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DEPOIS DE PROTESTO

Juiz manda acusado de matar motorista de Uber voltar para o presídio

Magistrado afirma que não havia nos autos informação de que acusado era suspeito de homicídio

23 OUT 19 - 20h:13GLAUCEA VACCARI E FÁBIO ORUÊ

Após protestos de familiares, amigos e colegas de profissão por conta da soltura de Igor Cesar de Lima Oliveira, de 22 anos, acusado de matar o motorista de aplicativo Rafael Baron, 24 anos, o juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal, determinou que o acusado retorne à prisão.

Igor estava preso por um roubo de celular cometido em julho de 2015. De acordo com o autos do processo, a ordem de liberação está valendo desde o último dia 16 e foi expedida pela 2ª Vara de Execução Penal, após manifestação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Magistrado que determinou a progressão da pena, Coimbra Neto afirmou, em despacho na tarde desta quinta-feira (23), que não havia qualquer informação sobre o acusado também ser suspeito do assassinato do motorista de aplicativo e que apenas após o clamor popular tomou conhecimento de que ele cometeu novo crime.

Conforme o magistrado, o juízo atua a partir de informações que constam dos autos. Ele considerou estranho o fato de as autoridades policiais não terem noticiado a ocorrência de novo crime, de tamanha gravidade.

“Assim, diante da notícia da prática de fato definido como crime doloso no decorrer do cumprimento da pena, suspendo o regime prisional em que se encontra, e pela gravidade do fato, decreto a regressão cautelar de regime prisional, devendo ser mantido intramuros em regime semiaberto até ulterior de liberação”, disse o juiz na decisão.

PROTESTO

Família, amigos e colegas de profissão de Rafael Baron, morto em maio, foram às ruas no fim da manhã de hoje (23), na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, após descobrirem que o assassino estava em liberdade. Igor Cesar de Lima Oliveira, de 22 anos, que estava preso desde o dia 16 de maio, foi visto na Avenida Júlio de Castilho por um amigo da mulher de Rafael, Karinne Pereira, de 25 anos. Ele estava andando na Avenida Júlio de Castilho. 

Surpresa com a soltura, a mulher se sentiu menosprezada diante da decisão judicial. Ela ligou para um advogado e confirmou a progressão de regime.“Ele está solto vivendo a vida dele; a família dele deve estar feliz, enquanto a minha chora todos os dias”, disse ela ao Correio do Estado. “Eu senti como a vida de uma forma não tivesse valido nada; uma injustiça”, completou. 

Manifestação reuniu cerca de 100 carros na Afonso Pena, demonstrando a insatisfação da categoria. O ato começou nos altos da avenida, com o acompanhamento da Polícia Militar (PM). Os veículos foram até a Rua da Paz, onde fica o Fórum da Capital.

CRIME 

No dia 13 de maio deste ano, Igor chamou o serviço de Rafael por aplicativo, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leblon, onde havia levado a esposa que passou mal - Na época ela estava grávida de quatro semanas. Polícia Civil informou que a vítima era motorista de Uber, mas assessoria de imprensa da empresa informou que ele não tem cadastro na plataforma. 

A mulher havia sofrido um acidente de moto e estava com uma tipóia no braço. Então, Rafael teria feito perguntas sobre o acidente, motivo pelo qual Igor teria ficado enciumado e mudado de atitude durante o trajeto, como contou a moça ao delegado. O suspeito estava no banco do passageiro e a esposa na parte de trás.

Ao chegar no condomínio Reinaldo Buzanneli, no bairro Campo Nobre, Igor desceu rapidamente do carro e pulou a janela da casa onde mora, no mesmo momento em que a esposa ficou pagando a corrida. Ela disse ter visto o marido entrando da forma estranha e depois saindo com a arma na mão. Rafael estava aguardando pelo dinheiro da corrida, quando foi atingido à queima roupa no braço e no pescoço. Nesse momento, a vítima, que estava em um veículo Gol, teria tentado fugir, mas bateu em dois veículos estacionados e um princípio de incêndio se iniciou. 

Três dias depois do crime, Igor se apresentou na delegacia junto com um advogado. “Ele disse que o comportamento do rapaz [vítima] foi inapropriado e suficiente para ele perder o controle. Chegando no apartamento, ele correu, pegou a arma de fogo e foi lá e efetuou os disparos. Ele disse que não deu mais disparos porque tinha apenas duas munições”, explicou o delegado Ricardo Meirelles na época, responsável pelo caso. Igor foi indiciado pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil, com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Ele permaneceu preso por conta de uma ordem de prisão em aberto pelo roubo de 2015. 

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