Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

118 anos

Som refinado e talentos são
boas surpresas na música regional

Músicos acharam seu espaço e agora vivem o momento de expandir

26 AGO 17 - 13h:30Cássia Modena


O som refinado da Urbem e a música presente-consciente de Marina Peralta são duas boas surpresas da música regional, e planam por esses ares já há alguns anos. Eles acharam seu espaço em Campo Grande, e agora vivem o momento de expandir fronteiras – mas ainda sem pensar em ir embora.

Urbem
Jazz contemporâneo à brasileira é a praia dos quatro integrantes da Urbem. Ana Paula Soares no piano, Sandro Moreno na bateria, e Gabriel Basso no baixo. Bianca Bacha toca ukelele e também usa a voz como um quinto instrumento. Tudo resulta num som totalmente diferente, refinado de fato, só que no tom do improviso e da mistura.

“Não consigo dizer que ouvi alguma coisa parecida antes”, é o que andam falando sobre eles lá fora. Esse lá fora é a Europa, conta a vocal. A banda fez sua primeira miniturnê no velho continente em julho deste ano, com três apresentações: duas na Itália e uma em Portugal. Viram “gringaiada babar na música feita no Brasil, igual a brasileiro que baba na música gringa”.

O interessante é que o quarteto de músicos voou de Campo Grande praticamente direto para essa experiência no exterior. Não fizeram muitos shows pelo Brasil antes disso. Passaram apenas por Rondonópolis, no Mato Grosso, e pela Capital de São Paulo. A intenção era essa desde o início, diz Sandro. “Focamos nos ensaios para tocar em festivais internacionais, num prazo de alguns anos. E deu certo”.

A banda se juntou para tocar jazz em Campo Grande pela primeira vez em 2010, com formação diferente, e virou a Urbem em 2014. Nesse recomeço é que decolaram. Destaque para a participação na competição Samsung E-Festival Instrumental em 2015, da qual saíram vencedores; para a apresentação na “Womex”, uma feira de música em Budapeste, na Hungria; e para o convite que receberam para tocar com os músicos Yamandú Costa e Wagner Tiso. 

A competição os projetou internacionalmente, e a feira rendeu contato com representante italiano da gravadora Odradek Records. Com o selo dela gravaram o primeiro disco, “Living Room”, em 2016.

Trocaram a guitarra do ex-integrante Gabriel de Andrade pelo piano de Ana Paula este ano. Com a nova formação, pretendem lançar novidades como releituras da MPB e composições originais. 

Todos da Urbem são sul-mato-grossenses, com exceção da pianista, que é mineira. Os ritmos da região podem não estar presentes na música, mas há outras coisas típicas daqui no conjunto. 

“Campo Grande traz pra gente uma calma e uma serenidade pra conseguir as coisas que, talvez, não conseguiríamos em outro lugar. E isso de alguma maneira interfere na música. A gente pode não estar fazendo os ritmos que são mais característicos daqui, mas eu acho a gente muito de MS, sabe? Nosso jeito, o jeito que a gente se comporta, o jeito que a gente vende a nossa música, o jeito que a gente viaja, o jeito que a gente conversa, tudo junto traduz uma simplicidade que é daqui”, diz Bianca.

As experiências no exterior foram maravilhosas, mas nada que tenha despertado vontade imediata de sair daqui. 

Marina Peralta 
Ritmo leve do reggae e mensagens poderosas, Marina é de Campo Grande e por meio do que canta é que se faz presente no lugar em que nasceu. 

Seu álbum de estreia, “Agradece”, foi lançado no ano passado, e está cheio de referências ao que acontece em Mato Grosso do Sul. Ela e sua banda são considerados revelações do ritmo no Brasil, e já dividiram palco com nomes como Criollo, Racionais MC’S, Emicida e Ponto de Equilíbrio. 

Apresentaram-se recentemente no Festival de Inverno de Bonito, arrastando quem não costuma ouvir reggae,  quem se identifica com as mensagens sobre feminismo e sobre o que toca a questão indígena no Estado. A última novidade é a música “Vida”, divulgada nas redes no mês passado em homenagem à musicista morta em Campo Grande, Mayara Amaral, e a todas as vítimas de feminicídio.

Levanta bandeiras e dialoga com o público sobre elas durante os shows, mas também canta sobre Deus e combina frases leves com ritmos além do reggae. Marina frequentava a igreja na infância e começou a escrever músicas na escola, durante o Ensino Médio. Uma de suas composições mescla tudo isso – “Meu Deus é negro/ meu Deus é índio/ meu Deus é mulher/ meu Deus é menino”. 

“Agradece” é a música que revelou a artista há dois anos. Foi por meio de um vídeo caseiro postado no YouTube, que conta com mais de 2 milhões de visualizações. Depois disso ela e a banda se apresentaram em vários estados. 

Estar em Campo Grande é o que querem agora, até porque gostam de manter a relação estreita com a Capital. “A gente vive a cidade, estamos inseridos nos movimentos de cultura, de arte, populares, nas ruas e nas praças”, fala Peralta. Só o que falta para que eles circulem mais por aqui é apoio e investimento. “Demanda uma estrutura, logística que a gente não tem como bancar”.

Marina afirma que paralelo a isso, pretendem continuar tocando em outros Estados. Mas a localização acaba impondo uma dificuldade. “Não estamos no eixo RJ-SP. E muitas vezes o contratante quer levar a gente, quer pagar o cachê, mas não tem como pagar o custo que a gente gera, que são passagens caras daqui de Campo Grande pra qualquer lugar. Esse é um problema que impede a gente de circular mais”, explica a cantora. 

Enquanto isso não se resolve, a internet tem ajudado a levar a mensagem de Marina adiante.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Governo abre inscrições para professores temporários
OPORTUNIDADES

Governo abre inscrições para professores temporários

PAGOU O PATO

Homem é esfaqueado 5 vezes após briga de mulheres

Marido inconformado quis se vingar de briga
Escolas da rede municipal contarão com lousas digitais
CAMPO GRANDE

Escolas da rede municipal contarão com lousas digitais

Trad alfineta vereadores em veto de projeto: "se voltar a assuntos carentes"
CAMPO GRANDE

Trad alfineta vereadores: "se voltar a assuntos carentes"

Mais Lidas