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Campo Grande - MS, sábado, 17 de novembro de 2018

118 anos

Som refinado e talentos são
boas surpresas na música regional

Músicos acharam seu espaço e agora vivem o momento de expandir

26 AGO 2017Por Cássia Modena13h:30


O som refinado da Urbem e a música presente-consciente de Marina Peralta são duas boas surpresas da música regional, e planam por esses ares já há alguns anos. Eles acharam seu espaço em Campo Grande, e agora vivem o momento de expandir fronteiras – mas ainda sem pensar em ir embora.

Urbem
Jazz contemporâneo à brasileira é a praia dos quatro integrantes da Urbem. Ana Paula Soares no piano, Sandro Moreno na bateria, e Gabriel Basso no baixo. Bianca Bacha toca ukelele e também usa a voz como um quinto instrumento. Tudo resulta num som totalmente diferente, refinado de fato, só que no tom do improviso e da mistura.

“Não consigo dizer que ouvi alguma coisa parecida antes”, é o que andam falando sobre eles lá fora. Esse lá fora é a Europa, conta a vocal. A banda fez sua primeira miniturnê no velho continente em julho deste ano, com três apresentações: duas na Itália e uma em Portugal. Viram “gringaiada babar na música feita no Brasil, igual a brasileiro que baba na música gringa”.

O interessante é que o quarteto de músicos voou de Campo Grande praticamente direto para essa experiência no exterior. Não fizeram muitos shows pelo Brasil antes disso. Passaram apenas por Rondonópolis, no Mato Grosso, e pela Capital de São Paulo. A intenção era essa desde o início, diz Sandro. “Focamos nos ensaios para tocar em festivais internacionais, num prazo de alguns anos. E deu certo”.

A banda se juntou para tocar jazz em Campo Grande pela primeira vez em 2010, com formação diferente, e virou a Urbem em 2014. Nesse recomeço é que decolaram. Destaque para a participação na competição Samsung E-Festival Instrumental em 2015, da qual saíram vencedores; para a apresentação na “Womex”, uma feira de música em Budapeste, na Hungria; e para o convite que receberam para tocar com os músicos Yamandú Costa e Wagner Tiso. 

A competição os projetou internacionalmente, e a feira rendeu contato com representante italiano da gravadora Odradek Records. Com o selo dela gravaram o primeiro disco, “Living Room”, em 2016.

Trocaram a guitarra do ex-integrante Gabriel de Andrade pelo piano de Ana Paula este ano. Com a nova formação, pretendem lançar novidades como releituras da MPB e composições originais. 

Todos da Urbem são sul-mato-grossenses, com exceção da pianista, que é mineira. Os ritmos da região podem não estar presentes na música, mas há outras coisas típicas daqui no conjunto. 

“Campo Grande traz pra gente uma calma e uma serenidade pra conseguir as coisas que, talvez, não conseguiríamos em outro lugar. E isso de alguma maneira interfere na música. A gente pode não estar fazendo os ritmos que são mais característicos daqui, mas eu acho a gente muito de MS, sabe? Nosso jeito, o jeito que a gente se comporta, o jeito que a gente vende a nossa música, o jeito que a gente viaja, o jeito que a gente conversa, tudo junto traduz uma simplicidade que é daqui”, diz Bianca.

As experiências no exterior foram maravilhosas, mas nada que tenha despertado vontade imediata de sair daqui. 

Marina Peralta 
Ritmo leve do reggae e mensagens poderosas, Marina é de Campo Grande e por meio do que canta é que se faz presente no lugar em que nasceu. 

Seu álbum de estreia, “Agradece”, foi lançado no ano passado, e está cheio de referências ao que acontece em Mato Grosso do Sul. Ela e sua banda são considerados revelações do ritmo no Brasil, e já dividiram palco com nomes como Criollo, Racionais MC’S, Emicida e Ponto de Equilíbrio. 

Apresentaram-se recentemente no Festival de Inverno de Bonito, arrastando quem não costuma ouvir reggae,  quem se identifica com as mensagens sobre feminismo e sobre o que toca a questão indígena no Estado. A última novidade é a música “Vida”, divulgada nas redes no mês passado em homenagem à musicista morta em Campo Grande, Mayara Amaral, e a todas as vítimas de feminicídio.

Levanta bandeiras e dialoga com o público sobre elas durante os shows, mas também canta sobre Deus e combina frases leves com ritmos além do reggae. Marina frequentava a igreja na infância e começou a escrever músicas na escola, durante o Ensino Médio. Uma de suas composições mescla tudo isso – “Meu Deus é negro/ meu Deus é índio/ meu Deus é mulher/ meu Deus é menino”. 

“Agradece” é a música que revelou a artista há dois anos. Foi por meio de um vídeo caseiro postado no YouTube, que conta com mais de 2 milhões de visualizações. Depois disso ela e a banda se apresentaram em vários estados. 

Estar em Campo Grande é o que querem agora, até porque gostam de manter a relação estreita com a Capital. “A gente vive a cidade, estamos inseridos nos movimentos de cultura, de arte, populares, nas ruas e nas praças”, fala Peralta. Só o que falta para que eles circulem mais por aqui é apoio e investimento. “Demanda uma estrutura, logística que a gente não tem como bancar”.

Marina afirma que paralelo a isso, pretendem continuar tocando em outros Estados. Mas a localização acaba impondo uma dificuldade. “Não estamos no eixo RJ-SP. E muitas vezes o contratante quer levar a gente, quer pagar o cachê, mas não tem como pagar o custo que a gente gera, que são passagens caras daqui de Campo Grande pra qualquer lugar. Esse é um problema que impede a gente de circular mais”, explica a cantora. 

Enquanto isso não se resolve, a internet tem ajudado a levar a mensagem de Marina adiante.

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