O Ministério Público Federal e a Polícia Federal do Amazonas identificaram durante Operação La Muralla que a facção criminosa que comandou massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em Manaus reforçou sua atuação a partir de negociações fechadas no Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande.
Conversas monitoradas durante a investigação, ainda em outubro de 2015, indicaram que integrante da facção Família do Norte (FDN) alinhou aliança com o Comando Vermelho (CV), que tem atuação principal no Rio de Janeiro. As conversas foram feitas enquanto os presos que discutiram essa "parceria" estavam reclusos na Capital.
Os detentos que discutiram a aliança foram Gelson Lima Carnaúba, o Mano G, que faz parte da FDN, e Caçula, integrante do CV. Gelson é indicado como um dos líderes da Família do Norte e responde por tráfico de drogas e outros crimes.
Nesse trabalho investigativo das autoridades amazonenses, que resultou na denúncia de 94 pessoas por tráfico internacional de drogas e ajuizamento de 15 ações penais em fevereiro do ano passado, foi indicado em relatório que a atuação conjunta dessas facções pretendia assassinar todos os membros de outra facção, a Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua principalmente em São Paulo, que estivessem presos em Manaus.
A PF ainda conseguiu confirmar que FDN e CV estariam atuando conjuntamente a partir de interrogatório de integrantes do grupo criminoso do norte do país. Em presídios, as siglas das duas facções começaram a ser escritas na frente de celas para demonstrar a união, apontou relatório da polícia.
"Essa 'aliança', por si só, já se mostra um tanto quanto preocupante, no entanto, ao longo das interceptações telefônicas, verifica-se tratativas da FDN não apenas com o Comando Vermelho, como também com organizações criminosas radicadas no nordeste", indicou a Polícia Federal.
A reportagem procurou o Ministério da Justiça para verificar que ações foram tomadas por conta da investigação para aumentar o monitoramento sobre detentos no Presídio Federal de Segurança Máxima da Capital. Até a publicação desta matéria, nenhuma resposta tinha sido enviada.
O Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul também foi procurado, mas a assessoria de imprensa não estava funcionando depois das 14h. A Polícia Federal do Estado não confirmou se foi montada investigação em âmbito regional.
REBELIÃO E MASSACRE
No dia 1º, presos no Compaj promoveram rebelião que deixou 56 mortos, alguns deles decapitados outros tiveram o coração arrancado. Ainda foram feitos 12 servidores e 14 detentos como reféns.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou que 130 internos conseguiram fugiram durante o motim. O tumulto durou 17 horas e revelou estrutura frágil da unidade. O presídio tinha 1.224 pessoas, mas a capacidade é para 454 homens.

