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Campo Grande - MS, quarta, 21 de novembro de 2018

118 anos

De cada 10 empregos formais na
cidade, cinco estão no setor de serviços

Profissional encontra desafio de desempenhar bem sua atividade

26 AGO 2017Por DANIELLA ARRUDA10h:00

Transformar a impessoalidade de uma capital onde todos os dias circulam 864 mil habitantes, segundo última contagem populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e cativar a clientela por meio da arte do bem servir nas mais diferentes atividades. Assim podem ser traduzidos o desafio e a missão do setor de serviços, que responde pela maioria dos empregos formais gerados atualmente em Campo Grande, conforme dados agregados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. De cada 10 trabalhadores com carteira assinada na cidade, cinco estão empregados no segmento. O setor também reúne o maior número de estabelecimentos em operação e em proporção semelhante ao verificado na ocupação, concentra quatro em cada 10 negócios campo-grandenses.

Para quem abraça a prestação de serviços como profissão na Capital, como Josiane dos Santos, 42 anos, maître e gestora do Território do Vinho, “não tem crise, há muita oportunidade”. “Costumo dizer à nossa equipe que sorte e oportunidade são uma coisa só. Se você busca oportunidade e ela está no lugar certo, a sorte vem”, defende, com a autoridade de quem atua há anos no ramo de gastronomia.

Apesar de atuar num ramo tradicionalmente conhecido pela alta rotatividade, Josiane teve trajetória diferenciada da maioria de seus companheiros e companheiras de atividade: trabalhou em poucos estabelecimentos, mas por bastante tempo em cada um. O ingresso na área deu-se pela influência do marido, barman. “ele saía para trabalhar à noite e eu ficava em casa, sozinha. Quando ele voltava, eu queria conversar e os horários não davam certo. Até que ele disse: a partir de hoje, vou levar você para trabalhar comigo. Foi assim que comecei como garçonete, e não parei mais”, recorda.

O primeiro trabalho foi como cumim, desempenhando a função de auxiliar do garçom no atendimento ao cliente, além de organizar mesas e utensílios e na limpeza do salão, entre outras tarefas. “É quando você ingressa na área, ainda sem saber muita coisa e o dono do restaurante avalia se você tem potencial, para ir subindo na profissão”, explica. Depois, passou para garçonete e chefe de garçons até chegar à maîtreria.

Teve experiências nos restaurantes Casaretto (italiano); por uma danceteria e restaurante e pelo Tiboni, entre outros estabelecimentos, até chegar à casa atual, onde está, há dois anos. Ao longo desses 20 anos de profissão, ela jamais ficou desempregada e adquiriu formação diretamente nas próprias casas em que trabalhou. “Algumas deram oportunidades, outras tinham profissionais capacitados, traziam e ainda trazem profissionais e oferecem cursos para os seus funcionários”, destacou.

Como atua com processo de seleção, ela alerta que hoje há oferta de vagas, mas nem sempre se encontram pessoas capacitadas para assumir esses postos. Por isso, enfatiza, é importante que o profissional tenha iniciativa em buscar capacitação e aperfeiçoamento. “Na época em que comecei, um garçom servia uma mesa, levava bebidas, pratos, e isso era suficiente. Mas um garçom de hoje não faz apenas isso, não é apenas um atendente. Ele tem que estudar, se preparar, buscar conhecimento. É tão legal quando um cliente chega até você e reconhece porque você conseguiu desenvolver e entregar bem um serviço”, destaca.

RECONHECIMENTO
A longevidade na profissão, ela atribui a muita dedicação, ter responsabilidade, ser uma pessoa proativa e ter, sobretudo, amor pelo que faz. “Porque, se você não gostar do que faz e gostar dessa área, você não fica. Quando se tem confiança, você pode estar desempenhando todas as funções, abrindo vinho, recepcionando o cliente, indicando prato, recebendo uma conta, que tudo flui”, comenta.

Conhecida pela maioria dos clientes como Jô, ela tem no celular centenas de números no What’s App. “São clientes que me ligam, pedindo mesa; inclusive, alguns, eu atendo exclusivamente, porque são clientes que já têm confiança e a gente atende com muito carinho. É um abraço, um beijo que você recebe já na entrada do restaurante e você sabe que isso é um sinal de reconhecimento pelo serviço que você presta”, conta, com simplicidade.

No mês passado, o reconhecimento também se tornou público: em sessão solene na Câmara Municipal de Campo Grande, Josiane foi uma das 45 profissionais homenageadas em alusão ao Dia Municipal do Garçom, instituído em 5 de julho (em calendário oficial, a data é comemorada anualmente em 11 de agosto). Com um detalhe: apenas quatro mulheres, ao todo, faziam parte do grupo agraciado.

“O que eu tenho, devo a essa profissão. A minha casa, a educação da minha filha mais velha, de 22 anos, que fez faculdade e hoje é formada em Matemática”, diz a maître, também mãe de outra menina de 13 anos. 

Assim como a maioria dos campo-grandenses, Josiane torce pela retomada do desenvolvimento da cidade. “Estão faltando restaurantes e empresários para investir nessa área”, acredita. Já no campo pessoal, um sonho, por enquanto ainda sem prazo para sair “do papel”, é voltar a estudar. Lá atrás, ao iniciar a profissão como garçonete, ela chegou a cursar por três meses a faculdade de Ciências Contábeis, mas por motivos financeiros teve que interromper os estudos. 

 
  • Valdenir Rezende / Correio do Estado
  • Valdenir Rezende / Correio do Estado
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