Cidades

SEM INVESTIR

Impasse entre prefeitura
e consórcio chega ao Judiciário

Contrato com a Prefeitura é válido até 2032

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O Consórcio Guaicurus ingressou com uma ação de produção de provas na justiça contra a exigência da prefeitura de renovação da frota de veículos do transporte coletivo de Campo Grande. No dia 30 de abril, a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) deu prazo de 15 dias para a concessionária comprar ônibus novos, sob pena de multa de R$ 2,7 milhões.

O grupo, que tem contrato com a prefeitura até 2032, alega não ter condições de fazer a compra e solicita a realização de uma perícia para comprovar que enfrenta dificuldades econômicas.

Em pedido de antecipação de prova, submetido a Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos de Campo Grande, a empresa afirma que está atuando “no limite de suas forças, especialmente econômicas, enfrentando inúmeras dificuldades, oriundas especialmente de desajustes/fatos novos ocorridos após o contrato/não implementações de obrigações decorrentes da licitação pública/concorrência predatória “.

Pelos documentos apresentados, o grupo alcançou receita bruta de R$ 171, 3 milhões, em 2018, sendo que o lucro líquido do exercício foi de R$ 11,1 milhões.

A empresa aponta ainda que “constatado quadro de real desajuste contratual, que pode levar ao colapso do sistema de transporte público, a exemplo do que já ocorre em várias cidades pelo Brasil afora (quanto  à redução da oferta de transporte, fechamento de empresas ou rescisão de contratos de concessão)”, e explica ainda, que o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão é o que torna as empresas do setor viáveis para continuarem a  empreender e oferecer o serviço.

FROTA

Na ação, o Consórcio apresenta como anexo o contrato firmado com a prefeitura, além de ofícios encaminhados à Agereg e um relatório onde explica a necessidade de reequilíbrio do contrato.

O relatório aponta que, caso a idade média da frota seja mantida em no máximo cinco anos (conforme descrito no contrato), em 2019, a empresa deveria investir R$ 16.654.150,80 na compra de 63 veículos. Para 2020, a previsão é de aquisição de 70 ônibus.

O Consórcio, por outro lado, solicita que a idade média da frota seja alterada para sete anos, o que reduziria o investimento para R$ 8,8 milhões neste ano, além do número de ônibus a serem comprados, 37.

Para justificar o pedido de redução da média de idade da frota, empresa volta a enfatizar que perdeu passageiros pagantes, atribuindo as perdas ao adventos dos aplicativos de transporte e a falta de estrutura física para circular como, por exemplo, corredores exclusivos. Segundo  o relatório,  a empresa tinha 48.660 passageiros em 2017 e 46.224, em 2018, um recuo de 578 passageiros, que resultou numa perda de R$ 2,2 milhões para empresa.

A empresa diz ainda que com a ação, “busca apontar, com precisão técnica, elementos concretos que possibilitem um melhor e atualizado ajuste da situação toda, visando concretizar princípio constitucional fundamental de todo e qualquer contrato administrativo, no caso o da “intangibilidade da equação econômico-financeira, sem descurar do interesse público”.

Ontem, o prefeito Marcos Trad (PSD) disse que enquanto não sai a renovação da frota, haverá uma série de fiscalizações. “Nós vamos fazer eles cumprirem o contrato em todos os seus sentimentos, termos e obrigações”. Sobre o contrato, o Trad disse que cabe ao consórcio pedir a revisão ou reequilíbrio do convênio. 

FORAGIDO

Homem morre em confronto com PMs em bairro de Campo Grande

No momento em que foi atendido pelos policiais, o indivíduo ainda apresentava sinais vitais. Ele foi encaminhado à UPA Santa Mônica, mas morreu durante a madrugada

09/07/2026 08h30

Polícia Militar

Polícia Militar Divulgação

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Um homem, identificado como Fernando Ferraz Fernandes, morreu em confronto com policiais militares da 5ª Companhia Independente da PM (CIPM), no bairro Jardim Sayonara, na madrugada desta quinta-feira (9). O rapaz de 35 anos era foragido da Justiça.

A equipe da 5ª CIPM realizava patrulhamento pela região do Bairro Jardim Sayonara, quando foi abordada por um indivíduo, o qual informou que, na rotatória do Sayonara, localizada no cruzamento da Avenida Júlio de Castilho com a Rua Teófilo Otoni, ocorria uma briga entre usuários de drogas.

Diante da informação, a equipe deslocou-se imediatamente ao local, ocasião em que, ao se aproximar, visualizou diversos indivíduos dispersando-se em direções distintas. Chamou a atenção dos policiais um homem que conduzia uma bicicleta de cor preta e que, ao perceber a aproximação policial, fugiu em alta velocidade pela Rua Teófilo Otoni.

Os policiais o perseguiram, porém perderam o indivíduo de vista nas proximidades do cruzamento com a Avenida Duque de Caxias. Em seguida, foram realizadas varreduras pelas imediações, mas, naquele momento, não localizaram o suspeito.

Posteriormente, enquanto a equipe permanecia em ponto-base na Avenida Duque de Caxias, foi percebido um ruído proveniente de um terreno baldio, sem edificação. Diante da suspeita de que o indivíduo pudesse estar escondido no local, a equipe entrou no terreno e localizou Fernando Ferraz.

Foi então dada ordem de abordagem, a qual não foi acatada pelo indivíduo. Em ato contínuo, o autor sacou uma arma de fogo e a apontou na direção da equipe policial. Diante da situação, os policiais atiraram contra o homem.

De acordo com o boletim de ocorrência, no momento em que foi atendido pelos policiais, o indivíduo ainda apresentava sinais vitais. Ele foi encaminhado à UPA Santa Mônica, mas morreu durante a madrugada.

Os policias apreenderam uma bicicleta,  uma mochila, contendo dez papelotes de cocaína, totalizando 3,1 g e uma arma de fogo, calibre .22, municiada com uma munição intacta, utilizada pelo autor durante a ação. O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário da Cepol.

investimento

Sete anos depois de obras do Reviva, Rua 14 de Julho continua "morrendo"

Reportagem contou 23 espaços fechados disponíveis para locação ou compra na principal via do centro de Campo Grande

09/07/2026 08h00

Rua 14 de Julho tem sequência de comércios fechados, mesmo após revitalização que prometia levar mais consumidores à região

Rua 14 de Julho tem sequência de comércios fechados, mesmo após revitalização que prometia levar mais consumidores à região Foto: Gerson Oliveira

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Mesmo depois do projeto Reviva Centro, que prometeu a revitalização da região mais movimentada de Campo Grande para atrair os empresários e a população, a Rua 14 de Julho segue abandonada pelos comerciantes, com número de empreendimentos fechados semelhante ao de sete anos atrás, durante as obras.

Na tarde de ontem, a reportagem do Correio do Estado foi às ruas para contabilizar quantos espaços estão disponíveis para locação ou venda na Rua 14 de Julho.

Ao todo, foram encontrados 23 estruturas sem funcionamento entre as Ruas 7 de Setembro e Maracaju, o que deixa explícito o insucesso da revitalização para os comerciantes.

Para efeito de comparação, durante as obras de revitalização, entre maio e junho de 2018, estavam fechados 25 imóveis na Rua 14 de Julho, segundo levantamento realizado pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG). 

Vale lembrar que, naquela época, por causa da reforma, trechos da região ficaram interditados para veículos, o que dificultava o acesso ao Centro para pessoas que moravam longe e levou muitos estabelecimentos a fecharem pela diminuição do movimento, situação que piorou pouco tempo depois, em razão da pandemia de Covid-19.

Rua 14 de Julho tem sequência de comércios fechados, mesmo após revitalização que prometia levar mais consumidores à regiãoPrédio onde funcionou a Americanas está entre os locais fechados - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Em entrevista à reportagem, o arquiteto e urbanista Ângelo Arruda disse que o levantamento feito pelo Correio do Estado revela que o plano de revitalização não deu certo, o que ele diz ser efeito do aumento do e-commerce (compra e venda de bens ou serviços pela internet) e da pouca diversificação no tipo de comércios, já que cerca de 8 em cada 10 espaços são destinados a varejistas de vestuário.

“O e-commerce me joga na logística de eu ter o produto muito perto para eu entregar. A lógica da venda comercial no Brasil alterou profundamente as relações de comércio das áreas centrais. Ainda, 80% são atividades econômicas de roupas e calçados. Não tem padaria, supermercado, lanchonete ou barzinho, ou seja, ela é essencialmente do comércio varejista de três ou quatro produtos. Sem a mistura de atividades econômicas, você vai enterrar todo mundo junto”, analisa o arquiteto.

Arruda também cita a criação de subcentros espalhados por Campo Grande, que são polos secundários de comércio, serviços e empregos que se formam fora do Centro.

Como exemplo, o arquiteto menciona a evolução do Bairro Nova Lima, que saiu da fama de uma região “favelada” para uma área urbana com comércio forte e expansão imobiliária.

Uma das ideias dadas pelo especialista para que o centro da Capital voltasse a ter um movimento que representasse maiores ações comerciais foi tirar a prefeitura da Avenida Afonso Pena e a transferir para a Galeria São José, que também está localizada na Rua 14 de Julho e tem poucas lojas funcionando. No entanto, foi um plano recusado pela administração municipal à época.

RELATO

Próximas de um espaço fechado perto do cruzamento da Rua 14 de Julho com a Rua Maracaju, as empresárias Jussara Cintra e Carol Ramos, que são mãe e filha, trabalham juntas em um empreendimento de roupas infantis desde 2021.

Em conversa com a reportagem, elas revelam que a insegurança e a falta de higiene na região influenciam muito para um comerciante decidir apostar no lugar como investimento.

“Esses imóveis estarem vazios talvez não seja pelo valor, mas sim a baderna, a loucura e a sujeira que virou isso aqui. É estrangulante o que a gente faz. É triste demais. A gente tem que limpar vômitos, fezes, urina. É podre. A gente gasta com água, com produtos de limpeza. É uma loucura”, conta Jussara.

“Tem a questão da segurança, porque as abordagens são frequentes. Agora mesmo a gente estava sem água porque mexeram no nosso registro. Esses postos de energia que fizeram depois da reforma da rua, a gente teve que trancar para não roubarem. A onda de roubo de fios de cobre prejudicou, nós mesmos fomos vítimas disso”, complementa Carol.

As duas também afirmara que o sucesso da vida noturna na região desde 2023, com a abertura de bares na Rua 14 de Julho, que cresceu significativamente, especialmente perto da Rua Maracaju, também teria prejudicado os comerciantes casuais, como varejistas e donos de restaurantes.

“Essa mistura de bar com comércio também prejudica um pouco, o local se tornou uma rinha. Os donos de bar estão no direito deles também, porque eles são comerciantes, eles são proprietários. Só que eu acho que são coisas que não se misturam. O comerciante só é lesado”, desabafa Carol Ramos.

* Saiba 

A revitalização da Rua 14 de Julho fez parte do programa Reviva Centro e foi custeada com recursos do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID).

Ao todo, foram gastos R$ 60 milhões para instalação de fiação subterrânea e mobiliário urbano. A rua ficou mais estreita e as calçadas mais largas.

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