790,1 mil estudantes conseguiram ingressar em universidades públicas por meio da Lei de Cotas. Somente de 2023 a 2026, esse número alcançou a marca de 307.545 estudantes.

O Prouni foi pioneiro na implementação de ações afirmativas e, desde a sua primeira edição, em 2005, até o ano passado, já beneficiou mais de 1,1 milhão de autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. Em 2024, foi a vez do Fies também passar a ofertar vagas para cotistas, garantindo o ingresso de 29,6 mil estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

A Lei de Cotas, obrigatória para as instituições federais, passou por atualizações no ano de 2023, sendo aprimorada com a criação de cota específica para quilombolas. Além disso, ampliou as oportunidades para a população de menor renda, ao diminuir de 1,5 para um salário mínimo o limite da renda mínima per capta para quem opta por cotas que exigem a comprovação do critério econômico.

Outro destaque foi a preservação do critério de origem escolar, com a exigência de que os três anos do ensino médio tenham sido cursados em escola pública para todos os tipos de cotas. Além de valorizar mais a escola pública, essa medida contempla um espelhamento da diversidade existente nas redes públicas de educação básica, que anteriormente não se refletia nas universidades.

No critério de origem escolar, a nova legislação incluiu, ainda, as escolas comunitárias que atuam em educação do campo, conveniadas com o poder público.

O desempenho dos estudantes reforça o sucesso de políticas de ampliação do acesso à educação superior, articuladas pelo Ministério da Educação (MEC).

Os dados do Censo demonstram que, entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de pessoas ingressaram em instituições federais de ensino por meio de políticas de reserva de vagas, o que ampliou a presença, especialmente nas universidades federais, de grupos historicamente excluídos desses espaços. Somente em 2024, esse número foi de 133.078 estudantes. A maior parte das matrículas ocorreu em universidades, que registraram 110.196 alunos cotistas, enquanto 22.587 foram contabilizados em instituições da rede federal.

Nos processos seletivos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), cerca de 2 milhões de cotistas ingressaram em cursos de graduação desde a adoção desses mecanismos.

A implementação da modalidade no Sisu surge com a criação da Lei de Cotas. Regras específicas também foram criadas para o Prouni e, mais recentemente, para o Fies.

Com o Sisu, mais de 790,1 mil estudantes conseguiram ingressar em universidades públicas por meio da Lei de Cotas. Somente de 2023 a 2026, esse número alcançou a marca de 307.545 estudantes. O Prouni foi pioneiro na implementação de ações afirmativas e, desde a sua primeira edição, em 2005, até o ano passado, já beneficiou mais de 1,1 milhão de autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.

Em 2024, o Fies também passou a ofertar vagas para cotistas, garantindo o ingresso de 29,6 mil estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

A Lei de Cotas, obrigatória para as instituições federais, passou por atualizações no ano de 2023, sendo aprimorada com a criação de cota específica para quilombolas. Além disso, ampliou as oportunidades para a população de menor renda, ao diminuir de 1,5 para um salário mínimo o limite da renda mínima per capta para quem opta por cotas que exigem a comprovação do critério econômico.

Outro destaque foi a preservação do critério de origem escolar, com a exigência de que os três anos do ensino médio tenham sido cursados em escola pública para todos os tipos de cotas. Além de valorizar mais a escola pública, essa medida contempla um espelhamento da diversidade existente nas redes públicas de educação básica, que anteriormente não se refletia nas universidades.

No critério de origem escolar, a nova legislação incluiu, ainda, as escolas comunitárias que atuam em educação do campo, conveniadas com o poder público.

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