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EDUCAÇÃO

As crianças precisam ser desafiadas, diz Temple Grandin, embaixadora dos autistas

Para norte-americana, antes de verificar a necessidade de um professor, é necessário um correto diagnóstico

26 SET 19 - 17h:46EDUARDO MIRANDA

Psicóloga e zootécnica, a norte-americana Mary Temple Grandin esteve nesta quinta-feira (26) em Campo Grande para mostrar suas técnicas revolucionárias de comportamento do rebanho bovino, mas também por outra fator que, assim como o primeiro, a torna mundialmente conhecida: o autismo, e forma como lida com esta característica. Para Grandin, o acompanhamento do autista em idade escolar por professor exclusivo, depende muito do grau de autismo da criança ou do adolescente. “O que as crianças realmente precisam (com ou sem autismo) é de serem desafiadas”, afirma a norte-americana. 

Grandin cumpre, nesta quinta e sexta-feira, agendas em Campo Grande que vão desde a treinamentos de trabalhadores da pecuária, visando o bem-estar animal, e também em eventos em universidade e em uma empresa da área de nutrição, onde falará sobre o autismo e as técnicas que desenvolveu em seu trabalho, mas também para potencializar suas virtudes e superar suas limitações. 

A norte-americana observa que o grau de autismo de uma criança é essencial para saber da necessidade de ela ser assistida a todo instante por um especialista em sala de aula. “Os menos afetados poderão estudar normalmente, já outros, com autismo mais severo, vão precisar de professor”, argumenta. “O que não podemos é generalizar”, complementa.

Psicóloga ao lado do tradutor (Foto: Eduardo Miranda)

DIAGNÓSTICO CORRETO

Temple Grandin lembrou de seu caso. Aos 3 anos de idade ela não conseguia falar, mas que, com a identificação de suas características, conseguiu passar de um grau severo de autismo, para um grau mais leve. Isto permitiu que ela frequentasse a escola. 

Duas coisas foram determinantes para Grandin superar os efeitos do autismo: a primeira delas, sua criatividade e força de vontade. Isto fez com que ela criasse a mundialmente famosa “máquina do abraço” (que ela desenvolveu para atenuar a tensão e reduzir o desconforto enquanto ela fazia as atividades cotidianas).

A segunda foi a terapia com uma professora, que utilizou os estímulos por meio de jogos de raciocínio lógico, e ajudou na melhora de sua cognição e interação coletiva. 

“Por isso, mais importante do que estar acompanhada por um professor, o fundamental é o diagnóstico correto”, explica Grandin. Conforme a especialista - que também é uma embaixadora do autismo em todo o planeta - a identificação das características de cada pessoa com o transtorno é determinante para explorar os dons que praticamente todos elas têm. Temple Grandin, por exemplo, tem o dom visual. “Pessoas assim têm mais facilidade com arte, figuras, arquiteturas, animais... Há também aqueles mais qualificados para a matemática, e outros para as linguagens”, explica. 

ALBERT EINSTEN, STEVE JOBS...

Sempre quando se aborda o transtorno do espectro autista, Grandin não fala somente de si ao citar exemplos de superação. Ela cita outros nomes, como o do físico Albert Einsten (que assim como ela, só aprendeu a ler aos três anos), Steve Jobs (fundador da Apple e inventor do iPhone) e também menciona outro personagem que, embora não fosse autista, tinha suas limitações: o físico Stephen Hawking.

É por isso ela lembra da necessidade do desafio. “Se tem algo que o autismo nos faz, é nos deixar teimosos. Na década de 1970, eu fui trabalhar em uma fábrica no Colorado, só de homens. Por ser uma mulher, eu tinha de ser três vezes melhor que um homem. Acredite, isso era até mais atípico, na época, que o autismo”, comenta. 

A vida de Grandin foi tema de um filme, lançado em 2010, que leva o nome dela. Naquele ano a produção venceu cinco dos sete prêmios Emmy ao qual foi indicado.

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BEM-ESTAR

Temple Grandin, bacharel em Psicologia, e com mestrado em Zootecnia, revolucionou a indústria pecuária em todo mundo, com suas técnicas que visam o bem-estar animal. O autismo, diga-se de passagem, foi fundamental para que ela desenvolvesse seus equipamentos e instalações capazes de reduzir o pânico dos bichos. Ela projetou corredores e mangueiros em caminhos curvos (em que os animais não vêem o fim do caminho e ficam menos assustados), entre outras soluções para que o estresse animal, fosse o menor possível. 

Grandin, assim como outros autistas, podem ter crises de pânico em algumas situações. A sensibilidade dela e a vulnerabilidade para situações de estresse, inspirou outras técnicas que proporcionam bem-estar animal. 

Ontem, a zootécnica norte-americana esteve na maior unidade do JBS Friboi de Campo Grande. Lá, ela conferiu se unidade atende as técnicas de bem-estar animal antes do abate. “Da primeira vez que vim ao Brasil, as técnicas aqui melhoraram muito”, comentou.

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