Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

118 anos

Motivação é ajudar campo-grandense no tratamento e prevenção de doenças

Pesquisas científicas focam casos de câncer de pele e obesidade

26 AGO 2017Por Natália Yahn12h:00

Campo Grande também é terra de pesquisas científicas. É na Capital onde está instalado o único laboratório de Mato Grosso do Sul que desenvolve novos medicamentos e métodos que podem auxiliar no tratamento e até na prevenção de doenças. Duas dessas pesquisas podem curar o câncer de pele e impedir a obesidade e são destaque no Centro de Estudos em Células-Tronco, Terapia Celular e Genética Toxicológica (Cetrogen), que funciona no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap).

As duas pesquisas foram motivadas por problemas de saúde encontrados na população, alto índice de registros de câncer de pele e de casos de obesidade entre as pessoas que vivem na Capital. Agora, após anos de estudos, os resultados da dedicação destes cientistas em terras campo-grandenses podem beneficiar centenas de pessoas a médio e longo prazo.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que 13,9% de todos os casos de cânceres no ano passado, em Campo Grande, foram de pele. Foram 810 novos casos somente em 2016, entre melanoma, a forma mais grave da doença, e não melanoma. Os números já eram altos seis anos atrás e chamaram atenção da doutora em biomedicina Stephanie Dynczuki, 28 anos. Em 2011, ela começou a conduzir o estudo na área, que é inédito no Brasil e deve levar à descoberta de um novo medicamento de combate ao câncer, atualmente testado em animais. “Este composto que desenvolvemos reduz os efeitos colaterais da quimioterapia e praticamente anula o câncer de pele”.

Mas utilizar o remédio em humanos é ainda mais demorado. “Pode demorar uns seis anos ou mais para que seja testado, pois é inédito. Inclusive, o produto foi totalmente desenvolvido no nosso laboratório, não é comercializado. Então precisa passar pelos órgãos de controle e comissões de ética para ser aplicado em seres humanos”, explicou o coordenador do Cetrogen e doutor em biologia celular e molecular, Rodrigo Juliano Oliveira.

OBESIDADE
Estudo inédito, divulgado em abril deste ano pelo Ministério da Saúde, revelou que Campo Grande é a segunda capital do País com maior índice de pessoas com excesso de peso. Os dados indicam que 58% dos entrevistados estão pesando acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em excesso de peso, a Capital fica atrás somente de Rio Branco (AC), que registrou 60,6%. 

Pela pesquisa, em todo o Brasil, o excesso de peso cresceu 26,3% em dez anos, passando de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016. Na Capital, a prevalência da obesidade é de 19,9%, e acompanha a média nacional. Em todo o País, 18,9% estão obesos. Houve aumento de 60% em relação a 2006, quando foi registrado 11,8%, atingindo um em cada cinco brasileiros. 

O problema de saúde foi o estímulo para que a única campo-grandense do trio de pesquisadores, Laynna Schweich, 25 anos, escolhesse estudar uma forma de prevenção à obesidade. O produto usado para impedir que as células fiquem obesas é o ácido retinoico, uma parte da vitamina A, encontrada em abundância em alguns alimentos, como peixes, ovos, cenoura, batata e espinafre. “É uma terapia preventiva à obesidade.

Fiz meu estudo com células de gordura de pacientes que fizeram lipoaspiração. A aplicação é injetável e as células gordinhas morrem após 12 horas. As células imunológicas absorvem, limpam o organismo retirando estas células que morreram”, explica Laynna, que é fisioterapeuta, mestre e iniciou doutorado em saúde na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O resultado da pesquisa dela pode estar mais próximo de ser oferecido no mercado. “A gente espera que em dois anos esteja disponível, pois o estudo está mais adiantado e o produto já é pesquisado e testado no País, a diferença é que será utilizado para prevenir, impedir a obesidade”, explica o coordenador. 
Para os cientistas, as pesquisas conduzidas no pequeno laboratório são a prova de que a Capital tem condições de produzir muito na área. “Somos um laboratório modesto, mas muito bem equipado e não ficamos atrás de nenhum outro do País”, conclui Oliveira.

 
  • Paulo Ribas / Correio do Estado
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