Cidades

CASO NA ERNESTO GEISEL

Depois de recusa do recurso, Justiça vai levar policial atirador a júri popular

TJ decide seguir com julgamento de agente da PRF que matou empresário em 2017

RAFAEL RIBEIRO

10/10/2018 - 16h13
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Em despacho publicado na última segunda-feira (8), o juiz Carlos Garcete de Almeida, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, determinou o agendamento do julgamento do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima e duas tentativas de homicídio com as mesmas qualificadoras. A data ainda será definida.

De acordo com Almeirda, o atual recurso interposto por Moon não tem efeito suspensivo, ou seja, que impeça o andamento processual, uma vez que o acusado viu negado em instâncias superiores seu pedido de benefício da acusação pelo assassinato do empresário Adriano Correia do Nascimento, 31, na madrugada do dia 1º de janeiro de 2017.

Em abril deste ano, por exemplo, a 3ª Câmara Criminal de Campo Grande negou absolvição sumária ao policial. Os advogados sustentam que o réu agiu em legítima defesa, mas segundo decisão do juiz Emerson Cafure, relator do processo em substituição legal, foi mantida a acusação por homicídio qualificado por motivo fútil e que dificultou defesa da vítima.

Ainda de acordo com o despacho do magistrado Almeida, após a decisão em segunda instância manter as acusações contra Moon, ficou decidido que o processo deve retomar o seu curso regular, com a designação da sessão do tribunal do júri. 

O CASO

O crime aconteceu no cruzamento da Avenida Presidente Ernesto Geisel com a Rua 26 de Agosto, no centro de Campo Grande. Após briga de trânsito, o PRF matou o empresário a tiros, alegando que foi alvo de tentativa de homicídio, porque a vítima tentou lhe atropelar e porque segurava objetos que se assemelhavam a armas. Porém, consta nos autos que Adriano fugiu ao ser alvo de tiros do policial depois de uma fechada.

Conforme a denúncia, no dia do crime o policial se deslocava para seu trabalho, em Corumbá, quando Adriano, que estava em uma Toyota Hilux com outras duas pessoas, fez uma conversão à direita e quase colidiu no veículo do PRF. 

O acusado desceu do veículo, abordou as vítimas já na posse de sua arma de fogo, dizendo que era policial, e chamou reforço.

As vítimas chegaram a descer do carro e solicitaram que o acusado mostrasse sua identificação, visto que ele não estava fardado. Diante da recusa do policial, eles retornaram ao carro e Adriano ligou a caminhonete, iniciando manobra para desviar do veículo do acusado que estava impedindo sua passagem.

Quando iniciou o deslocamento, o policial efetuou disparos na direção deles. Após ostiros o veículo das vítimas prosseguiu por alguns metros e chocou-se num poste de iluminação.

Adriano morreu no local, outro rapaz saltou do carro e teve fraturas e o outro foi atingido por disparos, mas foi socorrido e sobreviveu.

“Ricardo, agiu por motivo fútil, pois, em decorrência de um incidente de trânsito ocorrido momentos antes dos crimes cometidos, bem como, pela suspeita que este tinha de que as vítimas pudessem estar embriagadas, em atitude desarrazoada e excessiva, posicionou seu carro à frente da camionete em que Adriano e mais duas pessoas se encontravam, apossou-se de sua arma de fogo, desceu de seu veículo e, posteriormente, efetuou disparos contra as vítimas, com o intuito de matá-las”, lê-se no processo.

Em sua defesa, Moon alegou que seguia pela Avenida Ernesto Geisel, sentido Afonso Pena para a 26 de Agosto e no cruzamento com a Rua Pimenta Bueno, teria sido “fechado” pela caminhonete conduzida por Adriano, quando então desviou para a faixa da esquerda sinalizando com uma buzina.

O PRF mencionou que o sinal do farol ficou vermelho e que se dirigiu à faixa da direita, quando, então, a vítima parou com a caminhonete atrás. Pensando tratar-se de um assalto, pois os ocupantes do veículo estavam em atitude suspeita, Moon saiu de seu automóvel, se identificou como policial, puxou a lanterna e pediu que os suspeitos mostrassem as mãos. Os ocupantes, segundo ele, estavam embriagados e alterados, tendo, inclusive, os xingado. 

O policial afirma que ligou para a Polícia Militar solicitando reforço e que as duas pessoas que acompanhavam Adriano teriam descido da caminhonete para desafiá-lo e, ao pedir para elas retornarem ao veículo, Adriano arrancou com a caminhonte para a frente, batendo nas suas pernas. Por este motivo, disparou contra as vítimas, pois não havia outra forma de agir, caso contrário seria atropelado.

Em contrapartida, a justiça entende que Moon agiu de forma que dificultou a defesa das vítimas, de forma diferente da versão apresentada por ele. “Parou seu veículo a frente da camionete com intuito de impedi-los de se locomover, bem como, esperou que entrassem na camionete, e que Adriano manobrasse e posteriormente tentasse movimentar o carro, para então posicionar-se frontalmente a Hillux, de forma a impedir-lhes a saída e direcionar os tiros nas vítimas”.

Imóvel Histórico

Após anos de abandono, casarão histórico pode ser recuperado

Imóvel tombado da antiga Noroeste do Brasil apresenta sinais de degradação e risco à segurança; Ministério Público acompanha ações para recuperação e preservação do patrimônio

29/05/2026 17h28

Foto: Divulgação

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A situação de abandono de um imóvel histórico localizado nas proximidades da Esplanada Ferroviária, em Campo Grande, levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a instaurar um procedimento administrativo para acompanhar as medidas de recuperação, preservação e conservação do bem.

A iniciativa é conduzida pela 26ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que busca garantir a proteção do patrimônio cultural e cobrar providências dos órgãos responsáveis.

O imóvel, pertencente ao antigo patrimônio ferroviário federal, foi alvo de denúncia em razão do estado de degradação da estrutura e dos riscos que representa para moradores e frequentadores da região da Feira Central.

A demanda chegou inicialmente ao Ministério Público Federal (MPF), que encaminhou o caso ao MPMS diante da necessidade de acompanhamento das medidas relacionadas à preservação do local.

Segundo o Ministério Público, a apuração teve início após a identificação de problemas estruturais e da ausência de uma destinação adequada para o imóvel, considerado parte importante da memória ferroviária sul-mato-grossense.

A partir disso, foram realizadas diligências para levantar informações sobre a situação atual do patrimônio e as ações adotadas pelos órgãos competentes.

Patrimônio tombado

De acordo com as informações reunidas pela Promotoria, a residência integra o complexo da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e possui proteção por tombamento histórico, condição que exige cuidados específicos de conservação e impede alterações que comprometam suas características originais.

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Nos últimos anos, o imóvel permaneceu ocupado irregularmente, circunstância que dificultou a realização de serviços de manutenção e contribuiu para o agravamento do processo de deterioração da estrutura.

Para acompanhar o caso, o MPMS requisitou informações ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela gestão do bem, e à Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), buscando esclarecimentos sobre as providências adotadas e os projetos previstos para o local.

Projeto de revitalização

Após a desocupação do imóvel, o Iphan informou ter realizado medidas iniciais de proteção, incluindo limpeza, fiscalização e ações preventivas para evitar novas invasões.

O órgão também iniciou tratativas para a implantação de uma Casa do Patrimônio, projeto que prevê a utilização do espaço para atividades voltadas à preservação da memória e à valorização cultural da região.

Entretanto, o andamento da iniciativa foi interrompido em razão de questões administrativas relacionadas à legislação estadual, o que fez com que o processo permanecesse em análise pelos órgãos envolvidos.

Acompanhamento contínuo

Com a instauração do procedimento administrativo, o Ministério Público passará a monitorar continuamente as medidas adotadas para a recuperação do imóvel.

O acompanhamento poderá incluir reuniões com representantes dos órgãos responsáveis, solicitações de informações complementares e outras diligências consideradas necessárias para assegurar a efetiva preservação do patrimônio histórico.

A atuação da Promotoria busca garantir que o imóvel receba a destinação adequada e que sua relevância histórica para Campo Grande seja preservada, evitando a perda de um dos remanescentes da antiga estrutura ferroviária que marcou o desenvolvimento da Capital e de Mato Grosso do Sul.

novo titular

Após dois meses sem comando, prefeitura nomeia novo secretário de obras

André de Moura Brandão, que até então era titular da Secretario Especial de Licitação e Contratos, assumirá o comando da Pasta

29/05/2026 17h21

André de Moura Brandão será novo secretário especial de Licitação e Contratos

André de Moura Brandão será novo secretário especial de Licitação e Contratos Foto: Divulgação

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Quase dois meses após a exoneração de Marcelo Miglioli da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), escolheu um novo nome para comandar a Pasta. André de Moura Brandão, que até então ocupava o cargo de secretário especial de Licitação e Contratos, assumirá a Sisep.

A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Município (Diogrande) desta sexta-feira (29).

Paulo Eduardo Cançado Soares, que chegou a ser cotado para o cargo de secretário, permanecerá como secretário adjunto da secretária.

Já no secretária de Licitações, quem assume é a advogada Gracieth Abrahão Costa Santos, que já atuava na Pasta, na função de chefe da assessoria jurídica. Ela tem mais de 25 anos de experiência jurídica na Administração Pública, com atuação consolidada em Direito Público, licitações e contratos administrativos.  

Todas as nomeações têm efeito a partir do dia 1º de junho.

Conforme apurou o Correio do Estado, as escolhas foram feitas com objetivo de mexer o menos possível nas secretarias, além de levar em conta o currículo e experiência dos profissionais.

André de Moura Brandão é graduado em contabilidade e em administração de empresas. Natural de Dourados, foi vereador em Itaporã entre 2013 e 2016, onde presidiu Comissões de Constituição, Justiça e Redação Final e a de Finanças e Orçamentos, além de ter atuado como Corregedor da Câmara Municipal por dois anos.

Na Prefeitura de Campo Grande, atuou como Superintendente do Sistema de Registro de Preços entre 2018 e 2023, assumindon o cargo de secretário-executivo de Compras Governamentais de 2023 a 2024.

Após esse período, assumiu a secretaria especial de Licitações e Contratos e, segundo o Executivo Municipal, participou efetivamente no âmbito municipal da implantação da Nova Lei de Licitações e Contratos (14.133/2021).

Sem titular desde março

A Sisep estava sem um titular desde o fim de março, quando o então secretário Marcelo Miglioli deixou o cargo para se concentrar nas eleições deste ano.

Na ocasião, a prefeita disse que não havia pressa para nomear alguém pois, segundo ela, o secretário-adjunto, Paulo Eduardo Cançado Soares, estava tocando a Pasta até a definição do novo secretário.

A publicação da exoneração a pedido de Marcelo Miglioli saiu no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) do dia 1º deste mês, com data de assinatura para o dia 31 de março.

Segundo informações de fontes do Correio do Estado, a não efetivação de Soares como secretário seria por opção da prefeita, que prefere outros nomes.

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