Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

morte ex-vereador

Juiz ouve policiais que investigaram
morte de ex-vereador e esposa

Defesa de um dos acusados alegou que não sabia do assassinato

23 OUT 2017Por RODOLFO CÉSAR E LUANA RODRIGUES16h:39

Policiais que atuaram na investigação do assassinato do ex-vereador Cristóvão Silveira, 65, e da esposa dele, Fátima Silveira, 56, foram os primeiros a serem ouvidos pela Justiça Estadual. O processo contra quatro acusados de crimes envolvendo a morte do casal tramita na 4ª Vara Criminal de Campo Grande.

A audiência de instrução aconteceu hoje à tarde, durou cerca de uma hora e foi feita pelo juiz Giuliano Máximo Martins. Ao todo, 10 pessoas estavam convocadas para serem ouvidas, mas seis testemunhas compareceram. Destas, somente três policiais foram ouvidos. A imprensa não foi autorizada a acompanhar os depoimentos.

Estiveram na sala de audiência os acusados Rivelino Nunes Mangelo, 45, que trabalhava como caseiro do ex-vereador e apontado como mentor do assassinato, além dos filhos dele: Rogério Nunes Mangelo, 19 anos, e Alberto Rivelino Mangelo, 20 anos. Só Alberto não está preso. A acusação contra ele é de receptação, porque a polícia encontrou uma televisão que pertencia ao casal na casa dele, em Anastácio.

O advogado de defesa de Alberto Rivelino, Conrado Passos, afirmou que o cliente não sabia sobre o crime. "Ele não tinha conhecimento. Foi pego de surpresa. Só tinham pedido para ele guardar a TV", ponderou.

Assistente de acusação, o advogado Fábio Trad Filho falou em nome dos filhos do casal, que estiveram no Fórum. "Queremos a condenação mais alta, que é a de latrocínio. Foi um crime cruel, contra um casal que sempre os tratou bem", disparou.

Nova audiência está marcada para 1º de novembro no Fórum de Campo Grande com outras testemunhas. Para 28 de novembro, haverá procedimento em Anastácio, quando será ouvido Alberto Rivelino Mangelo, morador daquela cidade.

O CRIME

Cristóvão e Fátima foram mortos de forma violenta no Sítio Bem-Te-Vi, localizado às margens da rodovia MS-080, entre a Capital e Rochedo.

O mentor do crime foi o caseiro da propriedade, Rivelino Mangelo. Por volta das 14h30 do dia 18 de julho, Silveira chegou em sua camionete L200 Triton, juntamente com Fátima. Imediatamente, ele foi atraído pelo funcionário para o galpão de criação de pintinhos, enquanto a mulher foi na direção da casa. 

Ao entrar no galpão, Silveira foi surpreendido por Diogo e Rogério, com golpes de facão. Ele tentou reagir, mas não resistiu e acabou caindo, oportunidade em que Rivelino lhe desferiu mais golpes na cabeça, desfigurando-o.

Ao perceber o que estava acontecendo, Fátima saiu da casa segurando um machado e tentou defender o marido, mas levou uma facada na barriga e outra no pescoço, dadas por Rivelino. Em depoimento, ele afirmou que “enfiou o facão no pescoço dela”.

Por conta da grave lesão, a mulher perdeu a consciência e caiu. Conforme relatado pelos próprios autores, enquanto eles subtraíam objetos e colocavam na camionete, Rivelino ficou sozinho com ela no galpão e lhe abusou sexualmente. 

Após o crime, Rivelino foi para o distrito pedir ajuda, alegando que a chácara tinha sido invadida por ladrões, enquanto que Diogo e Rogério foram para a casa do outro filho do caseiro, Alberto.

Diogo não sabia dirigir e pediu apoio a uma quinta pessoa, foragida, e foi com ela para a fronteira, onde morreu em confronto com a PM. Alberto foi preso porque, mesmo vendo o irmão e o primo ensanguentados, os auxiliou e ficou com a TV tomada das vítimas.

 
  • Alberto Rivelino Mangelo, 20 anos. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado
  • Familiares de Cristóvão Silveira e Fátima Silveira. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado
  • Familiares de Cristóvão Silveira e Fátima Silveira. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado
  • Acusados Rogério Nunes Mangelo, 19 anos, e o pai dele, Rivelino Nunes Mangelo, 45. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado
  • Acusados Rogério Nunes Mangelo, 19 anos, e o pai dele, Rivelino Nunes Mangelo, 45. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado
  • Acusados Rogério Nunes Mangelo, 19 anos, e o pai dele, Rivelino Nunes Mangelo, 45. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado
  • Acusados Rogério Nunes Mangelo, 19 anos, e o pai dele, Rivelino Nunes Mangelo, 45. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

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