Campo Grande - MS, quarta, 15 de agosto de 2018

118 anos

Empreendedores de Campo Grande lançaram ao menos 100 aplicativos

No início, 70% dos clientes eram da Capital, mas negócios expandiram-se

26 AGO 2017Por Glaucea Vaccari14h:00

Há no Brasil 198 milhões de smartphones em uso, segundo dados da Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas em março deste ano. Com um minicomputador em mãos, usuários podem resolver diferentes problemas com um clique, de qualquer lugar. Essa facilidade fez com que aplicativos se popularizassem nos últimos anos e a tendência é de que o nicho continue a crescer, já que, conforme o estudo, até outubro a base instalada de smartphones no País deve chegar a 208 milhões de aparelhos.

Dessa forma, investir em aplicativos tem sido uma boa saída, tanto para empresas quanto para desenvolvedores. Muitos empreendedores apostam no segmento para conquistar novos clientes e procuram empresas especializadas para que o projeto alcance o público desejado.

Foi de olho nesse público que nasceu a Jera. O ano era 2010 e o mercado mobile ainda era considerado novo quando os empreendedores Jefferson Moreira e Saulo Arruda decidiram investir nessa fatia do mercado e abriram a empresa, especializada em desenvolvimento de aplicativos para dispositivos móveis, em Campo Grande. Hoje, sete anos depois, o que começou com cinco funcionários em escritório alugado conta, agora, com equipe de mais de 40 profissionais, sede própria, clientes locais, nacionais e internacionais e, na contramão da crise – que faz com que dezenas de empresas fechem as portas diariamente –, tem planos de expansão em curto prazo.

Jefferson conta que já trabalhava em uma empresa de tecnologia e, com o lançamento do iPhone em 2007 e do Android em 2008, o mercado começou a aquecer no Brasil mais ou menos na época em que decidiram abrir a empresa para desenvolver novos negócios. Foi um ano e meio de preparação para que a empresa começasse rentável desde o primeiro ano. Apesar de não dar prejuízo, o crescimento foi linear por cerca de um ano e meio. 

RENOVAÇÃO 
Para Jefferson, o segredo para se manter no mercado e continuar em crescimento é se reinventar todos os dias, já que o negócio de tecnologia muda constantemente. “Aquilo que a gente fazia em 2010, em 2012, hoje não dá pra fazer mais. Hoje é totalmente diferente do ano passado, então, todo ano a gente está crescendo, aprendendo, tanto tecnologicamente falando quanto em relação à organização como empresa”, avaliou.

A crise econômica que atingiu o País teve impacto no mercado; mas, ao mesmo tempo, possibilitou um aumento na carteira de pequenos clientes, os quais são na maioria jovens que  perceberam que empreender nesta área poderia ser um bom negócio.

“Eu imagino que sem a crise a gente estaria em outro patamar; mas, mesmo com a crise, a gente continua crescendo, a gente continua contratando”, disse Jefferson.

No início, 70% dos clientes eram de Campo Grande; mas, com o passar do tempo, os negócios expandiram-se e a Capital representa hoje cerca de 20% do faturamento. Há clientes em todo o Brasil e nos Estados Unidos, no Uruguai, na Inglaterra e na França. A sede fica na Cidade Morena, mas a Jera tem representantes em São Paulo e em Florianópolis, além de plano internacional para 2018/2019. Ainda, foi uma das selecionadas entre as empresas de todo o Brasil para participar do Google Developers Agency Program, programa que dá suporte a empresas desenvolvedoras de software e que selecionou apenas seis no País.

APPs
Reconhecida nacionalmente, Jera tem mais de 100 aplicativos lançados, sendo alguns com mais de dois milhões de downloads. Um dos primeiros apps lançados se chama Gasosa, usado para verificar se é mais rentável abastecer com gasolina ou etanol. Já um dos últimos é o Fácil Gás, que permite ao consumidor solicitar um gás de cozinha por meio do aparelho celular e recebê-lo em casa. 

Um dos mais conhecidos e bastante utilizado atualmente é o Beblue, que a Jera ajudou a desenvolver em 2015. O usuário baixa o app, cria um conta cadastrando o CPF e, cada vez que utilizar o cartão de crédito ou débito nos estabelecimentos credenciados, receberá um porcentual do valor pago na sua conta virtual. O valor pode ser usado para novas compras nas redes credenciadas. 

A dificuldade desse mercado é que existem diversos aplicativos sendo lançados todos os dias. Além da empresa especializada, que ganha com novos clientes, o mercado também é de oportunidade para novos desenvolvedores, tendo em vista que ainda há carência de mão de obra especializada. Cláudio Tadashi, analista financeiro da Jera, afirma que é comum encontrar profissionais formados, mas sem conhecimento suficiente para o mercado de trabalho. No entanto, segundo o analista, experiência não é o primordial, desde que o profissional seja dinâmico, antenado, ágil e com vontade de aprender.

 
  • Paulo Ribas / Correio do Estado
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