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Campo Grande - MS, terça, 13 de novembro de 2018

118 anos

Produtos da terra têm gosto
de orgulho e também de liberdade

Irmãs realizaram sonho da mãe e montaram empresa

26 AGO 2017Por Tainá Jara12h:30

Quando os descendentes africanos das irmãs Silvas cruzaram o Oceano Atlântico, há mais de três séculos, certamente não imaginariam que Campo Grande seria palco de verdadeira alforria das gerações futuras. O trabalho com a terra, somado aos dotes culinários, concedeu à família de Rosa Maria da Silva, 55 anos, e Sandra da Silva, 53 anos, a liberdade que durante anos foi negada a seu povo. 

A história que leva até os deliciosos e saudáveis quitutes produzidos para comercialização supre os anseios de toda uma geração da família, além de proporcionar cardápio com ingredientes tipicamente regionais. As irmãs tiveram, ainda na infância, contato com receitas deliciosas em Minas Gerais. 

A infância, com gosto marcante de tempero mineiro, é influência certa nos pratos que hoje geram o sustento. A trajetória feita pela família em Mato Grosso do Sul agrega história e identidade aos produtos.

Para as irmãs, o itinerário começou em 1977, em Montese, distrito de Itaporã, cidade distante 227 quilômetros de Campo Grande. A escolha geográfica não foi por acaso. Mais de um século antes, os avós quilombolas haviam se mudado para o local para dar início a nova vida depois da abolição da escravatura. 

Os sonhos foram reduzidos com a expansão dos latifúndios. Mas o tempo foi mais que suficiente para desenvolver e aperfeiçoar o gosto pela terra que hoje gera a obra-prima necessária para produção da Brotos Brutos, como foi batizado o empreendimento criado há quatro anos. 

SONHO DE MÃE
Depois de fazer de tudo um pouco, ter passado por Dourados, até chegar em Campo Grande, nos anos 80, foi a partir de 2012 que Rosa passou a se dedicar com mais afinco à agricultura familiar. A mão para cozinha era mais de Sandra, que veio para a Capital em 1997, com a mãe. 

Apesar de inusitado, foi na dor da morte da mãe que as duas vocações se juntaram. “Minha mãe queria abrir uma empresa e nunca pôde”, conta Rosa. A ideia de homenagem póstuma ganhou mais um elemento, além de novas sócias para pôr a ideia em prática. “Como minha mãe era mineira, ela gostava de comer muito. Pratos que não podemos exagerar. Por isto, acabou morrendo cedo, com problemas de diabetes e pressão alta. Pensando nisso, optamos por desenvolver produtos integrais e mais saudáveis para as pessoas consumirem”.

Para garantir mais diferencial, pequi, baru, jatobá e bocaiuva, frutos típicos do Cerrado brasileiro, passaram a ser os principais ingredientes e deram caráter regional à produção. Alguns frutos foram incorporados às receitas da família e novas foram criadas. 

Apesar de o livro de receitas ser grosso, o carro-chefe são os pães de pequi, baru e bocaiuva. Por serem provenientes da agricultura familiar, programas do governo federal incentivam sua distribuição em escolas e entidades assistências da Capital. A produção já chegou a ser de 200 mil pães por ano. Brigadeiros, geleias e tortas também estão no cardápio. “Todos são 100% integrais, sem aromatizante e sem conservantes”, ressalta Rosa. 

A matéria-prima é proveniente dos assentamentos Nova Aliança, no município de Terenos, Melodia, em Ribas do Rio Pardo, além de Campo Grande. Cerca de 20 agricultores participam das colheitas. A maior parte dos produtos dá uma vez ao ano e precisa ser armazenada para a etapa de transformação.

 
  • Paulo Ribas / Correio do Estado
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