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Campo Grande - MS, sábado, 17 de novembro de 2018

CAMPO GRANDE

OAB vai investigar denúncia de abuso de autoridade cometido por policiais em bar

Proprietária de bar e advogada dizem ter sido agredidas por militares do Choque

23 JUL 2017Por NATALIA YAHN16h:18

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) vai investigar denúncia de abuso de autoridade cometido por policias militares do Batalhão de Choque na noite de sábado (21), em Campo Grande, contra duas mulheres - uma delas advogada. O boletim de ocorrência do caso, registrado na madrugada de ontem na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Piratininga, como incitação ao crime, desacato, desobediência e resistência, aponta que os policias tentavam dispersar um grupo em frente ao Bar Batata, na Rua Trindade, próximo ao campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Graziele Soares das Neves, 43 anos, que seria proprietária de um dos bares na região, teria ofendido os policiais e questionado a legalidade da ação. No boletim consta ainda que ela começou a proferir “palavras de baixo calão”. A atitude teria chamado atenção de outras pessoas no local , “que começaram a rir da ação policial”. Ela teria sido questionada a apresentar documentos pessoais, e se negou. A partir daí ela foi detida por desacato, mas teria resistido a prisão e por isso foi necessário “emprego de uso de força moderada, que resultou em lesão aparente no braço esquerdo e no cotovelo esquerdo”. 

Já a outra mulher, que seria advogada, Rosemeire Rodrigues Martins, 27 anos, se apresentou como defensora de Graziele, mas desdenhou da capacidade intelectual dos policiais presentes, dizendo que se tratavam de “bestializados e desprovidos de inteligência e conhecimeto de suas funções”. A fala teria incitado outras pessoas contra a equipe policial e ela também foi presa. No boletim consta que ela “resistiu contra a condução” e por isso foi necessário o uso de “força moderada”, resultando em lesões aparentes no rosto, braços e pulso.

Em uma rede social Graziele negou ter ofendido os policias. “O comandante não identificado me perguntou quem era eu, sendo que ele mais que ninguém sabe quem sou eu, mas mesmo assim respondi que eu era a proprietária daquele local. Em nenhum momento ele pediu a documentação do local, até porque ele sabe que está tudo certo. No meio da conversa, um comandado também sem identificação, falou para o comandante: “Não perde tempo com essa mulherzinha”. Eu não entendi e perguntei o porquê estavam falando comigo dessa forma, sendo que em nenhum momento eu tinha faltado com respeito a algum deles”. 

Ela disse também que os policias que participaram da ação a conheciam. “O comandante sem nome pediu meu RG eu disse que não ia dar, mas sabe o por quê? Esses mesmos policiais vão ao Batata + quase todas as sextas e os mesmos me conhecem. Naquele momento recebo voz de prisão, e ele como sempre 'bem educado', me jogou dentro de um camburão”.

A proprietária do bar disse que aproximadamente 15 minutos após estar no camburão, a segunda mulher foi colocada lá dentro. “Escutei uma voz de uma mulher alegando que eles estava machucado muito ela, em seguida a porta do camburão se abre, e para minha surpresa vi quatro policiais agredindo a mesma com enforcamento e um tapa no rosto. Tentei argumentar para que não fizessem isso com ela, pois se tratava de uma mulher, e os mesmos se direcionaram a mim com nomes de baixo nível. 'Cale a boca sua vadia vagabunda', eles disseram, e em seguida jogaram ela no mesmo camburão que eu estava, perguntei quem ela era e ela me disse que era advogada e que eles estavam com a sua OAB. Seguimos sem entender tudo o que estava acontecendo, passando alguns minutos a viatura onde nós estávamos saiu em alta velocidade. Começaram a fazer manobras, e nós éramos jogadas de um lado pra outro sem poder nos proteger. Deitei no assoalho do carro pra ver se parava de ir ao teto e aos lados, e pra minha indignação eles riam e gritavam pra nós ouvirmos 'tá bom ai suas vadias? Vocês vão ter o que merecem', confesso que fiquei com muito medo”.

Já na delegacia ambas foram novamente agredidas. “Eles abriram a porta do camburão e arrastaram a Rose pelo cabelo, “muito educadamente” e chamando ela de vagabunda. Em seguida viraram pra mim e disseram, educadamente “você vai descer ou você quer ter o mesmo tratamento?”. Dois policiais vieram pra cima de mim e me arrastaram pra dentro de uma salinha e falaram “fica aí sua vadia”. Em seguida fomos algemadas e “educadamente” o comandante gritou “Senta no chão suas vagabundas!”, nos recusamos sentar, e eu disse “Vou ficar bem de pé”, ele não aceitou a minha posição e “educadamente” me passou uma rasteira e me derrubou, em seguida fez o mesmo com a Rose”.

A coação e a violência verbal durou o tempo todo. “Continuaram a debochar de nós quando pedimos pra falar com nossos advogados, um virava para o outro e dizia “chama ai o advogadinho delas, ou melhor, chama não, aqui já tem essa vagabunda e advogada, defende ela e você”, e sorriam. Não consigo entender tanta truculência com duas mulheres que nada poderiam fazer contra eles, até porque tinham nove policiais, totalmente armados cuidando da gente naquele local”.

O presidente da entidade, Mansour Elias Karmouche, explicou que vai pedir abertura de sindicância pela Polícia Militar para apurar os fatos. “Uma advogada tentava intermediar uma situação envolvendo sua cliente as duas acabaram agredidas pelos policiais. Queremos saber se houve exagero. Os policias foram desobstruir uma via, não eram bandidos e sim estudantes. Não havia nenhuma manifestação, eram jovens. Agora se a polícia vai começar a dispersar desse jeito vai ficar difícil”, afirmou Karmouche.

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