Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

118 anos

Empresários da Capital dão
continuidade ao que os pais iniciaram

Crescimento em família tem pitadas de modernidade

26 AGO 2017Por Cristina Medeiros11h:30

É inegável que pequenos negócios e cultura empreendedora fortes são elementos vitais para o equilíbrio e crescimento socioeconômico de toda e qualquer cidade. Em Campo Grande, não é diferente. Aqui, várias destas empresas têm perfil familiar e, ao longo dos anos, seguem se renovando, com a participação das novas gerações.

Exemplos não faltam, mas, nesta comemoração dos 118 anos da Cidade Morena, destacamos três histórias de pessoas que decidiram dar continuidade ao que os pais iniciaram. Em comum, estes empresários – um no ramo da alimentação, outro no de transporte e a última no de vestuário – têm o fato de acompanharem toda a trajetória do empreendimento, além de investirem em inovações, ampliação, gestão de qualidade e união familiar. 

Com 39 anos de funcionamento, a Thomaz Lanches – sempre na Rua 7 de Setembro – é um exemplo típico de empresa familiar que deu certo. Tudo começou com o pai, o imigrante libanês Joseph Tuma, que tornou-se José Thomaz no Brasil. Comerciante nato, depois de investir em diferentes ramos, optou por um bar que vendia petiscos e bebidas. “Funcionou como bar até 1980, quando meu pai teve problema de saúde e eu, um jovem de 16 anos, e minha mãe tivemos de tocar o negócio”, explica José Thomaz Filho, que tem o irmão Ricardo Thomaz como sócio e ainda emprega duas irmãs (Cristina e Marizete) e o filho mais velho, Henrique, de 22 anos.

A “receita” para o negócio crescer foi apostar no grande diferencial de atendimento implantado pelo pai no início de tudo. “Ele sempre foi muito bem relacionado. A vida toda colocou os salgados sobre o balcão para as pessoas se servirem, naquela época de esfirra e pastel, que era o que minha mãe fazia na mão”. 

A qualidade dos produtos aliada ao atendimento diferenciado fizeram o movimento crescer e, com ele, a necessidade de diversificar. “É algo muito espontâneo, que foi acontecendo e acabou virando uma característica de nossa casa. Tudo de forma natural, sem comanda, confiança total de ambos os lados. O cliente se serve e nos diz quanto consumiu. Com isso, você deixa de ter clientes, passa a ter amigos, cria fidelidade espontânea. As pessoas nos agradecem por deixá-las à vontade. Muita gente vem de fora para cá por conta da qualidade do produto aliada a este jeito peculiar de se servir”. 

Com o passar dos anos, a família ampliou não só o lugar – que em breve receberá ainda mais espaço –, mas o cardápio, passando a oferecer o carro-chefe, a esfirra, com vários recheios e diferentes produtos congelados. O próximo passo será inaugurar a nova unidade, que já está pronta, no corredor gastronômico da Avenida Bom Pastor. “Este envolvimento da família foi fundamental para nos mantermos no mercado”. 

TRANSPORTE
Há 40 anos, meses antes da divisão oficial do Estado, Osvaldo Possari e seu pai compraram uma empresa de transporte de passageiros – a menos lucrativa de um empresário que a colocou à venda. Trata-se da Viação Cruzeiro do Sul, que opera rotas em várias cidades no Estado, levando passageiros e cargas.

Segundo Rodrigo Possari, o filho caçula de 5 irmãos, que atualmente administra a empresa junto do irmão mais velho, o advogado Osvaldo Cesar Possari, o pai sempre incentivou os filhos a participar do crescimento da empresa. “Nós chegamos aqui e não tínhamos nada, construímos tudo isso com muito trabalho e foi nosso pai quem sempre nos estimulou e deu a nós muito espaço, mesmo a gente sendo criança, para opinar. Ele sempre nos deu a liberdade de dar palpites, participar das reuniões com gerentes e diretores dele na época”.

Rodrigo conta que tanto ele quanto o irmão começaram já na adolescência a trabalhar como mecânicos e depois seguiram conhecendo todo o funcionamento da empresa, cuja direção-geral assumiram em janeiro deste ano. “Hoje meu pai faz parte do Conselho, nos ajudando, nos orientando, não está mais no dia a dia, apenas na parte mais estratégica”, esclarece.



Osvaldo Possari, da Cruzeiro do Sul, e Rodrigo Possari: gerações que se completam

E ser estratégico parece algo que os filhos herdaram da administração do pai, que há alguns anos teve a ideia de descentralizar o embarque de seus passageiros. “Com a mudança da rodoviária de Campo Grande para uma região mais distante, meu pai teve a ideia de montar um ponto de embarque e desembarque mais próximo das saídas da cidade. Então, montamos uma loja no Trevo Imbirussu, outra na saída de Rochedo e mais uma na saída de Camapuã, para atender nossos passageiros. E algumas destas rotas atendem 150 passageiros por dia. Foi uma ideia fantástica, porque a pessoa não precisa ir à rodoviária para embarcar e não fica no meio da estrada esperando o ônibus passar tomando chuva, sol, com risco de assalto”.

A gestão familiar – além de Osvaldo e Rodrigo, a empresa também pertence às irmãs Rose, Regina e Renata – faz com que o Conselho formado pelos irmãos e pelo pai se reúna uma vez ao mês. “É quando fazemos a prestação de contas, mostramos como anda a empresa e fazemos as análises de investimentos”.

Apesar de quarentona, a Cruzeiro do Sul, segundo o administrador, procura não parar no tempo, buscando sempre inovações que proporcionem facilitar a vida dos passageiros: “Há algum tempo oferecemos a venda de passagem pela internet, facilitada e estamos implantando o parcelamento em mais vezes. Temos também serviço de transporte de van fretado para Bonito, a partir do aeroporto e no transporte de cargas estamos abrindo uma filial em Curitiba”. 

Sobre o legado do pai, Rodrigo resume: “A coisa mais importante para nós é que nosso pai é muito respeitado como empresário, um homem muito correto, muito sério. E cabe a nós, que o sucedemos, sermos iguais nos quesitos correição e idoneidade”.

VESTUÁRIO
Aos 31 anos, a empresária campo-grandense do ramo da moda Daiana Doraci Teixeira Oliveira Garcia está colhendo os frutos de sua insistência em não deixar morrer o sonho da mãe, Cleonice de Matos Teixeira, de ver a Loja Nice decolar.

Moradores do Bairro Silvia Regina, os pais de Daiana sempre empreenderam na região, comandando diferentes comércios, que com o tempo foram fechando. Mas a loja fundada nos anos 80, que vendia de roupas a brinquedos e aviamentos, sempre foi a grande paixão da mãe. “Desde criança, eu vi minha mãe se dedicar a esta loja, que depois passou a vender apenas roupas, e de marcas muito boas. Ela sempre teve uma visão muito peculiar sobre este comércio, que durante bons anos atraiu muitos clientes”.

Mas nem tudo foram flores. Com altos e baixos da economia, o movimento caiu e a família, financeiramente desestruturada, quase perdeu tudo. “A loja nunca fechou, nunca parou, só enfraqueceu durante alguns anos e foi o suficeinte para minha mãe morrer de depressão”, conta Daiana, que decidiu arregaçar as mangas e, ao lado do marido, Edgar, fez o negócio crescer novamente, principalmente com a ajuda das redes sociais. “Peguei a fama de vender roupa bonita e barata e isso caiu nas redes sociais. Foi fundamental para o nosso crescimento”.

Desde o ano passado, a Loja Nice (Avenida Capibaribe) oferece semanalmente as mais variadas novidades da moda, selecionadas pelo casal em idas e vindas a grandes centros de confecção e divididas por setores em uma loja ampla, totalmente reformulada, mas que continua no mesmo endereço.

“Para fazer tudo isso crescer, não abrimos mão de ir a São Paulo toda semana e, algumas vezes ao ano, aos Estados Unidos e à Europa para obter referências. O autoatendimento que implantamos trouxemos de lá, tem a ver com a modernidade que queremos para oferecer aos nossos clientes. Também temos uma consultora de moda e roupas para a família inteira, já que inauguramos em frente à loja um espaço exclusivo para os homens”.

Empreendedora como a mãe, Daiana não se contentou em vender apenas variadas marcas, então criou a sua. “É uma linha de jeans, que batizei com meu nome”.

 
  • Bruno Henrique / Correio do Estado
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  • Valdenir Rezende / Correio do Estado
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