Cidades

OPERAÇÃO

Com avanço do crime, medo toma conta
em municípios da fronteira

Execuções à luz do dia trazem sensação de insegurança a moradores, que mudam até rotina

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O avanço da criminalidade na fronteira com o Paraguai preocupa prefeitos sul-mato-grossenses. Apesar da operação por tempo indeterminado deflagrada em Ponta Porã pela Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio de unidades especializadas da Polícia Militar e da Polícia Civil, municípios vizinhos não estão livres da violência.

No dia 30 de janeiro, por exemplo, o pistoleiro brasileiro identificado como Antônio Adelir Bittencour foi executado na avenida principal de Paranhos, com tiros de pistolas calibres 45 e 40. Ele era sogro do chefe do tráfico Diego Zacaria Alderete Peralta, filho de outro criminoso, Zacarias Peralta. A ação é reflexo da disputa entre facções rivais pelo domínio do tráfico.

O prefeito da cidade vizinha Tacuru, Carlos Alberto Pelegrini, disse que, embora fora da fronteira seca, a situação não é confortável. “A gente não tem fronteira seca com o Paraguai, mas estamos perto de Sete Quedas e Paranhos, que fazem fronteira seca. Queira ou não, tais ações nos trazem preocupação”, disse ele, destacando que a população fica insegura, apesar dos momentos de “paz”. “É assim, às vezes vivemos momentos de violência e, às vezes, está tranquilo”.

Por sua vez, a prefeita Maricleide Marques, de Antônio João, chegou a mudar algumas rotinas para evitar violência. “Eu particularmente não viajo à noite para lá [Ponta Porã], por causa dos crimes”, disse ela, ressaltando que a população também se sente insegura. “Muitos munícipes procuram atendimento de saúde em Ponta Porã e fazem compras lá. São nossos vizinhos, parceiros, mas a gente sabe que a criminalidade traz insegurança”.

Em Aral Moreira, que faz fronteira com a zona rural do Paraguai, o prefeito Alexandrino Garcia disse que, apesar de ser rota do tráfico, a cidade é tranquila. Mesmo assim, há preocupação. “Temos conversado com o governo do Estado, pedindo aparelhamento da Polícia Militar e da Polícia Civil. Também pedimos construção de um novo destacamento militar”, afirmou.

Ele reconhece o trabalho realizado pelas forças de segurança, a exemplo do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), mas garante que o local não está imune. “Somos corredor [do tráfico] e aqui já aconteceram casos graves, como explosão de banco. Houve ataque contra policiais que foram rendidos pelos criminosos”.

A Sejusp realiza desde o dia 18 de janeiro a Operação Fronteira em Alerta, em Ponta Porã, após série de ataques do crime organizado em solo paraguaio. O objetivo é aumentar a sensação de segurança e coibir ações em Mato Grosso do Sul. Participam policiais civis e militares, além do helicóptero Harpia 01 – que na semana passada ajudou a localizar uma plantação de maconha no país vizinho – e de unidades como o Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Especiais, DOF e Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

mudança de rumo

Traficantes bolivianos agora priorizam maconha, revela operação do Exército

Historicamente o narcotráfico boliviano se dedicava à produção e comércio de cocaína enquanto que a maconha era exclusividade de quadrilhas paraguaias

28/08/2026 11h56

Integrantes do Exército fazem vistoria em veículos que saem de Corumbá e da Bolívia em direção à região central do Estado

Integrantes do Exército fazem vistoria em veículos que saem de Corumbá e da Bolívia em direção à região central do Estado

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Com cerca de 30 homens e mulheres dia e noite na fiscalização de carros de passeio, ônibus e caminhões na BR-262, em Corumbá, o Exército causou um prejuízo estimado de R$ 920 mil ao crime organizado desde o começo de julho até agora somente naquele ponto de fiscalização.

E para surpresa dos militares, praticamente tudo o que foi interceptado é maconha ou drogas produzidas a partir da planta, como skank e haxixe, procedentes da Bolívia, país que historicamente se notabilizou pela produção e “exportação” da cocaína.

Estas apreensões  do Exército evidenciam que a Bolívia passou a concorrer com o Paraguai na produção de maconha, que inclusive estaria sendo mais lucrativa para os traficantes que a produção e comercialização de cocaína na Bolívia.

E não são somente as apreensões do Exército feitas durante a Operação Jaguaretê que comprovam a mudança no cenário. Na noite desta quinta-feira (27), integrantes da Polícia Militar e da Polícia Federal apreenderam 1.261 quilos de maconha em uma casa no bairro Guató, em Corumbá. A droga era procedentes da Bolívia e um casal foi preso. 

Mas o fato de o narcotráfico na Bolívia estar se especializando na produção e venda de maconha não significa que a cocaína tenha sido deixada de lado. Junto com a carga de maconha apreendida na noite desta quinta-feira foram apreendidos 73,6 quilos de cocaína e pasta-base.

Conforme a assessoria do Bope, grupo de elite da PM de Mato Grosso do Sul, o prejuízo ao crime organizado foi da ordem de R$ 8 milhões somente com esta interceptação, que contou também com a participação de policiais do Rio de Janeiro que estão fazendo investigações na fronteira com a Bolívia. 

ONÇA-PINTADA

Os homens e mulheres do Exército que estão dia a noite na BR-262, no posto fiscal Lampião Aceso, a cerca de 10 quilômetros da área urbana de Corumbá, devem permanecer no local até 15 de setembro. Além, daqueles que vicam à vista de todos os usuários da rodovia, outros militares dão suporte à distância nos quartéis e em locais estratégicos nas imediações da barreira.

E, além do bloqueio na rodovia, os militares também estão abordando pequenas embarcações que chegam a Corumbá pelo canal do Tamengo, um rio boliviano que desemboca no Rio Paraguai no local onde é feita a captação da água para abastecimento da população de Corumbá e Ladário (veja vídeo no final da reportagem).

A fiscalização na BR-262 ocorre em uma região onde estradas secundárias procedentes da Bolívia e do próprio Brasil convergem para a principal rodovia que corta do Pantanal. Porém, por conta da presença ostensiva dos militares, o narcotráfico possivelmente tem evitado passar naquele local com grandes quantidades de entorpecentes nas últimas semanas, embora nem todos os veículos sejam submetidos ao pente-fino que os militares fazem no local.

“Se fiscalizasse todos os veículos, a tráfego na rodovia travaria”, explicou nesta quinta-feira (27) o general de brigada Rafael Novaes da Conceição, comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal. Nos momentos em que os militares decidem abordar todos os veículos, em menos de meia hora formam-se filas de até 40 veículos, explicam os militares que atuam na rodovia. 

Mas, apesar da presença ostensiva dos militares na estrada, algumas “mulas”, que estavam desavisadas ou tentaram contar com a sorte, acabaram sendo flagradas nas últimas semanas, principalmente nos ônibus.

Diariamente saem de Corumbá pelo menos oito ônibus, segundo o general Novaes, como é conhecido o comandante das fiscalizações na região da fronteira com a Bolívia.

Quando algum ônibus é escolhido, todos os passageiros desembarcam, retiram as bagagens e aguardam pela vistoria minuciosa de tudo aquilo que estão levando. Ao mesmo tempo, militares fazem um pente-fino na parte interna do veículo, com ajuda de cão farejador.

Integrantes do Exército fazem vistoria em veículos que saem de Corumbá e da Bolívia em direção à região central do EstadoBagagens de passageiros de ônibus são submetidas a vistorias minuciosas feitas por militares do Exército próximo a Corumbá

“A gente trabalha duro para combater atuação das quadrilhas do narcotráfico e faz questão de ter eficácia, mas chega a dar uma certa tristeza quando a gente flagra um passageiro ou passageira com drogas. Isso acaba com a vida destes viajantes. Quase sempre são pessoas muito vulneráveis financeiramente e são usadas por grandes traficantes justamente por conta disso”, relatou o general Novaes nesta quinta-feira (27) ao atender equipes de imprensa que por um dia acompanharam o trabalho dos militares na rodovia e no Rio Paraguai.

Além de Corumbá, a Operação Jaguaretê-Oeste (onça-pintada também está tirando dos quartéis os militares de Porto Murtinho, Bela Vista, Ponta Porã, Amambai e Mundo Novo. Da mesma operação também participam militares dos estados de Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

Contabilizando os quatro estados, em torno de 600 militares estão todos os dias nas estradas e nos principais rios de fronteira com a  Bolívia e Paraguai. Desde o começo de julho, o prejuízo causado por estas forças a contrabandistas e narcotraficantes é estimado em R$ 66 milhões, segundo o general de divisão Marcelo Zanon Harnisch, chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Oeste. 

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TAPA-BURACOS

Campo Grande terá mais de 10 frentes de tapa-buracos a partir de setembro

Sete empresas foram habilitadas pelo Consórcio Central e devem reforçar operação que atualmente conta com sete equipes

28/08/2026 11h30

Prefeitura pretende superar dez frentes de tapa-buracos em Campo Grande na primeira quinzena de setembro

Prefeitura pretende superar dez frentes de tapa-buracos em Campo Grande na primeira quinzena de setembro Divulgação

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Campo Grande deve ultrapassar dez frentes simultâneas de tapa-buracos ainda na primeira quinzena de setembro. O reforço será possível após sete empresas serem habilitadas pelo Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Região Central de Mato Grosso do Sul (Consórcio Central) para atuar na manutenção das vias dos municípios consorciados.

Nesta semana, as sete empresas participaram de sorteio que estabeleceu a ordem em que serão acionadas para atender às demandas. Segundo a Prefeitura, os contratos e as respectivas ordens de serviço estão em fase de elaboração para que os trabalhos possam começar.

O credenciamento permanece aberto, o que permite a entrada de outras empresas interessadas e habilitadas para prestar os serviços.

Atualmente, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) mantém sete frentes de tapa-buracos na Capital, sendo cinco formadas por empresas contratadas e duas por equipes próprias da pasta.

Segundo o Executivo municipal, em junho eram apenas duas equipes. Com o reforço, a Prefeitura afirma ter elevado a capacidade diária de aproximadamente 350 para mais de 1,5 mil buracos tapados. A expectativa agora é superar dez frentes distribuídas pelas sete regiões de Campo Grande na primeira metade de setembro.

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Brandão, também atribuiu ao novo modelo a possibilidade de acelerar os reparos.

“Estamos conciliando as frentes que já temos com novas equipes para intensificar o trabalho. Desde que assumi a gestão da Sisep, avançamos de duas para sete frentes de trabalho, mas entendemos que precisamos de um reforço nos próximos meses para acelerar ainda mais a recuperação da malha viária”, declarou.

Quase 21 mil buracos em um mês 

O reforço ocorre em meio à tentativa da Prefeitura de normalizar um serviço que se tornou um dos principais problemas enfrentados pelos campo-grandenses.

Como mostrou o Correio do Estado no início de agosto, a Sisep informou ter tapado 20.950 buracos somente em julho.

No período, foram utilizadas 2.858 toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), principal material utilizado nos reparos, para recuperação de aproximadamente 39,7 mil metros quadrados de pavimento em diferentes regiões da cidade.

A dimensão do desafio também está relacionada ao tamanho da malha viária. Campo Grande possui mais de 4 mil quilômetros de vias, dos quais mais de 3 mil quilômetros são pavimentados.

A ampliação das equipes acontece depois de um período de incerteza sobre a continuidade do tapa-buracos. Parte dos contratos existentes tinha vencimento previsto para 24 e 31 de julho, enquanto a realização de uma nova licitação demandaria tempo para ser concluída.

Antes mesmo do fim de alguns deles, os trabalhos já haviam sido interrompidos em quatro localidades atendidas pela Construtora Rial, empresa que esteve entre os alvos da Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

A operação, realizada em 12 de maio, investigou suspeitas de corrupção envolvendo contratos de tapa-buracos da Sisep que movimentaram mais de R$ 113 milhões entre 2018 e 2025.

Após a operação, conforme informações repassadas anteriormente pela Prefeitura, a empresa solicitou a paralisação dos serviços e, posteriormente, o Município também decidiu suspender o contrato.

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