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Campo Grande - MS, sexta, 16 de novembro de 2018

PARA SER APROVADO

Prefeito sugere revisão do projeto da Parada LGBT em Campo Grande

Matéria foi vetada ontem e chefe do Executivo municipal pediu alterações

1 SET 2017Por Izabela Jornada13h:00

Prefeito de Campo Grande Marcos Trad disse, durante agenda de hoje, que se o projeto da Parada LGBT fosse aprovado, poderia prejudicar o público por ter atribuído a responsabilidade e a organização ao Executivo. “Eles dão o comando do evento todo à prefeitura. E se o próximo prefeito não quiser fazer? O projeto precisa ser refeito”, disse ele, justificando um dos motivos de ter dado o veto.

O prefeito sugeriu que o público LGBT refaça o projeto utilizando como exemplo a Marcha para Jesus que já está no calendário da cidade. “A Marcha, por exemplo, nós que damos apoio institucional, Agetran, guarda civil municpal e banheiros públicos. Mas a responsabilidade é toda dos organizadores, da comunidade evangélica”, ratificou o prefeito.

Outra justificativa para o veto do projeto é que se a prefeitura tivesse aprovado, seria injusto para com os outros segmentos. “Não posso pegar o dinheiro público e bancar Marcha para Jesus se tem gente que é contra. O dinheiro é do povo, então não posso usar o dinheiro para bancar Parada Gay”, explicou novamente.     

Outra preocupação é com a segurança e possíveis ocorrências durante eventos segmentados. “Imagina se acontece algum acidente nesses eventos, independente da natureza deles? A prefeitura que vai se responsabilizar? Nã quero isso. Não vou bancar evento de segmento. Não sou contra nenhum evento, mas não me peça para ser responsável e organizá-los”, defendeu. 

O prefeito reforçou que não quer que a prefeitura tenha essa responsabilidade e aconselhou que a comunidade LGBT refaça o projeto. “Daremos todo apoio institucional contanto que a responsabilidade seja deles. Não tenho condições de coordenar, tenho que cuidar da cidade”, disse Marcos. 

Preocupado com os comentários que podem surgir a partir do veto, o prefeito já adiantou que não tem preconceito com o público LGBT. “A primeira Subcoordenadoria de Políticas Públicas Municipais LGBT oficial instalada e decretada em Campo Grande foi na nossa gestão. Não tem preconceito nenhum e aqueles que querem ir por esse lado estão sendo maldosos”, salientou ele. 

PROJETO DE LEI

Vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande aprovaram projeto de Lei Complementar, no dia 10 de agosto deste ano, que institui a Parada de Cidadania LGBT e Show da Diversidade no calendário oficial de Campo Grande. Proposta foi aprovada em regime de urgência, em turno único de discussão e votação.

O projeto, de autoria dos vereadores Eduardo Romero (REDE) e Valdir Gomes (PP), foi amplamente discutido pelos vereadores e acabou aprovado por um voto de diferença, sendo 13 a favor e 12 contra.

A proposta prevê a realizaçã do evento anualmente, sempre no terceiro sábado do mês de setembro.

Vereadores justificaram que objetivo de fixar o evento no calendário é a “diminuição do preconceito e fortalecimento das garantias de Direitos Humanos e da Cidadania”.

Segundo o texto, o público LGBT precisa de apoios da iniciativa privada e do Poder Público para que seja possível reivindicar a construção de políticias públicas em várias áreas, “de forma a promover a cidadania e inclusão em direitos humanos, contribuindo para o combate à violência e violações de direito”.

Parada de Cidadania LGBT é realizada em Campo Grande desde o ano de 2012 e tem como objetivo a promoção e defesa dos direitos humanos da população LGBT em Mato Grosso do Sul, tendo em vista que conta com a participação de pessoas da Capital e do interior.  

O prefeito de Campo Grande foi ontem à Câmara Municipal explicar aos vereadores o motivo do veto. “Ontem fiz questão de ir lá e expliquei que o motivo é técnico e não político”.

No corpo da matéria o projeto aponta como responsável pelos custos e pela organização a Prefeitura de Campo Grande. Marcos Trad disse que o líder do Exeutivo não pode ser titular de eventos de segmento e que um evento desse porte custa caro. “Essas paradas gays tem aumentado a cada ano, são mais de 60 mil pessoas. Não temos previsão de orçamento para isso e não podemos nos responsabilizar por eventos segmentados. Reforço que eles copiem o projeto da Marcha para Jesus e então aprovaremos o evento", finalizou. 

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