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terça, 19 de fevereiro de 2019 - 05h48min

SAÚDE PÚBLICA

Com vagas em aberto, Sesau já chamou 269 médicos este ano

Em pouco mais de um mês foram feitas três convocações

13 FEV 19 - 09h:33NATALIA YAHN

A falta de médicos em Campo Grande, dispostos a atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) nas unidades de saúde do município, é cada vez mais evidente. Em 36 dias a prefeitura fez três convocações de profissionais de diversas áreas para atuarem em diferentes setores da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Até ontem (12), 269 médicos foram chamados para ocuparem uma vaga no atendimento ambulatorial, emergência, psiquiatria, Centros Regionais de Saúde (CRS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Mesmo com tanta necessidade, o secretário Municipal de Saúde Marcelo Vilela diz que não consegue preencher as vagas em aberto. “Desde 2017 estamos com processos em aberto e não conseguimos finalizar. Chamamos constantemente os médicos, mas nem todos se apresentam, assumem para iniciar o trabalho”.

Enquanto isso o prefeito Marcos Trad (PSD), tem feito vistorias “surpresas” nas unidades. Na segunda-feira (11) ele esteve no CRS Tiradentes e na UPA Coronel Antonino para verificar se os médicos cumpriam as escalas e os pacientes estavam sendo atendidos. “O problema não é ausência de médicos, eles estão indo trabalhar. A reclamação maior é no atendimento lento”, disse. 

Para quem depende do serviço público de saúde, a opinião é diferente. “A gente vai nos postos 24 horas e não tem médico, é mal atendido já na triagem, as enfermeiras nem perguntam nosso nome. A gente tem que esperar elas ficarem mandando mensagem no celular”, diz a dona de casa Arlene Flores Benitez, 57 anos.

Moradora do Portal Caiobá há 30 anos, ela relata que durante a reforma da Unidade Básica de Saúde que ontem foi reinaugurada como Clínica da Família após mais de um ano em obras, a busca por atendimento foi penosa. “A gente tinha que ir no Coophavila II ou na UPA do Jardim Leblon. Era sempre cheio de gente. Um dia cheguei e tinham pessoas esperando desde às 14h e só foram atendidas 19h”.

Além da demora, a falta de médicos também é um problema confirmado pela população. “Durante a reforma do posto do Caiobá a gente foi transferido  para o posto da Vila Fernanda. Lá não tinha médico para atender todo mundo. Eu sou hipertensa e preciso de medicamento com regularidade. Então foi um transtorno para conseguir ser atendida”, disse Vera Regina de Arruda, 60 anos.

A proposta da Clínica da Família que ontem teve a segunda unidade entregue - a primeira, no Nova Lima, passou a funcionar em agosto do ano passado - tem algumas diferenças na forma atual de operação. O local vai atender demanda espontânea, assim como os 24 horas, sem necessidade de marcar horário. Além disso, o funcionamento é das 7h às 19h, pelo menos 2h30 a mais já que os postos encerram o expediente por volta das 16h30 e não atendem sem agendamento. 

A previsão da Sesau é de implantar pelo menos uma unidade em cada região da Capital, com exceção da área central. As demais quatro Clínicas das Famílias devem começar a funcionar até 2020. Já o atendimento com horário estendido deve ser implantado em todas as unidades até junho, de acordo com a Sesau.

INVESTIGAÇÃO 

Apesar de anunciar - no dia 28 de janeiro - que abriria sindicância para investigar os médicos que faltam ao trabalho, a prefeitura ainda não confirmou a medida. Até agora os aparelhos de ponto eletrônico nas unidades de saúde parecem não ter surtido efeito.

O maior alvo de queixas são os plantões oferecidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Atualmente, apenas a rede municipal de atenção básica conta com 252 médicos, sendo 136 lotados nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), 103 nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e 13 nos Núcleos de Apoio a Estratégia de Saúde da Família (NASF).

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