A polêmica que envolve a devolução do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia continua acalorada em Brasília. Com a possibilidade da proposta do conselho continuar com o Ministério da Justiça, após votação no Senado Federal, aprovação de medidas provisórias poderão ser prejudicadas. Essa é a preocupação da senadora Simone Tebet (MDB). “O governo está entre a cruz e a espada, porque a Media Provisória está para cair dia 2 e se mudar alguma coisa (no Senado), volta pra Câmara e o governo não sabe se lá ele consegue em tempo hábil (aprovar) e se o prazo caducar o governo fica desmoralizado”, ponderou Tebet.
A senadora acredita que o governo não vai colocar a mão nessa “cumbuca” e apostou na estratégia de que Bolsonaro deixará os senadores a vontade para decidirem e depois ele deverá analisar como resolverá a situação do Coaf. “Acho que pode converter no congresso, inclusive se não houver um lobby para deixar como está e tentar depois uma nova medida provisória e alterar de outra forma, porque a votação vai ser nominal, vão pedir verificação, vai abrir o painel, vai ficar com a digital de quem votou e de um jeito ou de outro, vai ser apertado, mas eu acho que o Coaf vai para o Ministério da Justiça”, declarou.
Porém, mesmo com essa preocupação, a senadora adiantou que tem compromisso com o ministro da Justiça Sérgio Moro em votar a favor do Coaf sob a liderança dele. “É importante que fique com o Moro (o Coaf), devido a esse projeto de combate a corrupção e a Operação Lava Jato”, adiantou.
Em entrevista ao Correio do Estado, a senadora falou de outros assuntos também, como a necessidade, segundo ela, de priorizar as reformas da Previdência e Tributária. Tebet acredita que ainda nesse primeiro semestre a Reforma da Previdência será aprovada. “A informação que eu tenho é que ela já vai vir alterada então isso faz com que o Senado tenha condições de avançar; eu sei da importância, vou votar a favor da Reforma da Previdência, mas não dessa previdência que está aí. Mas eu sei que ela (Reforma da Previdência) vai ser aprovada apesar do governo, o congresso tem essa responsabilidade e sabe que precisa aprovar", declarou.
TRIBUTÁRIA
A senadora lembrou que existem duas reformas tributárias tramitando na Câmara dos Deputados, uma redigida por um parlamentar e outra feita pelo governo. A parlamentar acredita que o governo não vai aceitar juntas as duas propostas. “Eu não conheço reforma tributaria que tenha sido aprovada vindo do congresso porque se não tiver sinal verde do presidente em que seja declarado que essa reforma é certa, essa reforma é possível, essa reforma alavanca a economia, essa reforma vai diminuir a carga tributaria, se não vier com aval do governo, que tem os dados, os números na mão, dificilmente a reforma, que já precisa de um quórum grande, que precisa de deputados votando, de repente ela sai do lugar, então acho que nós vamos ter no primeiro semestre enfoque na Reforma da Previdência e no segundo semestre o governo vai ta falando da Reforma Tributaria”, finalizou.
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