Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

Invasão Indubrasil

Prefeitura derruba barracos, mas moradores prometem ficar em terreno

Integrantes da favela Estrela do Norte afirmam que não tem para onde ir

20 OUT 2017Por YARIMA MECCHI E LEANDRO ABREU11h:22

A Prefeitura de Campo Grande derrubou ao menos 100 barracos da favela Estrela do Norte, que fica ao lado de uma fábrica de refrigerante no Indubrasil, na manhã desta sexta-feira (20). Com os materiais no chão e sem lugar para ir, os moradores do terreno afirmam que vão montar novamente suas casas.

Uma ação em conjunta entre a Polícia Militar (PM), Guarda Municipal, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedesc) e Agência Municipal de Habitação (EMHA) começou às 6h para expulsar os invasores do local.

“Eles chegaram batendo e falando que iam derrubar com a gente dentro se não saíssemos. Foram grosseiros. Eu tenho cinco filhos e não tenho para onde ir. Vou erguer meu barraco de novo, mas com lona porque perdi todo material”, declarou o operador Edivaldo da Silva, 37 anos.

Muitas crianças estavam no local e acompanharam a atuação dos órgãos públicos. Com a previsão de chuva e sem ter para onde ir, o pedreiro Carlos Oliveira, de 43 anos, afirma que assim que força tarefa sair do local vai reerguer o barraco onde morava.

“Estou aqui há um ano e guardei material para o meu barraco. Vou levantar outro”, declarou.

Sem jurisdição em toda a área invadida, a administração municipal não pode derrubar cerca de 15 barracos que ficam na beira do trilho, pois essa parte é de responsabilidade da União.

Trator foi usado para derrubar barracos durante operação. (Valdenir Rezende /Correio do Estado)

EHMA
De acordo com a agência há cerca de duas semanas, equipes da prefeitura já haviam derrubado 10 barracos e notificado os invasores da área pública para que não voltassem.  

“Nesta quinta-feira (19) os invasores foram notificados para desocupação imediata. A força-tarefa para conter a invasão fez registros fotográficos dos barracos que permaneceram, porém, não há projetos habitacionais previstos para atender os invasores”, esclarece em nota.

A EHMA explica por meio do documento que a área não possui condições de moradia. “Trata de um zoneamento industrial sem infraestrutura para abrigar projeto habitacional”, conclui.

 
  • Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado
  • Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado
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  • Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado
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