Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Desocupação

Para garantir 368 apartamentos, Emha
tira casal de idosos de chácara no Tarumã

Imóvel está em área escolhida para construção do Portal das Laranjeiras

7 FEV 2018Por RENAN NUCCI11h:09

Depois de 12 anos vivendo em uma chácara aos fundos do Jardim Tarumã, o aposentado Otaviano Justino Pereira, de 66 anos, e a esposa Maria Rodrigues Pereira, 72, tiveram que se mudar. Mediante acordo com a Prefeitura de Campo Grande, eles deixaram o imóvel na manhã desta quarta-feira, sob promessa de serem remanejados para outro lote. 

A mudança foi necessária porque a área que habitavam pertence ao município e será usada para construção do conjunto habitacional Portal das Laranjeiras. Para tanto, a Caixa Econômica Federal, responsável pela contratação e liberação dos recursos, impôs a data de hoje como limite para regularização do terreno, caso contrário não autorizaria a obra.

Apesar de triste com a saída, Otaviano se mostrou esperançoso. "Disseram que vão colocar a gente em outro terreno igual a esse", afirmou. Ele explicou que comprou o direito de posse da chácara do cunhado em troca de três vacas, sem ter claro conhecimento de que o terreno estava em litígio. "A gente é simples e não foi procurar saber dessas coisas. Só recentemente soube que era da prefeitura, mas enquanto houver saúde e força para recomeçar, vamos continuar".

No local Otaviano construiu um mangueiro, uma casa e passou a criar gado, porcos e galinhas. Além disso, fez uma horta para comercializar verduras e legumes, como forma de complementar a renda. "Não é fácil sair assim, da noite para o dia. Mas é preciso porque não dá pra pensar só na minha família, sabemos que a construção vai ajudar outras pessoas", disse ele emocionado, enquanto trabalhadores derrubavam as paredes da residência.

DESOCUPAÇÃO

Eneas José de Carvalho, diretor da Agência Municipal de Habitação (Emha), explicou que a desocupação foi feita mediante termo de compromisso firmado junto a Otaviano, Maria, familiares e Procuradoria-Geral do Município. "A área em que a chácara foi instalada foi escolhida pelo Ministério das Cidades para construção do residencial que deve beneficar diretamente 1.500 pessoas", disse Eneas, apesar de ainda não haver data para início das obras. "Isso depende da Caixa".

Como forma de compensação, os idosos serão realocados em outra área, localizada no Núcleo Industrial. A administração pública dará início ao processo de regulamentação de um terreno semelhante ao ocupado pela família. Até que o lote seja liberado, Otaviano e Maria vão ficar em residência disponibilizada pelo advogado deles, que é corretor. "Agimos para garantir a área ao município, mas com o mínimo de prejuízo para os moradores" pontuou o diretor da Emha.

Filho de Otaviano, o técnico em agrimensura Sinomar Pereira, 40 anos, acredita que aceitar a proposta foi a melhor decisão. "Poderíamos acionar a justiça, mas não haveria garantias de que meu pai venceria a disputa. Como a proposta da prefeitura foi boa, achamos melhor aceitar. Pelo menos ele vai sair com a certeza, conforme documentado, de que vai ter um novo terreno".

Sinomar relatou ainda que, apesar do transtorno com a mudança e da tristeza em ver a casa que o pai construiu ser demolida, coisas melhores virão. "Ele não vai perder nada. Os animais vão continuar neste lote até que a outra chácara esteja pronta. Também foi confirmado que o município vai ajudá-lo na construção da nova casa".

 
  • Bruno Henrique / Correio do Estado
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