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SAÚDE PÚBLICA

Para o SUS, Campo Grande tem 1,5 milhão de habitantes

Já para o IBGE, Capital tem 895 mil pessoas; entenda o motivo da diferença

24 SET 19 - 09h:00ADRIEL MATTOS

Campo Grande tem 1,5 milhão de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) cadastrados, mas a população oficial é de 895,9 mil pessoas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São mais de 604 mil pessoas que têm formalmente o chamado cartão SUS (a identidade do cidadão no sistema é feito mediante comprovação de moradia na cidade) para serem atendidas na rede da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), mas que não vivem na Capital, de acordo com a pasta.

Além de não haver meios para coibir o problema, os pacientes originalmente da cidade acabam enfrentando ainda mais demora, fila e espera para terem atendimento. “Nós temos um orçamento para 895 mil habitantes. Existe aqui uma demanda oculta, informal, que está se utilizando da nossa rede”, disse o titular da Sesau, José Mauro de Castro Filho.
O recurso tem como objetivo criar uma base nacional de dados em que fique registrado o histórico de todos os atendimentos prestados ao paciente. Além de servir também para embasar os recursos destinados pela União para a área da saúde da cidade.

O secretário afirma que parte da demanda vem do interior de Mato Grosso do Sul. Porém, ainda pode haver outras situações, como duplicidade de registros e até pacientes de outros estados e países. “Como se sabe que o paciente é de fora? Quando ele tem alta do hospital, ele pede ambulância da cidade dele”, explica Filho.

Mas o orçamento não se expande conforme o aumento dos cadastros no SUS. A Capital tem R$ 1,082 bilhão do orçamento para aplicar em saúde durante todo o ano de 2019. Já o Estado vai investir R$ 1,137 bilhão na área. Mesmo aplicando quase o mesmo que o governo, o município ainda precisa receber pacientes de média e alta complexidade. 

COMPROMISSO

Para a coordenadora do Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande (CMS), Maria Auxiliadora Fortunato, não é possível deixar de atender esses pacientes “extras”. “Nenhuma pessoa pode ficar sem atendimento. Isso afeta bastante e acaba causando essa situação ruim”.

Em alguns casos, segundo a conselheira, pacientes do interior se registram com endereço de parentes da Capital para ter o atendimento que precisam e que não encontram nos seus municípios de origem – em média, alta e também baixa complexidade. “Os atendimentos são para casos de alta e média complexidade, mas está vindo uma demanda de baixa complexidade”, apontou.

Com tantos pacientes para atender, o município cogitou enviar pessoas em tratamento contra o câncer para o interior. “Estudou-se levar pacientes de oncologia de Campo Grande para Dourados, porque havia muita gente na fila”, explicou.
Em agosto deste ano, o Correio do Estado noticiou a situação, após a Santa Casa da Capital encerrar o convênio que tinha com a clínica Radius, empresa terceirizada que fazia o atendimento de radioterapia, e somente o Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA) suprir a demanda. Segundo dados da Sesau na época, em 18 dias, houve um crescimento de 33,5% na fila de espera. 

Mas até agora nenhum paciente foi para Dourados, cidade no sul do Estado, porque não foi resolvida a questão da estadia dos doentes e acompanhantes no interior. A prefeitura não oferece nenhuma hospedagem ou subsídio, além do transporte. 
Em junho deste ano, durante a 9ª Conferência Estadual de Saúde, o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, apresentou os planos para a regionalização da área.

Entre as medidas para levar o atendimento mais próximo dos pacientes está investimento em construção, reformas e ampliações de hospitais, entrega de veículos e equipamentos, custeio de serviços, insumos e aparelhos, além de capacitar os servidores da saúde.

Porém, Maria Auxiliadora acredita que o processo de descentralização ainda não surtiu efeito. “Algo está errado, porque estão vindo muitos pacientes. É preciso rever tudo isso, e o município precisa conversar com o Estado”.

O projeto do Hospital Municipal de Campo Grande, segundo a coordenadora do CMS, pode melhorar a situação. “Pode ser que ajude, mas, se o Estado não descentralizar, não vai fazer diferença. É possível equilibrar, desde que o paciente também exija ser atendido perto de casa”, finalizou.

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