Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

“NINGUÉM FEZ NADA”

Estudante denuncia homem se masturbando dentro de ônibus na Capital

O caso aconteceu na última sexta-feira (29) dentro da linha 061

2 OUT 2017Por MARIANE CHIANEZI18h:26

Casos envolvendo importunação dentro do transporte coletivo têm ganhado repercursão nacional nos últimos meses e na semana passada uma estudante de Campo Grande relatou em rede social o constrangimento sofrido após flagrar um homem se masturbando durante trajeto de veículo que ia até o Shopping Campo Grande.

“Eu fui chamada de louca, mentirosa, por um cara que estava se masturbando com o pênis de fora da calça, tudo isso dentro do ônibus, e ninguém fez nada”, criticou a jovem, de 22 anos, em postagem na rede social.

A passageira chamou atenção para o caso que aconteceu em meio a campanha contra assédio dentro dos ônibus na Capital, que é promovida tanto pela Prefeitura da Capital como pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

A estudante conversou com o Portal Correio do Estado e relatou a revolta com a situação a qual passou e consequências psicológicas geradas.

O caso aconteceu na sexta-feira (29), por volta das 15h, dentro de ônibus que faz itinerante Shopping Campo Grande-Terminal Moreninhas, a linha 061.

“Estava uma moça, um rapaz e eu no fundo do ônibus. Eu e ela estávamos de um lado do ônibus e esse cara, do outro. Aí eu fui olhar dentro do ônibus e vi o cara lá, sentado e se masturbando. Ele viu que eu olhei pra ele e ele continuou. Eu virei rápido pra frente, pensei que estava louca”, lembrou a estudante, que preferiu não se identificar.

Neste momento, ônibus já havia chegado no terminal que fica em frente ao shopping center e reação, uma das poucas tidas pela estudante, foi gritar para o motorista sobre o que estava acontecendo. “O motorista fechou as portas do ônibus, não deixou ninguém descer e chamou um daqueles fiscais [segurança] que ficam lá”.

Outras passageiras que estavam no local se sensibilizaram com a situação e ficaram revoltadas com o suspeito. Ainda segundo a jovem, haviam outros homens no transporte, mas ninguém fez nada. 

“O cara começou a me chamar de louca e nisso, o motorista contou para o fiscal o que estava acontecendo, mas o fiscal disse que o homem podia ir embora. Eu perguntei para o fiscal 'Moço, você não vai fazer nada?' ele disse que não podia fazer nada”, relatou.

Posteriormente, o suspeito da importunação foi embora de mototáxi. “A única foto que eu consegui fazer do cara foi a dele indo embora. As pessoas comentaram o porquê de eu não ter tirado foto do ato, mas no momento a gente não consegue pensar em nada. A gente nunca espera que isso vá acontecer”, declarou a jovem.

PSICOLÓGICO

A estudante revelou à reportagem que até na tarde de hoje (2) não havia saído de casa devido ao trauma sofrido dentro do transporte e por conta disso ainda não registrou o boletim de ocorrência.

“Eu chorei de sexta para sábado o dia inteiro. Eu estou até agora super abalada, eu tenho medo ainda”, desabafou.

Com histórico de problemas com depressão e ansiedade, o que ela presenciou a deixou mais abalada. “Eu entrei no shopping e fiquei sentada lá por uma hora e meia. Eu fiquei muito apavorada”.

Muitas mulheres comentaram na postagem feita pela estudante que passaram pela mesma situação. Houve também comentários contra a acusação que ela fez.

“A mulher na sociedade não tem segurança nenhuma, se nem em um ônibus eu posso me sentir segura, quem dirá numa balada", afirmou.

POSICIONAMENTO

Em contato com a assessoria de imprensa do Consórcio Guaicurus, reportagem apurou que imagens das câmeras de segurança que podem ter flagrado atitude do suspeito ajudar na identificação dele podem ser fornecidas à Polícia Civil, mediante requerimento.

O Consórcio Guaicurus confirmou ao Portal Correio do Estado que já tinha ciência sobre o problema ocorrido na linha 061 na sexta-feira (29) e aguardava acionamento de autoridades.

Sobre a atitude dos fiscais no terminal, foi esclarecido que os guardas estão ali apenas para orientar passageiros e o que poderiam fazer naquele caso, era chamar a polícia. Entretanto, homem poderia sair do local neste intervalo de tempo.

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