Cidades

SUSPEITA DE CARTEL

Empresas terão 10 dias para justificar preços das placas Mercosul

Procon investiga combinação de preços ou cobranças abusivas

Continue lendo...

As empresas credenciadas para emplacar veículos no padrão Mercosul têm dez dias corridos para explicar ao Procon porque o serviço em Mato Grosso do Sul está mais caro em comparação com outros estados. O órgão suspeita que as estampadoras possam ter combinado valores parecidos (cartel) ou então estejam exagerando na margem de lucro, praticando cobranças abusivas.

Fiscais estiveram em todas as quatro terceirizadas de Campo Grande para entregar pessoalmente o ofício cobrando o detalhamento dos custos para a emissão das chapas e convocando os donos para uma reunião individual com o superintendente Marcelo Salomão ao longo de terça-feira (4).

Nas unidades que ficam no interior, o documento será encaminhado pelos correios. O prazo vence na quarta-feira (12).

Toda essa operação foi determinada pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Para o gestor público, é inadmissível que a população, principalmente neste início de ano, em que é pressionada por gastos com matrículas e materiais escolares, IPTU e IPVA, tenha que pagar mais caros pela nova placa.

Os preços pelo novo modelo de emplacamento pode checar até R$ 300 para automóveis, enquanto antigamente saía por R$ 121 para as motos e R$ 220 para os demais veículos. Em outros estados que já adotam o sistema, como Paraná e Rio Grande do Sul, os preços praticados são inferiores a R$ 200.

Apesar da pressão, os empresários prometem explicar a composição dos preços e dizem que a sistemática adotada pelo Detran em conjunto com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) tornou mais caro o serviço.

Renato Righetti, dono da credenciada Placar, explica que para cada placa o órgão nacional cobra taxa de R$ 3,98 no momento do cadastro dos QR codes. Veículos que têm duas identificações, como carro, pagam R$ 7,96. Além disso, existem os impostos: ICMS, PIS, COFINS.

O próprio Detran-MS já confirmou via assessoria de imprensa que também exige sua parte: taxa de 0,9 Unidades Fiscais de Referência (UFERMs), o que resulta em R$ 26,84. Além disso, também há incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cuja alíquota é de 17% em cima de cada placa.

As empresas só podem comprar as placas “virgens” das fábricas cadastradas pelo Denatran. São 23 espalhadas pelos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e uma no Distrito Federal.

“Fora isso, tenho meus custos operacionais, como funcionários, água, luz, aluguel. Tudo isso interfere no preço”, explica o empresário.

NOVO PADRÃO

O emplacamento segundo o modelo Mercosul começa a ser feito oficialmente nesta segunda-feira (3) em Mato Grosso do Sul. Todos os estados brasileiros tiveram até a semana passada para fazerem os últimos ajustes nos sistemas necessários para colocar em prática o novo padrão visual.

Alagoas, Mato Grosso, Minas Gerais, Sergipe e Tocantins pediram e ganharam mais prazo do Governo Federal para emplacar o novo modelo, que só vale a partir de 17 de fevereiro.

Há seis empresas cadastradas para executar o serviço: Íons Placas, FS Placas, MS Placas e GR Placas em Campo Grande; FR Placas e GR Placas (filial) em Dourados e FL Placas e GR Placas em Três Lagoas.

Infraestrutura

Duplicação da BR-262 de Campo Grande a Terenos não tem previsão para sair do papel

Ministro dos Transportes afirmou que trecho de Terenos a Anastácio deve ser licitado entre o fim deste ano e o começo de 2027

01/08/2026 07h40

Trecho entre Campo Grande e Terenos está em fase de projeto, que tem previsão para ser concluído apenas no segundo semestre de 2027

Trecho entre Campo Grande e Terenos está em fase de projeto, que tem previsão para ser concluído apenas no segundo semestre de 2027 Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

A duplicação do trecho entre Campo Grande e Terenos da BR-262, que compreende a extensão de 42,6 quilômetros, não tem previsão de sair do papel, com projeto ainda sendo elaborado pela empresa contratada. Na mesma rodovia, trecho entre Terenos e Anastácio, superior a 100 km, deve receber duplicação em 2027.

Nesta sexta-feira, o ministro dos Transportes, George Santoro, visitou Mato Grosso do Sul para entregar a pavimentação do quarto lote da BR-419, em Aquidauana, e para visitar a obra da duplicação da BR-163, em Campo Grande. 

No interior, Santoro anunciou que 105,7 km entre Terenos e Anastácio devem receber a nova pista em breve.

No portal do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), é possível verificar que as obras serão divididas em dois lotes. O primeiro, com extensão de 59,9 km, vai de Terenos a Dois Irmãos do Buriti, do km 383,9 ao km 443,8. Já o segundo lote vai de Dois Irmãos do Buriti até Anastácio, do km 443,8 ao km 489,6, com extensão de 45,8 km.

Ao Correio do Estado, o ministro confirmou que o projeto está perto de ser finalizado e deve ser licitado no fim deste ano. Ainda segundo ele, a previsão é de que as obras de um dos lotes comece no fim do primeiro semestre de 2027, enquanto o outro lote deve ficar para os últimos seis meses do ano que vem.

“A gente está falando de duplicar a BR-262 inteira, só que o primeiro trecho já está em andamento e no outro trecho serão dois lotes que a gente está acabando o projeto e vai licitar agora no fim do ano para começar um trecho já no fim do primeiro semestre e o segundo trecho ao longo do segundo semestre”, explica.

O primeiro trecho citado por Santoro, que está “em andamento”, é o que compreende os 42,6 km de Campo Grande a Terenos. Porém, de acordo com o portal do Dnit, o projeto ainda está sendo elaborado pela empresa Houer Engenharia Ltda., que foi contratada em julho do ano passado para executar os estudos, e ainda não tem previsão de sair do papel.

O contrato com a Houer vai até agosto de 2027. Caso o projeto seja finalizado apenas no segundo semestre do ano que vem, a tendência é que o lançamento da licitação ocorra meses depois e as obras comecem a ser executadas somente em 2028. Contudo, nenhum dos prazos foi oficializado pelo Dnit ou pelo ministro dos Transportes até o momento.

Para execução da obra de duplicação serão necessários em torno de R$ 200 milhões, uma vez que existe a necessidade de construção de viadutos e de pontes sobre os córregos Anhanduizinho e Imbirussu, entre outros.

A BR-262 em Mato Grosso do Sul liga a divisa com São Paulo (em Três Lagoas) até a fronteira com a Bolívia (em Corumbá), com extensão total de cerca de 783 km no Estado.

Trecho dela, entre Campo Grande e Três Lagoas, integra a Rota da Celulose, assinado em fevereiro deste ano com o Consórcio Caminhos da Celulose. Com contrato de 30 anos, abrange 870,3 km de várias rodovias e prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos totais de melhorias e operação.

SUSPENSÃO

Vale lembrar que, em janeiro de 2025, cerca de um mês depois de ser anunciada, a licitação para contratação do projeto executivo para a duplicação da BR-262, entre a Capital e Terenos, foi suspensa por tempo indeterminado pelo Dnit. 

Inicialmente prevista para ser aberta em 12 de fevereiro do mesmo ano, a autarquia federal disse que a suspensão ocorreu para correção do edital original. Pouco tempo depois, em abril, o edital foi republicado e conseguiu ser licitado.

ACIDENTES

Conforme matéria do Correio do Estado, de janeiro a novembro de 2025, a BR-262 registrou 266 acidentes e 34 óbitos em Mato Grosso do Sul, número semelhante ao registrado em 2024, quando foram 307 colisões e 33 mortes.

Os números ficaram atrás da BR-163, que registrou 702 acidentes e 42 óbitos em 2025 e 783 colisões e 63 mortes em 2024. A BR-163 corta Mato Grosso do Sul de norte a sul. Tem 845,4 km de extensão e cruza 21 cidades, entre elas, Dourados e Campo Grande.

Meio ambiente

Comunidades criam soluções para mitigar efeitos da crise climática

Indígenas, quilombolas, periféricos e rurais são os que mais sofrem

31/07/2026 21h00

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

As populações que mais sofrem com os eventos extremos da crise climática no Brasil são aquelas que encontram mais dificuldades para acessar políticas públicas e recursos de adaptação e prevenção. As comunidades vulnerabilizadas, no entanto, passaram a criar soluções para as mudanças do clima.

A conclusão é do relatório As soluções dos territórios: Adaptação Climática Baseada em Comunidades, elaborado pelo Greenpeace Brasil com apoio do Laboratório de Estudos do Clima e do Ambiente (UERJ) e da Brisa Soluções Ambientais.

Comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais estão entre as mais expostas a enchentes, secas e ondas de calor. Muitas delas, no entanto, já têm desenvolvido soluções próprias para enfrentar os impactos da crise climática. O Greenpeace defende que as comunidades ocupem posição central no desenvolvimento das políticas de adaptação.

A coordenadora da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, reforça a necessidade de incorporar a justiça climática e o combate ao racismo ambiental às políticas de adaptação.

“Em um país marcado por desigualdades históricas de acesso à moradia, saneamento, saúde, mobilidade e infraestrutura, os impactos dos eventos extremos tendem a se concentrar justamente nos territórios que já enfrentam maior precariedade”, disse, em nota.

A organização cita que, em Recife (PE), por exemplo, comunidades como Ilha de Deus, Coque e Mustardinha enfrentaram alagamentos severos nos últimos anos. Em Belém (PA) e na Ilha do Marajó (PA), a combinação de enchentes, marés altas, falta de drenagem e saneamento tem afetado principalmente comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, as temperaturas internas das moradias podem chegar a até 8°C acima da média urbana, com sensação térmica superior a 60°C, afetando especialmente crianças, idosos e mulheres. No Vale do Jequitinhonha (MG), comunidades quilombolas enfrentam longos períodos de estiagem, que afetam cultivos de milho, feijão e mandioca.

Experiências locais

Em uma região afetada pela falta de saneamento básico, o Coletivo Utopia Negra se juntou à comunidade da Vila do Carmo do Maruanum, na área rural de Macapá (AP), para instalar uma fossa séptica biodigestora (FSB). A tecnologia, de baixo custo e adaptável para áreas alagáveis, trata o esgoto por biodigestão e evita a contaminação do solo e da água.

Na comunidade do Horto, no Rio de Janeiro, as ações lideradas pelo projeto Horto Natureza, que foi fundado por um morador, incluem limpezas coletivas, plantio de árvores e educação ambiental. Cercada pela Mata Atlântica e atravessada pelo Rio dos Macacos, a comunidade garantiu coleta regular de lixo, acesso a saneamento básico e a despoluição do rio.

“A limpeza contínua do rio e a gestão adequada de resíduos — realizadas em parceria com autoridades públicas — são resultado de um longo processo de organização comunitária que garantiu direitos fundamentais. Esses esforços ajudam a prevenir enchentes e danos relacionados à água, além de assegurar uma melhor qualidade de vida”, avalia o Greenpeace.

A comunidade de Vila Arraes, em Recife (PE), elaborou um plano comunitário de contingência, adaptação e mitigação dos efeitos das chuvas, coordenado pelo Espaço GRIS Solidário, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Houve ainda formações com a Defesa Civil sobre protocolos de emergência durante enchentes do Rio Capibaribe e riscos de eletrocussão.

Falta de recursos

Um dos principais obstáculos enfrentados pelas comunidades é a dificuldade de acesso aos recursos destinados à agenda climática. Segundo o Greenpeace, a maior parte dos recursos é distribuída por meio de instrumentos de crédito, o que dificulta o acesso por comunidades e organizações locais. O relatório também chama atenção para a burocracia envolvida na elaboração, submissão, gestão e prestação de contas de projetos.

“Ampliar a adaptação climática exige, portanto, não apenas aumentar o volume de recursos, mas mudar a forma como eles são distribuídos, garantindo acesso direto às comunidades e fortalecendo iniciativas que já funcionam nos territórios”, afirmou o porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus.

Rodrigo acrescenta que as comunidades que vivem diariamente os efeitos da crise climática já acumulam conhecimento, práticas e soluções capazes de orientar políticas públicas mais eficazes e justas. “O desafio, agora, é reconhecer esse protagonismo, garantir recursos e transformar experiências locais em políticas de escala nacional”, finalizou.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).