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EE PROFESSOR CARLOS HENRIQUE SCHRADER

Descontentes, pais e funcionários fazem nova manifestação em escola afetada por fechamentos

Na Capital, quatro escolas já fecharam e outras quatro encerrarão as atividades

22 NOV 19 - 15h:32ALÍRIA ARISTIDES

Indignação com o fechamento da Escola Estadual Professor Carlos Henrique Schrader levou pais, alunos e funcionários a se reunirem novamente no local para protestarem contra a medida. A direção da escola, que atende mais de 400 alunos, principalmente de comunidades indígenas da Capital, recebeu o comunicado sobre a decisão na última terça-feira (19). Na manhã de hoje (22), representantes da Secretaria Estadual de Educação (SED) se reuniram com a comunidade afetada.

O intuito com o fechamento do espaço é, segundo a SED, otimizar a utilização do dinheiro público destinado para a educação e melhorar a disposição de alunos. O prédio onde hoje funciona a escola será destinada para a sede da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), atualmente localizada na Avenida Mato Grosso. 

A decisão e informações sobre matrículas em outras escolas, mais distantes, foram expostas para os presentes na reunião que aconteceu pela manhã no local. Não satisfeitos com a decisão já tomada, as reivindicações eram expostas por professores, pais e lideranças indígenas, sendo aplaudidas pelos alunos. “Não houve conversa, nós vivemos em uma democracia. Em uma democracia não se impõe, o que está sendo feito aqui foi imposto”, desabafou uma das professoras durante a reunião. 

Outros problemas foram evidenciados pelos pais, como a violência nos espaços escolares, falta de recursos e a distância que os alunos irão precisar percorrer para chegar até as possíveis escolas onde serão matriculados, como os colégios Hércules Maymone e Dolor Ferreira de Andrade. “Minha filha estuda aqui e faz curso, se precisar mudar de escola vai precisar desistir de um dos dois, meu medo é ela não continuar a estudar. Eu não tive a oportunidade de estudar, não queria o mesmo para minha filha”, relata a dona de casa Patrícia Jaques.

“A decisão é arbitrária e não leva em consideração a condição financeira dos alunos, de transporte dos alunos, a condição física dos alunos e emocional dos alunos. Não sairemos daqui enquanto essa decisão não for revertida, Estado que fecha escolas abre presídios. Nós queremos a nossa escola, queremos estudar ”, afirma o estudante Ryan Rodrigues, um dos líderes do protesto e presidente do grêmio estudantil da instituição. 

Ao sair do local, os representantes da secretaria evitaram se manifestar para a imprensa, mas foram parados por uma das mães, Alessandra Salazar. “Não podem fazer isso com nossos filhos, essa escola é maravilhosa, não fechem por favor. Tenho dois filhos que estudam aqui, querem tirar o direito deles de estudar”, desabafou a mãe.      

A escola deixará de funcionar apenas a partir do próximo ano. As atividades escolares deste ano continuam normais até o final de 2019. Ao todo o local tem 427 alunos, sendo que desse número, 43% são indígenas.

Veja desabado de umas das mães que será afetada com o fechamento da escola:

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

De acordo com a secretária de Educação, Maria Cecília Amêndola da Motta, a decisão foi tomada com base em análise técnica e não deve ser revogada. “Atendemos mais de 52 mil alunos em todo o Estado, os índices de educação estão excelentes. Nosso foco é otimizar ainda mais aprendizagem, buscar meios de implantar o período integral. É importante que os pais saibam que o Estado vai cuidar dos estudantes com o maior cuidado”, afirma Motta. 

Entre janeiro de 2019 até dezembro deste ano, pelo menos 21 escolas serão fechadas ou terão turmas realocadas para outras instituições em Mato Grosso do Sul. De acordo com a titular da Secretaria, só em Campo Grande são oito escolas afetadas.

A medida, conforme a secretária, visa “otimizar o dinheiro público, visto que algumas escolas estão com poucos alunos. Por exemplo, tem casos de que há escolas há poucos metros uma da outra e ambas com salas ociosas, vazias. Isso gera um custo para o Estado”, declarou.

Das 21 unidades fechadas ou que terão turmas encerradas, oito foram no início deste ano, sendo quatro em Campo Grande (Riachuelo, Consuelo Muller, Zamenhof e Otaviano Gonçalves da Silveira Júnior), duas no mês de julho (em Paranaíba e Camapuã) e outras 11 terão suas atividades encerradas no fim deste ano, sendo quatro na Capital.

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