Quinta, 14 de Dezembro de 2017

tragédia

'Eu tentei puxar ela, eu tentei puxar ela', disse testemunha de afogamento

Rafaela Uhlman tinha 10 anos e brincava perto do Rio Anhanduí

8 OUT 2017Por RODOLFO CÉSAR E BÁRBARA CAVALCANTI18h:47

O avô da menina de 10 anos que se afogou hoje no Rio Anhanduí, em Campo Grande, tinha pedido para que ela não saísse de casa. Osvaldo Estevão, 53 anos, era quem cuidava de Rafaela Uhlman. Os pais dela estão presos. Outra criança que estava com a vítima contou a policiais civis que tentou de todo modo puxá-la.

"Eu tentei puxar ela, eu tentei puxar ela (sic)", disse a criança aos policiais civis. A reportagem estava próximo e ouviu parte do relato. Infelizmente os esforços não foram suficientes.

"Ela tinha o costume de sair com as amigas para brincar. Eu falava para ela tomar cuidado, para não sair. Agora isso aconteceu", lamentou o homem, visivelmente abalado.

Rafaela estava com uma tia, que também tem 10 anos, e uma outra menina, que não teve a idade divulgada. Elas tinham saído para brincar e estavam próximas do Rio Anhanduí. Conforme relato da tia da vítima a Osvaldo Estevão, Rafaela caiu e ficou suja por conta da terra úmida.

A menina decidiu descer um barranco para se limpar no rio. "Não entra lá não", teria dito a tia de 10 anos, relatou o avô. Conforme ele, Rafaela não seguiu a opinião da amiga. "Vocês não mandam em mim", a vítima teria afirmado, seguindo para o barranco.

As outras duas crianças permaneceram na parte de cima do barranco e notaram que Rafaela demorava para voltar. Foram na beirada da queda e viram que ela debatia-se porque estava afogando.

A outra menina de 10 anos entrou na água para tentar resgatar a sobrinha, mas não conseguiu. Bombeiros foram chamados, mas quando chegaram não havia mais tempo.

"Todos moravam aqui no bairro. Eu avisava que era para ela não sair", repetia Osvaldo Estevão, que além de viver com Rafaela também residia com a outra criança.

A Polícia Civil e a perícia criminal estiveram no local do acidente. Foram levantadas informações, mas ainda haverá coleta de depoimentos para se produzir o inquérito policial. O caso foi encaminhado, no primeiro momento, para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do bairro Piratininga.

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