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Campo Grande - MS, segunda, 19 de novembro de 2018

ELA ESTAVA DE BICICLETA

Grávida será indenizada por ter perdido filho em acidente de trânsito

A gestante estava de 35 semanas e feto morreu depois de quatro dias do acidente

28 AGO 2017Por Izabela Jornada17h:50

Grávida que andava de bicicleta, foi atropelada e perdeu feto em acidente de trânsito receberá o valor de R$ 13.500 de indenização do Seguro por Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de via Terrestre (DPVAT).

Os desembargadores da 4ª Câmara Cível, por unanimidade, negaram recurso interposto por corretora de seguros que recorreu da decisão que determinou o pagamento de indenização ao casal, autores da ação, em razão da morte do filho em acidente de trânsito.

Conforme o processo, os autores moveram a ação de cobrança pleiteando o pagamento do seguro obrigatório, após sofrerem acidente de carro e, em consequência disso, a mulher, que estava gestante, e que trafegava de bicicleta na via, sofrer aborto espontâneo. 

O juízo singular julgou procedente o pedido inicial diante do argumento de que o feto já havia adquirido personalidade necessária para ter o direito previsto no artigo 3º da Lei n° 6.194/74.

Diante disso, a corretora de seguros recorreu da decisão sob o argumento de que a verdadeira vítima do acidente foi a mãe da criança, tendo em vista que foi ela quem sofreu a dor da interrupção da gravidez. Ressalta ainda que o natimorto sequer adquiriu personalidade civil, motivo pelo qual os pais não fazem jus a indenização.

A corretora argumenta ainda que o ordenamento jurídico brasileiro entende que a interrupção da vida intrauterina não justifica o pagamento de seguro obrigatório, pois o feto não pode ser considerado vítima para fins de pagamento do seguro.

Além disso, aponta que o nascituro somente adquire personalidade jurídica, com a consequente aquisição de direitos e obrigações, a partir do nascimento com vida, que não é o caso.

Por fim, pleiteia a reforma da sentença para que seja julgado improcedente o pedido de indenização formulado na inicial.

Em seu voto, o relator do recurso, desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, entendeu que a sentença deve ser mantida, pois os pais fazem jus ao recebimento da indenização. Ele ressaltou que a matéria em questão foi examinada em profundidade pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), havendo vários precedentes em julgados.

“Diante de tais precedentes e, com fundamento no princípio da dignidade humana, deve ser reconhecido o direito dos recorridos ao recebimento de indenização securitária pela morte do nascituro, motivo pelo qual a manutenção da sentença recorrida é medida que se impõe”.


O CASO

A gestante foi atropelada, enquanto andava de bicicleta,  no dia 24/06/2015. Quatro dias depois do acidente, na 35ª semana de gestação, ela teve hemorragia e o feto veio a óbito. 

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