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HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

Transexual faz a primeira cirurgia de retirada de mama em Campo Grande

Flamariom Diniz se chamava Patrícia Diniz

17 MAI 19 - 14h:00IZABELA JORNADA

Habilitado a fazer o processo transexualizador desde setembro de 2018, o Hospital Universitário (HU) fez a cirurgia de mastectomia e o tatuador Flamariom Patrizio Diniz, de 25 anos, foi o primeiro paciente a passar pelo procedimento. Após três anos na fila de espera, ele conseguiu retirar a mama na tarde da última quinta-feira (16) em cirurgia que durou quase duas horas.

A vontade de mudar de sexo começou a ficar mais intensa depois de vários constrangimentos que Flamariom passou. “Eu tinha que ir à praia de moletom, porque não queria usar biquíni e quando eu ficava sem camisa, me sentia constrangido com os olhares das pessoas”, lembrou.

Mas, de acordo com Flamariom, o que culminou na decisão pela retirada da mama foi conflito que ele vivenciou em estabelecimento que fica na Avenida Noroeste. Ele estava tomando vodca com amigos e sem camisa ao lado do bar, quando a proprietária pediu para que ele colocasse a blusa. "Eu retirei a mama pelo preconceito da sociedade, para respeitar a sociedade", declarou ao lembrar que, devido à reclamação da dona do bar, até os amigos de Flamariom pediram pra ele se cobrir.

Com o apoio massivo da mãe, Iza Diniz, o transexual sempre mostrou interesse por pessoas do sexo feminino. “Quando eu tinha 14 anos, tive uma namoradinha e minha mãe descobriu. Naquele mesmo dia ela me apoio e já saiu gritando pra todo mundo que a filha dela era sapatão”, contou.

O transexual se considera pansexual por ter tido relacionamento com ambos os sexos. “Já tive namorado homem, me sinto atraído por homens também, sou pansexual”, afirmou.

Flamariom disse também que já tentou engravidar por três vezes. “Queria gerar um filho com meu sangue, mas não deu certo e eu acabei adotando”. O filho adotado de um ano e meio de Flamariom é filho da prima dele de primeiro grau, mas, mesmo com a retirada da mama e com a adoção da criança, ele não desistiu do sonho de ser mãe. “Quem sabe, futuramente, eu possa ter um filho ainda, nem que seja inseminação”, declarou.

PASSADO

Flamariom Patrizio Diniz se chamava Patrícia Diniz Amorim e conseguiu mudar seu nome em janeiro de 2019. A mãe dele conta que era muito constrangedor chamarem ele de Patrícia sendo que o físico era todo masculinizado. “Não tinha nada de mulher, ele sempre foi homem”, reforçou a mãe.

Apesar do pai e da irmã mais velha de Flamariom serem contra a transformação, o transexual tem o apoio massivo dos familiares maternos. “Sempre tive casos na família de homossexualidade e eles sempre sofreram, não queria que o Patri sofresse também”, disse a mãe.

Flamariom já adiantou que não vai parar por aqui, ele pretende fazer mais uma intervenção cirurgica nos órgãos sexuais. “Não sinto prazer, não tem necessidade e vai ficar melhor para ter relações”, considerou.

PROCEDIMENTO

Atualmente, mais de 300 pessoas esperam na fila para conseguirem marcar cirurgia de mudança de sexo. Alguns estão sendo acompanhados por terapeutas e psicólogos e em seguida serão regulados para passarem pelo procedimento cirúrgico. 

A equipe responsável pelas cirurgias no HU são dois médicos mastologistas. O chefe do ambulatório Transexualizador é o médico ginecologista Ricardo Gomes.

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