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CLIMA SECO

Bombeiros registram 80 casos
de queimadas por dia na Capital

Fogo em lixo e terrenos baldios é principal causa de incêndios na região urbana, segundo os bombeiros

14 JUN 19 - 10h:00EDUARDO PENEDO

A falta de conscientização ao se colocar fogo em terrenos está causando inúmeros problemas, tanto à população quanto para o meio ambiente. Só nesta semana, o Corpo de Bombeiros atendeu de 70 a 80 solicitações de queimada por dia, em Campo Grande.

Quem sentiu isso na pele foi o autônomo Marcelo Trindade Venâncio, 48 anos, morador do Bairro Aero Rancho, que sofreu com um incêndio próximo de sua casa, localizada na Rua Globo de Ouro com a Travessa Rio Apa, onde a fumaça tomou conta de parte do bairro. “Não sei quem foi o ‘abençoado’ que jogou fogo aqui na quadra, mas tomou conta de tudo. Foi uma fumaceira que doía os olhos e rasgava o pulmão quando você tentava respirar”, explica.

Venâncio argumenta que tem filhos pequenos e a sua mãe tem problemas respiratórios, por isso, com essas queimadas, o estado de saúde só piora. “Eu vi a fumaceira e já fui fechando as portas e janelas, pois tomou conta de todo o bairro. Não dava para ver um palmo na frente do rosto”, conta. 

Segundo o subtenente Santiago Silva Junior, o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) atendeu nesta semana 70 a 80 solicitações por dia, aproximadamente, para conter queimadas. Ele explica que cerca de 90% das queimadas são provocadas pela população e, com esse tempo seco, o fogo se espalha mais rápido. “Nesse período de feriado, quando as pessoas estão em casa, aproveitam para limpar suas casas e terrenos e acabam colocando fogo no lixo. Isso é uma prática cultural que a população adota desde a época em que as pessoas moravam em fazenda”, avalia. 

O militar explica que no mês de agosto, quando a incidência de incêndio florestais e urbano cresce, o Corpo de Bombeiros colocará três guarnições extras contendo três militares cada uma, só para atender casos de incêndio.

Ele ressalta que a população pode denunciar se presenciar uma pessoa colocando fogo, podendo filmar e tirar foto da situação para servir como prova. “Um dos maiores problemas que temos, além de ser uma prática cultural colocar fogo, é que muitas vezes a pessoa que vê o outro colocando fogo em terrenos ou em lixo não quer se indispor com o vizinho”, explica. 

NÚMEROS

Em 2018, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul combateu mais de 2.300 focos de incêndios em vegetação (zona urbana e rural) em Campo Grande. Esse número equivale a um aumento de 20% em comparação a 2017. Ainda em 2018, o município atendeu quase 60 mil ocorrências médicas decorrentes de problemas respiratórios. Esse número equivale a mais de 160 casos atendidos diariamente, somente na rede pública de saúde.

A região da Capital com maior incidência de atendimentos médicos decorrentes de problemas respiratórios no ano passado foi a Região Urbana do Bandeira, com mais de 15 mil atendimentos. 

AGOSTO LARANJA

A campanha, que faz parte do Comitê Municipal de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e Urbanos de Campo Grande, conta com 17 órgãos e entidades que visam educar e prevenir incêndios. A menção a agosto é porque tradicionalmente é o mês considerado de maior registro de focos, mas as ações iniciam-se antes e terminam depois deste mês-referência. 

A integrante do comitê e chefe da Divisão de Meio Ambiente da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), Mariana Massud, explica a escolha da temática desta edição da campanha. “Este ano, abordaremos a relação das queimadas urbanas com a saúde da população. Sabemos que ano passado a rede pública de saúde atendeu quase 60 mil ocorrências médicas decorrentes de problemas respiratórios. Esse dado comprova a importância de agirmos nesse sentido de conscientizar a população dos problemas causados com os incêndios”.

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