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VIOLÊNCIA

Campo Grande registra, em média, oito casos de estupro de crianças por dia

Especialista orienta a prestar atenção nos sinais e denunciar

16 JUN 19 - 07h:00EDUARDO PENEDO

Mudança de humor, sexualidade aflorada, medo de adultos, ansiedade, depressão. Esses são alguns dos sintomas apresentados por crianças que sofreram violência sexual. Campo Grande registra pelo menos oito casos dessa violência por dia. De 2018 até 27 de maio de 2019 foram registrados 620 casos em Campo Grande e, no Estado foi contabilizado 1.901 casos, segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). No mesmo período, o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul (TJMS) já julgou, com e sem mérito, 1.449 casos de estupro de vulnerável. 

Segundo a delegada titular da Delegacia de Especializada de Proteção à Criança e Adolescente (DEPCA), Anne Karine Trevisan a média mensal de atendimento de casos de estupro de vulnerável na delegacia é de 240, o que equivale a oito atendimentos por dia. Questionada se houve um aumento no caso de violência sexual infantil, Anne Karine explica que não aumentaram os casos, mas as denúncias. “Sempre foram esses. Aumentou a procura pela Delegacia, as pessoas passaram a ter conhecimento do que realmente é abuso sexual e a não tolerar ser submetida a essa violência”, explica a delegada. 

Anne comenta que tem vários casos que ela atende na DEPCA que a chocam. Um dos casos recentes atendidos na delegacia foi de um pai que abusou sexualmente por alguns anos de três filhas, uma enteada e uma sobrinha e, durante as investigações os policiais descobriram ainda que ele tinha um mandado de prisão em aberto no Paraná, também por crime sexual.

“Esses crimes sempre chocam, mas procuro pensar que se tomei conhecimento, é porque tenho o dever de fazer algo para acabar a violência contra aquela vítima. Dar proteção integral à criança e ao adolescente. Eu penso que o propósito de estar na DEPCA é para ajudar, salvar, socorrer crianças e adolescentes e ser a voz deles quando procuram ajuda”, conta.

Segunda a promotora de Justiça Fabrícia Barbosa Lima, que atua no Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e da Juventude do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, a violência sexual infantil é normalmente praticada por pessoas próximas como pais, tios, primos e irmão e a população em geral deve denunciar ao menor indicio. Há meios, como o disque 100, onde se pode fazer denúncias anonimamente caso a pessoa suspeite de alguma violência contra a criança. 

A promotora explica que tem vários sinais  que as pessoas podem verificar em um caso de violência sexual infantil, como um ‘grito de socorro da criança’. “Normalmente, a vítima apresenta alguns comportamentos que são, na verdade, um grito de socorro. Tristeza, apatia, medo, ansiedade, isolamento, comportamento sexual precoce para a idade, dentre outros, são sinais de alerta. É necessário prestar atenção na criança.  Profissionais da educação e da saúde têm a obrigação de agir em caso de maus-tratos contra criança ou adolescente, sob pena de serem responsabilizados pela omissão”, explica.  

Fabrícia Lima, que trabalha há vários anos com crianças e adolescentes, lembra de um caso que a chocou de uma mãe que acobertou a violência que o companheiro fazia com a filha. “Já aconteceu de a mãe acobertar o companheiro abusador da filha em comum, deixando de denunciá-lo e, quando os fatos vieram à tona, através de uma professora que percebeu o comportamento diferente da vítima na escola, a mãe tentou atrapalhar a apuração da verdade, mentindo e omitindo graves fatos. Acabou sendo presa também e perderam o poder familiar. A criança foi adotada.  É muito triste ver que quem deveria proteger aquela criança foi o violador de direitos, com a conivência da mãe.  Esses fatos sempre nos marcam negativamente”, conta a promotora. 

Esse foi o caso da psicóloga Maria Euvira de Guimarães Casttro, 25 anos, que sofreu violência sexual dos cinco aos 12 anos dos tios e do pai, mas pela ajuda de professores que denunciaram o caso à polícia conseguiu sair de casa e ser adotada por uma família. “Eu sofri muito e calada. Minha mãe biológica sabia e não fazia nada. Uma professora que me ajudou. Graças a Deus eu fui adotada e a minha família de verdade de coração me deu todo apoio. Tive psicólogo, psiquiatra. Tive toda a ajuda demorei muito para me relacionar com homens, mas consegui superar me tornei psicóloga e ajudo voluntariamente crianças que sofreram como sofri”, finaliza.

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