Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Entenda as fases de investigação
da operação Lama Asfáltica

Os prejuízos causados pelas fraudes e propinas chegam a meio bilhão

MARESSA MENDONÇA

27/11/2018 - 10h17
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Os prejuízos decorrentes de fraudes e propinas envolvendo empresários e servidores públicos de Mato Grosso do Sul investigados na Operação Lama Asfáltica são de quase meio bilhão de reais. A operação, do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), em conjunto com a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal (RFB), começou em 2015. A sexta-fase foi deflagrada nesta terça-feira (27). Entenda cada uma delas:

LAMA ASFÁLTICA

Em julho de 2015,  foi deflagrada a Operação Lama Asfáltica com objetivo de desarticular organização criminosa especializada em desviar recursos públicos de fraudes em licitações e contratações públicas. As investigações começaram dois anos antes e apontaram a existência de empresas em nome de integrantes de grupo criminoso e de terceiros que superfaturavam obras públicas, por meio de fraudes em licitações e corrupção de servidores públicos.

As empresas investigadas são do ramo de pavimentação de rodovias, construção de vias públicas, coleta e limpeza pública, entre outros. Neste período, pelo menos 15 pessoas foram para cadeia, mas acabaram liberadas em seguida. A polícia também apreendeu centenas de documentos.  Na ocasião, o prejuízo calculado foi de R$ 11 milhões em obras executadas pelas empresas.

FAZENDAS DE LAMA

Na 2ª fase da Operação Lama Asfáltica que, recebeu o nome de Fazendas de Lama, e foi deflagrada em maio de 2016, as investigações ficaram em torno da aquisição de propriedades rurais por meio de desvios de recursos públicos de contratos de obras, fraudes em licitações e recebimento de propinas.

As investigações apontaram para a prática do crime de lavagem de dinheiro, decorrente de desvio de recursos públicos federais e provenientes de corrupção passiva, com a utilização de mecanismos para ocultação dos valores, como aquisição de bens em nome de terceiros e saques em espécie. Os contratos sob investigação ultrapassaram os R$ 2 bilhões.

Na ocasião, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão, 15 de prisão temporária e 24 de sequestro de bens. As ações ocorreram nos municípios de Campo Grande (MS), Rio Negro (MS), Curitiba (PR), Maringá (PR), Presidente Prudente (SP) e Tanabi (SP).

AVIÕES DE LAMA

A 3ª fase da Operação Lama Asfáltica, chamada de Aviões de Lama, foi deflagrada em julho de 2016, em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. Na ocasião, os agentes descobriram que os investigados estavam se desfazendo do patrimônio com a revenda de bens e dividindo o montante entre diversas pessoas para ocultar a origem do dinheiro. Dentre os bens, uma aeronave no valor de R$ 2 milhões. A ação foi realizada mediante entrega de outra aeronave de R$ 350 mil, além de quatro cheques, que resultou no fracionamento do patrimônio com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro. Isto explica o nome da operação, “Aviões de Lama”.

MÁQUINAS DE LAMA

Em maio do ano passado foi deflagrada a 4ª fase da Operação Lama Asfáltica, denominada “Máquinas de Lama”. À época, os agentes já estimavam prejuízos no valor de R$ 150 milhões.

Esta fase ocorreu após análise de exames periciais e diligências dos materiais apreendidos nas fases anteriores da Lama Asfáltica. Conforme as investigações avançaram, os agentes descobriram superfaturamento de obras; direcionamento de licitações; aquisição fictícia de produtos; e uso de documentos falsos para justificar o aditamento de contratos.

À época, constataram também repasse de propina para servidores públicos em troca de benefícios e isenção fiscal.

Nesta fase, foram cumpridos 32 de mandados de busca e apreensão, nove de condução coercitiva, três de prisão preventiva, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas em Campo Grande (MS), Nioaque (MS), Porto Murtinho (MS), Três Lagoas (MS), São Paulo (SP) e Curitiba (PR).

PAPIROS DE LAMA

Em novembro do ano passado, foi deflagrada a 5ª fase da Operação Lama Asfáltica, chamada Papiros de Lama, em que ficou constatado que os recursos desviados pelo grupo criminoso passavam por processos elaborados de ocultação da origem.

As investigações apontaram para casos de desvios e superfaturamentos em obras, direcionamento de licitações, uso de documentos falsos, aquisição ilícita e irregular de produtos e obras, concessão de créditos tributários direcionados e pagamento de propinas a agentes públicos.

O grupo “mascarava” os valores repassados por propina com diversos tipos de operações simuladas. A ideia era justificar o aumento patrimonial dos integrantes da quadrilha dando. As investigações apontaram para a aquisição injustificada de obras jurídicas por parte de uma concessionária e direcionamento dos lucros a um dos integrantes. Neste período, o cálculo dos prejuízos causados pelo esquema ao Erário passaram dos R$ 235 milhões.  

Na ocasião, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva; dois de prisão temporária; seis de condução coercitiva; 24 de busca e apreensão; além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas. As medidas foram sendo cumpridas em Campo Grande (MS), Nioaque (MS), Aquidauana (MS) e São Paulo (SP).

COMPUTADORES DE LAMA

A sexta fase da Operação Lama Asfáltica, intitulada Computadores de Lama, foi deflagrada nesta terça-feira (27). As investigações apontaram para remessas clandestinas de valores para o exterior realizadas por proprietários de empresas de informática investigadas nas fases anteriores.

Desta vez, serão cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas. As ações ocorrem em Campo Grande, Jaraguari, Dourados e Paranhos e são resultado da análise dos materiais já apreendidos.

Os agentes apuram os desvios de recursos públicos por meio do direcionamento de licitações em contratações de serviços de informática, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, simulação de contratos para o repasse de recursos ilícitos e utilização de “laranjas” para ocultação patrimonial.

Somando-se todas as seis fases da Operação lama Asfáltica as propinas pagas a integrantes da Organização Criminosa passam dos R$ 432 milhões.

A ORGANIZAÇÃO 

Dentre os investigados em todas as fases da Operação Lama Asfáltica estão: o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (MDB), o filho dele, André Puccinelli Júnior, o advogado João Paulo Calves,  o empresário João Amorim e o ex-secretário de Obras do Estado Edson Giroto, o empresário Flávio Henrique Scrochio; o fiscal de obras da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano e o empresário João Roberto Baird. 

 

a partir de 10 anos

Anvisa aprova Mounjaro para criança e adolescente com diabetes tipo 2

Crianças a partir de 10 anos poderão usar o medicamento, que até então era restrito para adultos

22/04/2026 14h31

Monjauro poderá ser usado por crianças com diabetes

Monjauro poderá ser usado por crianças com diabetes Divulgação

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) o uso do medicamento Mounjaro para tratar diabetes tipo 2 em crianças a partir de 10 anos. Até então, a indicação era apenas para uso adulto. 

Em nota, a Anvisa informou que as demais indicações do medicamento permanecem para uso adulto. “A única mudança foi a ampliação da população-alvo para tratamento de diabetes, que era apenas de uso adulto e agora passa a ser de uso pediátrico”.  

O Mounjaro é um dos diversos medicamentos  da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Manipulação

Na próxima semana, a diretoria colegiada da Anvisa discute uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos que tratarão da manipulação de canetas emagrecedoras.

A nova norma fará parte de um conjunto de estratégias que integram o plano de ação anunciado no último dia 6, composto por medidas regulatórias e de fiscalização relacionadas a esse tipo de medicamento.

Grupos de trabalho
Na semana passada, a agência publicou portarias que criam dois grupos de trabalho para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.

O primeiro grupo, formalizado pela Portaria 488/2026, será formado por representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Já a Portaria 489/2026 institui o segundo grupo, que vai acompanhar e avaliar a implementação de um plano de ação proposto pela Anvisa e subsidiar a tomada de decisão da diretoria colegiada a partir da proposição de medidas de aprimoramento.

Epidemia

Chikungunya: prefeitura de recolhe 20 toneladas de lixo em aldeias de Dourados

Mato Grosso do Sul já soma 12 mortes por chikungunya em 2026, o que representa 63% dos 19 óbitos registrados em todo o Brasil neste ano

22/04/2026 14h15

Foto: Divulgação

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A Prefeitura de Dourados intensificou o combate à chikungunya com um mutirão de limpeza na Reserva Indígena que, nos últimos três dias, já retirou cerca de 20 toneladas de resíduos nas aldeias Bororó e Jaguapiru. A ação começou na segunda-feira (20) e tem como principal objetivo eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue e da zika.

Nesta quarta-feira (22), as equipes iniciaram os trabalhos nas primeiras horas do dia na Aldeia Bororó e atuam simultaneamente na Aldeia Jaguapiru e na Comunidade Santa Felicidade. Com o uso de caminhões, maquinários e pás carregadeiras, o mutirão realiza limpeza porta a porta e em áreas consideradas críticas, como as margens do anel viário, garantindo a destinação adequada dos resíduos.

De acordo com o secretário-adjunto de Serviços Urbanos, Ângelo Augusto Gomes, a mobilização segue diretriz da administração municipal de atacar a origem do problema. As equipes estão reforçadas e orientam moradores a descartarem objetos que possam acumular água. A eliminação desses focos, segundo ele, é essencial para reduzir o avanço da doença.

A força-tarefa reúne equipes da Defesa Civil (estadual e municipal), Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Secretaria Municipal de Saúde (Sems), Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), além do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). O trabalho integra as estratégias do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar as ações de enfrentamento à epidemia no município.

Desde 9 de março, mais de 1,1 mil toneladas de resíduos já foram recolhidos em diferentes regiões da cidade. A expectativa é manter o ritmo nos próximos dias, com ações concentradas nas áreas mais críticas.

Epidemia

Dourados registra 6.411 notificações da doença, com 2.204 casos confirmados, 4.959 prováveis, e 2.755 ainda em investigação. O município contabiliza oito mortes por chikungunya, sendo sete na Reserva Indígena.

Atualmente, 41 pacientes seguem hospitalizados com suspeita ou confirmação da doença. A taxa de positividade chega a 60,2%, indicador de que a maioria das pessoas com sintomas testadas tem diagnóstico confirmado.

Em nível estadual, Mato Grosso do Sul já soma 12 mortes por chikungunya em 2026, o que representa 63% dos 19 óbitos registrados em todo o Brasil neste ano.

A prefeitura reforça o alerta para que a população colabore, mantendo quintais limpos e livres de recipientes que possam servir de criadouro para o mosquito, medida considerada decisiva para conter a epidemia.

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