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Campo Grande - MS, segunda, 10 de dezembro de 2018

Escola sem Partido

ACP emite nota de repúdio após confusão em audiência pública

Professores teriam sido agredidos verbal e fisicamente na Câmara Municipl

20 OUT 2017Por GLAUCEA VACCARI18h:36

Depois de confusão entre professores e a deputada estadual Mara Caseiro (PSDB) que acabou com suspensão da audiência pública “Escola sem Partido”, que seria realizada ontem na Câmara Municipal de Campo Grande, o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) divulgou nota de repúdio afirmando que professores sofreram agressões durante a audiência.

Audiência pública estava marcada para às 13h30 de ontem, no plenário da Câmara Municipal de Campo Grande, mas foi suspensa antes de começar. Professores se indigaram e não aceitaram termos como a deputada, que presidia a mesa, se referiu à categoria, os chamando de "arruaceiros", e se manifestaram, segundo informou o presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Jaime Teixeira. 

Além disso, conforme a ACP, houve agressão física e verbal aos professores por parte dos manifestantes. 

Segundo a nota de repúdio, quando professores manifestavam-se contra o Projeto de Lei Estadual nº 191/2017, que visa instituir o programa 'Escola sem Partido', um coronel do Exértico estaria falando palavrões contra os professores, ao lado de outras pessoas que pediam respeito à família. “Como se os educadores deste país fossem a grande ameaça ao bem da nação e da família brasileira”, diz a nota.

Ainda segundo a ACP, quando a assessora de comunicação do sindicato direcionou a câmera para registrar a cena, teria sido agredida verbal e fisicamente pelo coronel, com palavrões, um tapa e empurrão, com apoio de outros manifestantes que mandavam a jornalista “ir lavar roupa”.

“ Que lógica é essa? A começar por um projeto intitulado "Escola sem Partido", mas que é proposto por agentes políticos, partidários, detentores de mandatos parlamentares. O professor não pode apresentar seu conteúdo promovendo a contextualização e o debate sobre política, sexualidade, gênero, religião? A escola não pode ser o espaço para o encontro com a diferença? Mas, agredir mulheres pode? Incitar o machismo, o racismo, a lgbtfobia pode? Condescendência com a cultura do estupro e o feminicídio pode? Professores (as) contextualizarem o dia 8 de março, relatando a história do movimento feminista, jamais! Triste realidade”, diz a nota.

ACP afirma que já tomou providências para responsabilizar o agressor.

POLÊMICA

Na manhã de ontem, parlamentares debateram o tema polêmico na Assembleia Legislativa. 

O projeto prevê que banners e/ou faixas fiquem expostos dentro de salas de aulas e também em paredes das escolas para que todos fiquem ciente de que os professores não podem defender nem constranger alunos com suas opiniões moral e políticas. Professores também não poderão mobilizar e fazer propaganda político partidária, se o projeto for aprovado.

“Evidente que professores não têm o direito de fazer propaganda nem incitar alunos a fazer passeatas. Estudantes não podem ser refens das opiniões”, afirmou o procurador. 

Porém, opositores ao projeto consideram a proposta inconstitucional. No ano passado, a chamada de “Lei da Mordaça” foi proposta pelo ex-vereador e atualmente deputado estadual Paulo Siufi (PMDB) e chegou a ser aprovada, mas foi vetada pelo ex-prefeito Alcides Bernal (PP), após muita polêmica. 

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