Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Assine a Newsletter

APLICATIVO

Motorista relata tortura nas mãos do PCC durante roubo com morte

Vítima foi amarrada, agredida e teve arma colocada na boca

14 MAR 19 - 09h:23RENAN NUCCI

Motorista de aplicativo passou por momentos de tortura durante roubo de seu veículo Nissan Tiida, cometido por integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) na madrugada desta quinta-feira, em Campo Grande. A vítima foi amarrada, espancada e teve uma pistola colocada na boca várias vezes. “Mandavam eu não me mexer, porque iriam me matar”, disse ele que não tinha esperança de escapar com vida. “Já estava preparado”. Um dos criminosos foi preso e o outro acabou morto em confronto com a Polícia Militar.

A vítima relatou que entre 00h40 e 1 hora da madrugada foi acionada para buscar uma passageira na Rua Pará, no Loteamento Rancho Alegre, região do Portal Caiobá. A suposta passageira é uma mulher de 22 anos identificada como a pessoa do PCC responsável por atrair vítimas e cooptar os executores de roubo. Ela estava agindo a mando de lideranças da facção que tinham o interesse de arrecadar fundos por meio da venda de um veículo no Paraguai, para financiamento do crime organizado. A mulher está sendo investigada.

Sem imaginar do que se tratava, o motorista se deslocou, no entanto, chegando ao local da chamada, deparou-se com dois homens. Ele inicialmente recusou a corrida, mas foi convencido após insistência dos suspeitos que alegavam que a mulher da chamada era a prima deles. Jackson Hofmeister Valenzuela, de 22 anos, e Rick Cesar de Arruda Benites, 18, embarcaram rumo ao bairro Universitário, mas sem definirem endereço certo. “Eles disseram apenas que iriam para uma festa e que chegando lá informariam o local”, disse.

No entanto, logo após o carro sair, os dois anunciaram o assalto. “O que estava atrás sacou uma pistola e colocou nas minhas costas. Depois bateu com a arma na minha nuca e me mandou ir para o banco de trás”. A vítima foi amarrada inicialmente com o cabo do próprio celular, teve o rosto coberto com a própria camiseta e em seguida teve os pés amarrados. “Um deles tirou o cadarço de seu tênis e me amarrou. Ele mandou abrir a boca e colocou a pistola na minha boca, dizendo que depois do roubo eles iriam me matar no Inferninho”.

De acordo com o motorista, eles ficaram rodando por cerca de 30 minutos. O tempo todo era agredido com socos, chutes e fios. Além da tortura física, também era torturado psicologicamente. “Um deles parecia estar muito alterado. Ele me batia muito e dizia que eu iria morrer assim que o carro fosse atravessado na fronteira com o Paraguai. Era muita violência. Eu falava que podiam levar o carro que eu não ia fazer nada, mas mesmo assim continuavam dizendo que iriam me matar de qualquer jeito. Foi um terror muito grande”.

Após rodarem pela região, eles pararam em uma mata onde desembarcaram e tiraram a vítima do carro. “Só lembro de ter muito mato e de eu passar por uma cerca”. O motorista foi obrigado a deitar-se no mato, onde continuou sendo agredido. “Eles me chutaram muito. Aí ouvi alguém falar que iria buscar a corda, pois iam me levar para o Inferninho e me matariam lá, deixando meu corpo amarrado. Então essa pessoa saiu com meu carro e eu continuei apanhando. Foi então que entendi que eu iria realmente morrer, que não escaparia”.

Alguns minutos mais tarde, o suspeito que havia saído com o carro retornou. “Então eles me mandaram ficar quieto porque era a hora da minha morte. Colocaram a arma na minha nuca e empurraram com força. Mas então percebi que eles foram se afastando, se afastando e quando não ouvi mais barulho algum, tirei o capuz do rosto, soltei os pés e corri para pedir ajuda. Não sabia onde estava, mas vi uma casa com a luz a acessa e pedi socorro lá. Um rapaz me soltou e acionou a PM. Em menos de cinco minutos a viatura já chegou”.

CONFRONTO

O cabo Igor Flavio Greffe Montania, da 10ª Companhia Independente da PM chegou ao local com sua equipe. Ele recebeu informações sobre características dos suspeitos e passou a fazer rondas. O veículo foi encontrado nas imediações, junto com Rick, na Rua Poente. O suspeito negou o roubo, mas não soube explicar porque estava com o carro de outra pessoa que havia sido roubada. Ele foi detido no local e em seguida os policiais começaram a fazer buscas no terreno ao lado, pois tentavam encontrar a arma usada no crime e o outro envolvido.

“Era uma área de mata e estava bastante escuro. De repente, o autor Jackson saiu de uma moita segurando uma arma e dei voz de prisão, mas como ele não largou, foi dado tiro instintivo para conter a agressão. Mesmo ferido, ele correu e foi perseguido”, explicou o PM. Foi chamado reforço e Jackson acabou encontrado nas imediações e continuou segurando a arma na direção dos policiais, fazendo menção de atirar. “Foi dado o segundo disparo. Em seguida ele foi socorrido até o Hospital [Regional], mas não resistiu”.

Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Juvêncio deixa legado de obras e serviços na Capital
EX-PREFEITO

Juvêncio deixa legado de obras e serviços na Capital

Governador decreta luto oficial de três dias por morte de Juvêncio
EX-PREFEITO DA CAPITAL

Governador decreta luto oficial de três dias por morte de Juvêncio

Aeroporto da Capital já transportou 3,5 mil toneladas em 2019
HUB DE CARGAS

Aeroporto da Capital já transportou 3,5 mil toneladas em 2019

Adolescente é executado com 10 tiros em possível acerto de contas
RUA DA DIVISÃO

Adolescente é executado com 10 tiros em possível acerto de contas

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião