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PERIGO

Ataques de escorpiões crescem 621% em seis meses na Capital

No ano passado, foram 663 casos, e saúde alerta para perigo e medidas que devem ser adotadas

22 FEV 19 - 06h:00RENATA VOLPE

Os incidentes com escorpiões cresceram 621% em Campo Grande em um período de seis meses. Em junho do ano passado, durante o inverno, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) registrou 14 casos. Já em janeiro deste ano, foram 101.

A médica veterinária do CCZ, Juliana Resende Araújo, explica que a diferença é por conta do clima. No frio, os escorpiões não desaparecem, mas como não tem muito alimento e matérias orgânicas, eles não saem dos locais onde ficam escondidos.

A frequência de aparecimentos aumenta no verão, por causa do crescimento de produção de material orgânico que acarreta no número de proliferação de baratas, seu principal alimento.

Dados do CCZ apontam foram registrados 20 incidentes em agosto do ano passado, 26 em setembro, 44 em outubro, 47 em novembro e 71 em dezembro. Em 2018 casos de acidentes com animais peçonhentos chegou a 873 na Capital - incluindo abelhas, cobras e aranhas -, destes 633 foram provocados por escorpiões.

ATENÇÃO

A médica-veterinária do CCZ explica que o aparecimento de escorpiões ocorre durante todo o ano, mas, em épocas de maior índice pluviométrico e de maior temperatura, de outubro até fim de março, a frequência aumenta. “Em janeiro, foram 101 incidentes, mas nem todos são notificados, o que pode aumentar esse número”, disse.

Juliana afirma que nem todas as pessoas procuram as unidades de saúde quando são picadas, o que gera situação de risco. “Existem pessoas que podem ter alguns comprometimentos em relação ao sistema cardiovascular, aumento de pressão, por causa da ação do veneno”, avaliou.

Em Campo Grande, são comuns duas espécies de escorpião, ambas de cor amarela. Um deles tem o veneno mais potente e é fácil de ser encontrado em bairros próximos do Córrego Segredo, como Monte Castelo, Vila Jacy, Vila Corumbá, entre outros.

Conforme a médica-veterinária, não é possível visualmente diferenciar um do outro. “A diferença de um para outro é a coloração, sendo um mais escuro que o outro, mas visualmente não se identifica a diferença”, explicou.

De acordo com Juliana, os escorpiões, quando se sentem ameaçados, ficam imóveis e a pessoa que o encontra pode achar que ele está morto. “É aí que ele pica, principalmente na mão. É importante nunca colocar a mão perto dele. É importante conversar com as crianças e explicar que, mesmo quando o escorpião estiver parado, não se deve colocar a mão, pois ele pode ferroar”.

ESCONDERIJO

A veterinária conta onde esses animais ficam escondidos. “Os acidentes acontecem mais com as donas de casa, porque eles gostam de lugar escuro e úmido. Nesse tempo chuvoso, eles saem e são mais fáceis de serem encontrados. Com as donas de casas, acometem as mãos, porque eles saem da tubulação de esgoto e podem ficar na esponja de lavar louça ou no pano de chão. Escorpião não bebe água, então ele fica no local úmido para absorver”.

Entre as recomendações, estão a instalação de tela nos ralos, não manter entulho e limpar o quintal. Conforme a veterinária, a melhor forma de combater escorpião é limpando o quintal. “Mas não adianta o seu quintal limpo, tirar os entulhos e jogar no terreno ao lado, que é o que acontece normalmente. Além de abrigar escorpião, abriga rato, cobra, água acumulada, que serve de criadouro. O cuidado é simples e básico”.

O CCZ trabalha até as 21h para atender a esse tipo de ocorrência. Caso tenha escorpião na sua casa, é importante entrar em contato com o centro de zoonoses, para receber recomendação. O telefone é 3313-5026. 

ARACNÍDEO 

Em apenas 50 dias, entre 1° de janeiro e 19 de fevereiro deste ano, o Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox), da Secretaria de Estado de Saúde (SES), registrou 367 ataques de animais peçonhentos nos municípios de Mato Grosso do Sul, 186 apenas de escorpião.

No ano passado, foram 3.554. Deste total, 2.145 foram de escorpião. Os demais incluem abelha, aranha, cobra e até lagarto.

A maior parte dos registros foi na Capital, apesar de divergências nos dados apresentados pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), com 873 casos, 663 apenas de escorpiões.

O município de Paranaí­ba, a 407 quilômetros da Capital, foi o segundo com mais casos registrados, de acordo com o Civitox. Lá foram 390 ataques de animais peçonhentos diversos, 294 somente de escorpião.
Este ano, 42 municípios do Estado ainda não registraram casos com o aracnídeo, enquanto, no ano passado, apenas onze não tiveram registros. (Natalia Yahn)

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