Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

Saúde

Capital tem mais estabelecimentos de urgência e emergência do que precisa

Secretário Nelson Tavares defende o fechamento dessas unidades

18 AGO 2017Por Lucia Morel10h:25

Com 13 portas de entrada para atendimento de pacientes graves - seis Unidades de Pronto Atendimento, quatro Centros Regionais de Saúde e três hospitais -, Campo Grande tem mais estabelecimentos de urgência e emergência do que realmente precisa.

É o que acredita o secretário de saúde do Estado, Nelson Tavares, que defende também o fechamento de algumas dessas unidades para que recursos mal alocados nelas, possam ser usados onde há solução efetiva dos problemas de saúde da população, como a Santa Casa, por exemplo.

Durante evento de comemoração dos 100 anos da Santa Casa de Campo Grande, ele afirmou que “muitas unidades não têm a resolutividade e temos 13 portas abertas, o que não condiz com o tamanho da cidade”, avalia.

Para Tavares, parte da solução seria reduzir o número de portas abertas, principalmente as que apresentam menor resolutividade. 

“A palavra em saúde não é atendimento, é resolutividade. As unidades sem resolutividade precisam ter suas forças realocadas e desempenhar um papel diferente”, acredita.

A Santa Casa , por sua vez, na visão de Tavares, é “peça chave nessa reestruturação”. Ele avalia que é preciso “realocar recursos dos locais onde os recursos são mal direcionados onde não tem resolutividade e ter coragem de fazer esse enfrentamento”.

Quanto a maior repasse do Estado à Santa Casa - hoje, ao mês, governo estadual transfere R$ 2,5 milhões ao hospital -, o secretário lembrou que o governo federal já afirmou que não há dinheiro novo para a saúde e nem para outros setores, como educação e segurança pública. 

“Por isso é preciso mais respeito ao recurso aplicado na saúde. O olhar tem que ser de eficiência. Basta de consertar a ineficiência do sistema com mais dinheiro. Basta de extorquir o coletivo para consertar a ineficiência dos setores públicos”, afirmou.

MUNICÍPIO 

O secretário municipal de saúde, Marcelo Vilela, no mesmo evento, afirmou que fechar portas na urgência e emergência não é possível até que atenção básica esteja estruturada e funcionando perfeitamente.

“Essa é uma questão complexa, não é tão simples. Quando você vai nos bairros, você percebe que a urgência supre a falta da atenção básica ali. Por isso estamos trabalhando pra fortalecer a atenção básica”, sustentou.

Vilela também ressaltou que ainda este ano deve ser lançado o Programa Clínica da Família, que visa fortalecer as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), transformando-as em Saúde da Família (UBSFs) e destinando mais profissionais a esses locais. 

Na semana passada, Vilela comentou da dificuldade em manter médicos nas unidades básicas. De 317 médicos que se inscreveram no processo de seleção para fazer parte do quadro da prefeitura de Campo Grande, apenas 40%, que corresponde a cerca de 126, ingressaram no serviço de saúde municipal.

 
  • Valdenir Rezende / Correio do Estado
  • Valdenir Rezende / Correio do Estado
  • Valdenir Rezende / Correio do Estado
  • Valdenir Rezende / Correio do Estado
  • Valdenir Rezende / Correio do Estado

Leia Também