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SUPERMERCADO

Funcionário de confiança desviou R$ 80 mil e bancava
até curso de Direito

Ladrão furtou durante 10 meses e estava empregado havia dois anos e meio

7 AGO 15 - 11h:07LAURA HOLSBACK

Paulo Flores Arguelho Sobrinho, 23 anos, aproveitou-se de cargo de confiança e desviou R$ 80 mil do supermercado onde trabalhava, localizado no Bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande. O ladrão atuava como assistente financeiro e falsificava boletos bancários para bancar contas pessoais e até de familiares. Entre as despesas que custeou estão, por exemplo, mensalidades de faculdade de Direito.

De acordo com o delegado Carlos Delano, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), onde o caso foi investigado, série de furtos ocorreu durante 10 meses, mas o caso foi levado à polícia há cerca de uma semana.

“Responsáveis pelo mercado perceberam o rombo durante prestação de contas e começaram a suspeitar do funcionário. A suspeita aumentou depois que ele saiu de férias e boletos de uso pessoal, junto com contas da empresa foram encontrados em meio as coisas dele. Na semana passada, tivemos conhecimento do fato”, contou.

Paulo foi detido na quarta-feira (5), na casa onde mora, no Bairro Monte Castelo, e levado para a delegacia para prestar esclarecimentos sobre a acusação. Em interrogatório, acabou admitindo ter cometido o crime e foi liberado, já que não houve situação de flagrante. Responderá em liberdade pelo crime de furto qualificado pelo abuso de confiança, podendo pegar de dois a oito anos de prisão, se condenado.

ESTRATÉGIA

Ainda conforme a autoridade policial, Paulo atuava no setor financeiro e era responsável pelo controle de pagamentos de fornecedores e notas fiscais. Ele aproveitava do cargo de confiança e falsificava boletos como se o supermercado estivesse pagando produtos supostamente recebidos, mas, no campo do código de barras, inseria números de boletos dele.

Para dificultar que o crime fosse descoberto, inicialmente, arquivava os boletos e depois os retirava porque não tinham notas fiscais e não teria como prestar contas.

Na avaliação do delegado, ficou evidenciado que Paulo tem grande conhecimento em informática. "Para serem validados os boletos precisam ser elaborados em sistema específico, não em documentos comuns de texto. Sabe o suficiente para cometer crime e não levantar suspeita", pontuou Delano.

Paulo trabalhava na empresa havia cerca de dois anos e meio e recebia por mês R$ 1,5 mil. Em 10 meses, desviou R$ 80 mil. Com esse dinheiro pagou contas como faculdade no curso de direito, aluguel, prestações de carro e até o cursinho de uma sobrinha. “A família passava o dinheiro do cursinho para ele pagar, mas, embolsava e pagava com o dinheiro da empresa. A família não tinha conhecimento da prática criminosa”, esclareceu o delegado. 

No imóvel de Paulo, foram apreendidos televisores, tablets e notebooks que ele também adquiriu com o dinheiro furtado, de acordo com Carlos Delano. 

 

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