Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Coronavírus: Governo dispensa licitação e vai comprar ventilador pulmonar por R$ 680 mil

Secretaria vai criar mais 227 leitos nos próximos dez dias

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A Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul dispensou a necessidade de licitação e vai comprar por R$ 680 mil ventilador pulmonar para atender pacientes com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O ato foi publicado em edição extra do Diário Oficial Eletrônico (DOE) nesta segunda-feira (23).

Essa medida vem na esteira dos esforços do governo para ampliar a rede de atendimento em meio à pandemia, conforme noticiou o Correio do Estado na edição de hoje. Conforme levantamento da SES e do Ministério Público do Estado (MPMS), atualmente são 513 leitos de unidade de tratamento intensivo em Mato Grosso do Sul. Nos próximos dez dias, mais 227 serão abertos.

Uma parcela dos 227 novos leitos de UTI será adaptada dos 5.596 leitos que Mato Grosso do Sul têm na atualidade, conforme dados do DataSus. Deste total, 2.220 estão em Campo Grande. Mais da metade dos leitos da Capital (1.317) pertence à rede pública.

O Ministério da Saúde projeta que o volume de pessoas contagiadas chegue a 22 mil pessoas nos próximos dez dias no Estado. Como uma média de 5% dos infectados com a Covid-19 precisam de internação intensiva, se todos precisarem de leitos de UTI, seriam necessários 1,1 mil para atender a demanda.  

O aumento de leitos de UTI nos hospitais de Mato Grosso do Sul seria o plano A no combate aos danos causados pelo novo coronavírus. O plano B, conforme o Correio do Estado apurou, também seria a ampliação dos hospitais de campanha das Forças Armadas.  

Se ainda assim a demanda por atendimento continuar alta, as autoridades de saúde de Campo Grande têm dois locais à disposição para receber os pacientes. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) já ofereceu o Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, para transformar suas instalações em hospital. A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) também disponibilizou as instalações do Centro de Convenções Albano Franco, no Bairro Carandá Bosque.

BOLETIM

Nas últimas 24 horas, o Estado não confirmou nenhum novo caso de Covid-19, mantendo em 21 o número de confirmações.  

Por outro lado, o número de casos suspeitos aumentou 40%, passando de 50 registrados até domingo (22) para 70 hoje. Outras oito notificações foram descartadas, por apresentarem a presença de outro agente etiológico que não seria o novo coronavírus.

Desses 70 casos, foram registradas 48 suspeitas em Campo Grande; duas nas cidades de Anastácio, Corumbá, Dourados, Naviraí, São Gabriel do Oeste e Sete Quedas; e um em Aquidauana, Bandeirantes, Iguatemi, Jardim, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Paranaíba, Ponta Porã, Ribas do Rio Pardo e Rio Brilhante.

Dos 21 casos confirmados, 19 são da Capital, um em Ponta Porã e outro em Sidrolândia. Até agora, as autoridades de saúde notificaram 300 casos em todo o Estado.

INFRAESTRUTURA

Em meio a CPI, prefeitura promete intensificar o tapa-buracos

Apoiada por 24 dos 29 vereadores, investigação parlamentar quer apurar se houve irregularidades em contratos do serviço, que agora é feito por uma única empresa nas sete regiões de Campo Grande

20/10/2026 08h15

Rua do Bairro Guanandi está esburacada e moradores reclamam que situação perdura por meses

Rua do Bairro Guanandi está esburacada e moradores reclamam que situação perdura por meses Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande prometeu intensificar o serviço de tapa-buraco nas sete regiões da cidade poucos dias depois da Câmara Municipal anunciar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução do serviço na Capital. Desde julho, esta operação está sob responsabilidade de uma única empresa depois de escândalos de corrupção envolvendo o grupo anterior.

Diante das intensas chuvas que atingiram a cidade em setembro e neste mês, os buracos seguem surgindo aos montes em boa parte dos bairros da Capital. Porém, com a pequena trégua da chuva nos últimos dias e nos próximos, o Município deseja intensificar o serviço de tapa-buraco nos trechos mais prejudicados.

Pouco depois do grande volume de chuva que pairou sobre Campo Grande na quinta-feira e sexta-feira passada, a prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou que o serviço se manteria sob funcionamento aos sábados, com a previsão de aplicar cerca de 200 toneladas de massa asfáltica somente ao longo do sábado.

“Estamos ampliando os serviços de tapa-buracos, com mais equipes nas ruas, inclusive aos sábados nas sete regiões da Capital, para melhorar as condições das vias e garantir mais segurança para quem circula por Campo Grande diariamente”, afirmou.

Vale lembrar que, em maio, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou a Operação Buraco Sem Fim, com o objetivo de investigar um esquema de fraudes e desvios de recursos públicos em contratos de tapa-buracos em Campo Grande. Com isso, líderes da Construtora Rial (atual Força Engenharia) foram presos e os quatro contratos com o Município rescindidos.

No lugar, a empresa RR Barros Serviços e Construções Ltda., que já era responsável pelo serviço no Centro e nas Regiões Prosa e Lagoa, herdou os contratos da envolvida no escândalo e passou a comandar o tapa-buraco em todas as sete regiões da Capital, a fim de “garantir a continuidade dos serviços essenciais de manutenção urbana em regiões que ficaram sem cobertura contratual”.

Na época, a prefeitura ainda afirmou que os contratos não seriam um novo acordo, apenas a extensão dos celebrados com a antiga Construtora Rial, com duração de seis meses, conforme a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O Correio do Estado voltou a contatar a Pasta nesta semana para obter mais informações sobre a atual situação do tapa-buraco na cidade e os planos do Município para a prestação do serviço nos próximos dias. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

CPI

Proposto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), o requerimento para a instauração de uma CPI para investigar os contratos de tapa-buraco em Campo Grande teve a assinatura dos 29 vereadores da Câmara Municipal para abertura da investigação.

O requerimento estabelece como fatos determinados da investigação a ausência de ações e respostas do Executivo diante das reclamações da população, os prejuízos causados pela falta de manutenção adequada, a redução dos investimentos, os casos de possíveis irregularidades e a ausência de resposta ao requerimento aprovado pelo plenário.

Um dado apresentado no requerimento é que, das 24.673 indicações encaminhadas pela Câmara ao Executivo no primeiro semestre, quase 9 mil foram destinadas à realização de serviços de tapa-buraco em diferentes regiões de Campo Grande.

Outro ponto destacado no documento é a redução da dotação destinada ao projeto de Modernização e Requalificação das Vias Urbanas, cujos investimentos previstos passaram de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões este ano, uma redução de quase 70%.

O requerimento também aponta que o MPMS investiga ações relacionadas ao serviço de tapa-buraco em Campo Grande e cita a Operação Buraco Sem Fim. Por fim, é mencionado o acompanhamento do tema pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

O requerimento será encaminhado à Procuradoria da Câmara, que avaliará os aspectos regimentais, legais e constitucionais do documento. Depois dessa análise, estão previstas a formalização e a publicação dos atos necessários, seguidas da definição da presidência, da relatoria e dos demais integrantes da comissão, respeitando a proporcionalidade dos partidos.

RELATOS

Rafael Silva, de 28 anos, trabalha em uma distribuidora de frios no Bairro Vila Piratininga há cerca de dois anos. Nos últimos meses, ele relata que a situação dos buracos próximos ao seu emprego tem piorado, principalmente por causa das fortes chuvas que passaram dos 400 milímetros nos últimos 45 dias.

“Mais buracos estão surgindo, tem buraco que quase ocupa a rua inteira. Você escolhe qual que você vai cair. Está bem complicado, quase intransitável, o bairro inteiro está só buraco. E quando chove complica ainda mais”, disse à reportagem.

Ele ainda revela que, em razão dos buracos, precisou gastar mais de R$ 3,5 mil para consertar a suspensão do carro, que tem justamente a função principal de absorver impactos do solo, manter as rodas em contato com o pavimento e garantir estabilidade e segurança. 

Moradora do Bairro Vila Jacy há mais de duas décadas, Edenia Maria, de 55 anos, também relatou o aumento significativo no número de buracos na região, porém, disse ter visto as equipes da prefeitura uma vez na região para tapar as “crateras”. 

“Está horrível. Não tem nem como caminhar mais. Eles [equipes] vieram aqui, um pedacinho só, cavaram, deixaram um mês, o pessoal caindo, estragando o carro, furando pneu, depois eles voltaram, taparam só um buraco e não voltaram mais”, comentou.

Meio ambiente

Siderúrgica no Pantanal pode ter mentido para o Imasul para esconder poluição

Siderúrgica culpou as chuvas para esconder falta de monitoramento, mas laudo fiscal desmentiu a versão e apontou riscos

20/10/2026 06h20

Siderúrgica em Aquidauana não tem todas as licenças de operação

Siderúrgica em Aquidauana não tem todas as licenças de operação Divulgação

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A Simasul, siderúrgica que opera há quase 9 meses sem a documentação devida para a produção de ferro-gusa, no município de Aquidauana, cidade sul-mato-grossense localizada no bioma Pantanal, informou ao Imasul que ficou 2 anos e meio sem monitorar os gases e resíduos das chaminés de um de seus fornos, por causa do excesso de chuvas. Ocorre que um laudo do próprio Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para o qual as justificativas foram dadas, mostra que as chuvas alegadas não foram comprovadas. 

O Correio do Estado apurou que o monitoramento de todas as fontes de emissão do empreendimento é condicionante da licença de operação do único forno da siderúrgica que está em situação regular: o alto-forno 2 (AF2). 

O laudo de constatação LC031187/2026, lavrado pelo próprio Imasul, documenta que as seguintes fontes nunca foram monitoradas no período exigido: chaminé do AF2, quatro unidades de glendons, filtros manga, pontos de manuseio de carvão e minério, correias transportadoras e flare. Apenas quatro pontos foram coletados em dois anos e meio de operação — dado que o próprio órgão considerou insuficiente para embasar o Estudo de Dispersão Atmosférica (EDA), apurou o Correio do Estado. 

Em reportagem publicada no dia 13 de outubro, o Correio do Estado mostrou que a Simasul poderia estar poluindo o Pantanal com o aval do Imasul. O outro forno da siderúrgica, o AF1, não tem licença de operação. Ele conta apenas com uma licença provisória, para comissionamento.

Culpa da chuva?

A tentativa de culpar o clima pelo “apagão” de dados no Alto-Forno 2 ruiu após uma checagem técnica do próprio Imasul. Um fiscal ambiental confrontou a alegação da Simasul — de que tempestades teriam impedido as medições de fumaça em fevereiro de 2024 — com os relatórios meteorológicos oficiais. O resultado foi conclusivo: choveu em apenas 11 dias daquele mês. Nos outros 18 dias de tempo seco, os testes poderiam ter sido feitos normalmente. 

Na mesma inspeção, os fiscais descobriram duas estruturas clandestinas operando sem licença no complexo industrial: uma oficina mecânica e uma usina de oxigênio. A sequência de irregularidades no AF2 rendeu à empresa o Auto de Infração AI024880/2026, acompanhado de uma multa de R$ 120 mil.

Dar justificativas falsas ao órgão ambiental para esconder a falta de controle sobre a poluição não é apenas uma infração administrativa; é crime. O artigo 69-A da Lei Federal de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) pune expressamente quem presta informações enganosas ou falsas a autoridades ambientais, prevendo pena de três a seis anos de prisão para os administradores e técnicos responsáveis.

O descumprimento das regras no Alto-Forno 2 acabou gerando um efeito dominó que travou toda a fábrica. Para obter uma Licença de Operação definitiva para o Alto-Forno 1 — ou uma autorização conjunta para rodar os dois fornos —, a lei exige a entrega de um Estudo de Dispersão Atmosférica. Trata-se de um modelo computadorizado que calcula como a fumaça e os poluentes se espalham pela cidade. 

No entanto, como a Simasul passou dois anos e meio sem medir as emissões do AF2, não existiam dados de amostragem confiáveis para alimentar esse estudo. O relatório foi rejeitado três vezes pelo Imasul por falta de consistência técnica, criando um impasse: sem dados do AF2, o AF1 não podia receber sua licença definitiva.

Comissionamento

Foi para driblar essa trava legal que a empresa recorreu ao atalho do “comissionamento provisório”. Em vez de paralisação ou de uma regularização formal, a direção da Simasul pediu ao Imasul permissão para rodar o Alto-Forno 1 sob o pretexto de realizar testes e ajustes técnicos. O pedido foi aceito em 13 de março de 2026 pelo diretor-presidente do órgão, André Borges Barros de Araújo, que liberou 120 dias de testes. Em julho, às vésperas do vencimento, a siderúrgica pediu mais quatro meses de prorrogação, estendendo o período probatório para quase nove meses ininterruptos.

O Correio do Estado procurou novamente o Imasul e a siderúrgica Simasul. Não teve respostas até a publicação da reportagem. O espaço continua aberto. 

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