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PANTANAL EM CHAMAS

Decreto de emergência engloba 9 cidades e durará 180 dias

Texto do governador Azambuja foi publicado hoje

12 SET 19 - 10h:29RAFAEL RIBEIRO

O governador Reinaldo Azamuja (PSDB) publicou na edição desta quinta-feira (12) do Diário Oficial do Estado o decreto que impõe situação de emergência em Mato Grosso do Sul por conta das queimadas que assolam a àrea sul-mato-grossense do Pantanal. Ao todo, nove cidades foram englobadas no texto: Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Corumbá, Ladário, Bonito, Miranda, Porto Murtinho e Bodoquena.

Ainda de acordo com o texto, a situação de emergência vigorará pelo período de 180 dias e autoriza a mobilização de todos os órgãos da estrutura administrativa do Governo do Estado, sob a coordenação da Cedec/MS (Coordenadoria Estadual de Defesa Civil) nas ações de resposta ao desastre, reabilitação e reconstrução do cenário afetado pelas queimadas.

O decreto também autoriza a convocação de voluntários para reforçar estas ações e para a realização de campanhas de arrecadação de recursos perante a comunidade, com o objetivo de facilitar o atendimento à população afetada.

Segundo o Governo do Estado, a medida visa garantir recursos e apoio do Governo federal para garantir uma resposta urgente ao controle dos incêndios florestais em áreas legalmente e ilegalmente preservadas, com base nos indicadores estatísticos do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Uma estimativa do órgão aponta a queima de 1 milhão de hectares entre os meses de agosto e setembro, a maioria no Pantanal e Serra da Bodoquena.

O decreto também considera o mês de setembro como o mais crítico para a ocorrência de incêndios florestais, devido a prolongada estiagem, a baixa umidade do ar e alertas de ondas de calor para o Estado com alto risco à população, e o aumento expressivo de atendimentos nas unidades básicas de saúde, por causa das doenças relacionadas à qualidade do ar, havendo registro de incidência pacientes com problemas respiratórios.

AJUDA

De acordo com o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, o pedido de aeronaves e equipamento do Exército Brasileiro foi feito hoje às 7h ao Ministério da Integração Regional . "Fizemos o pedido de apoio de aeronaves para incêndios em proporções maiores, e que também a gente tenha o apoio do Exercito, não é usar o soldado para combater, mas principalmente o equipamento que eles tem, há uma disponibilidade de helicóptero, e pra isso precisamos decretar estado de emergência e pedir autorização do Governo Federal. A ideia é que a gente aumente o numero de pessoas atuando ao combate de incêndio e alertando a população que precisamos diminuir o número de focos, é uma questão fundamental, para que no curto espaço de tempo a gente domine o fogo e não tanto impacto na saúde, meio-ambiente, fauna, flora e na economia", disse.

Desde janeiro até agosto, foram registrados 5.126 ocorrências de incêndio no Estado, sendo delas, 2.913 só na Capital, e para intensificar o combate aos focos de incêndio, o Corpo de Bombeiros modificou a escala do efetivo e mais de 50 militares estão distribuidos em equipes especializadas para conter os focos de incêndio.

Ao todo, são 200 profissionais que atuam em ocorrências do cotidiano e desde julho deste ano, conforme o Chefe do Estado Maior Geral, coronel Edison Zanlucas, o efetivo está trabalhando dobrado nas ocorrências. "O reforço já está ocorrendo desde julho, nós já fizemos uma escala de guarnições de combate ao incêndio florestal específica, a gente se antecipou em relação a esse reforço, é uma escala extra que nós executamos para todos os militares que normalmente estariam na folga", disse. 

Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Maurício Sato, os impactos na agricultura do estado estão voltados mais as ondas de calor. "O impacto imediato que nós temos está menos vinculado ao fogo e mais vinculado a falta de chuva, nós temos automaticamente com essa baixa umidade do ar, uma demora maior  para a implantação da nossa safra de soja que a partir do dia 15 de setembro já estaria permitida, essa falta de umidade leva essa condição que nós teriamos de aproveitar melhor o período de plantio e automaticamente leva a condição da nossa safrinha de 2020 fora do nosso período de plantação", explicou. 

De acordo com a especialista em meteorologia do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec) Franciane Rodrigues, nos próximos dias há expectativa de chuva é abaixo da média esperada nas regiões sudoeste e sul do estado. Para outubro a previsão é do mesmo cenário com pouca chuvas. A esperança só está em novembro quando deverá chover de forma regular. "A massa de ar seco segue atuando em todo o Estado isso faz com que as condições meteorológicas não sejam favoráveis ao longo de setembro e também expectativa muito baixa em outubro. As chuvas em setembro devem ficar abaixo da média e também outubro expectativa abaixo da média, então todo esse período é bastante crítico e requer bastante atenção em relação a essa massa de ar seco que deve continuar por pelo menos setembro e outubro", explicou. 

Autoridades ambientais do Estado durante reunião emergecial em que ficou definido o decreto (Valdenir Rezende/Correio do Estado)

FORA DO CONTROLE

Relatório da Sala de Situação Integrada, divulgado nesta terça-feira (10) pela Coordenadoria de Defesa Civil de Mato Grosso do Sul (Cedec/MS), aponta que mais de 1 milhão de hectares de vegetação foi destruída pelas queimadas no Estado, no período de 1º de agosto a nove de setembro deste ano. Os focos de calor continuam intensos, devido a prolongada estiagem, com maior concentração no Pantanal e na Serra da Bodoquena.

Sem previsão de chuvas para os próximos 15 dias, a Cedec/MS lançou um alerta de onda de calor para todo o Estado e avalia a recomendação de situação de emergência em algumas regiões, cuja medida, decretada pelo município, poderá garantir ajuda financeira do governo federal para combate aos incêndios florestais. O coordenador da Cedec, tenente-coronel Fábio Catarinelli, informou que uma situação de emergência pode ter o apoio de aeronaves.

O volume de área acumulada queimada pelo fogo nos últimos 40 dias foi divulgado pelo Ibama (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que coordenada o Programa PrevFogo, por meio de um gráfico de estimativa, totalizando 1.027.041,20 hectares. No período, foram registrados 3.304 focos, sendo a maioria no Pantanal, entre os municípios de Corumbá e Porto Murtinho. Nas últimas 48 horas, foram 397 focos nesta região.

“A Sala de Situação continua monitorando todo o Estado, atualizando dados e atuando em alerta permanente com os demais órgãos envolvidos e os municípios, com emprego e remanejando de equipes do Corpo de Bombeiros em apoio ao PrevFogo”, informou Catarinelli.

FOGO EM ALDEIAS INDÍGENAS

A Sala de Situação Integrada, da qual participam vários órgãos de segurança e ambientais, dentre os quais a Semagro (secretaria estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) volta a se reunir na próxima sexta-feira (13). O último boletim divulgado reforça o alerta de onda de calor, com previsão de temperatura 5% acima da média para esta semana na maioria dos municípios.

As ações de combate das brigadas do PrevFogo, com o apoio do Corpo de Bombeiros, se concentram nas aldeias São João e Alves de Barros, na Reserva Indígena Kadiwéu (Serra da Bodoquena), com 30 homens, e no Porto Morrinho, Passo do Lontra, margens da BR-262 e Estrada-Parque (Corumbá), também com 30 brigadistas. Com o apoio de uma equipe de Brasília, as brigadas indígenas de Aquidauana atuam em incêndios nas aldeias Limão Verde, Ipegue eTaunay.

 

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