EM CARTA

Antes ameaçada, testemunha <br>muda versão e defende guardas

Delegado classificou carta como "desespero da defesa"
12/06/2019 15:16 - LUANA RODRIGUES


 

Testemunha chave no inquérito que apura a formação de um grupo de extermínio em Campo Grande, a esposa do guarda municipal Marcelo Rios, 42 anos, que não terá o nome divulgado, mudou a própria versão quanto a supostas ameaças que teria recebido de colegas do marido, a mando de um líder da organização criminosa. 

Em carta anexada pela defesa de Robert Vitor Kopetski e Rafael Antunes Vieira, em processo no Tribunal de Justiça, a mulher nega que tenha sido ameaçada e acusa um dos delegados responsáveis pelo caso de manter ela e os filhos, de cinco e sete anos de idade, em condições inadequadas, na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras). O documento foi apresentado à 2ª Câmara Cível ontem, em resposta a um recurso interposto pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que pede a suspensão da liberdade provisório dos dois guardas, além do segurança Flávio Narciso Morais Silva, por “perigo à vida de testemunha”.

Procurado pelo Correio do Estado, o delegado Fábio Peró classificou a carta como um ato de desespero da defesa dos suspeitos. “A verdade virá a tona. Isso não passa de manobras ardilosas da defesa. Mas contra fatos e provas técnicas, cartinhas não prosperam”, afirmou.

Na carta,  a esposa de Rios diz que não sente a própria vida e nem integridade física ameaçada pela liberdade do trio. “Também declaro que nenhum dos três tentou ou manteve contato comigo após serem soltos pela justiça. Por fim, declaro que estou a inteira disposição da justiça, do Ministério Público e de qualquer outra autoridade para prestar esclarecimentos a respeito das condições em que foi tomado o meu depoimento na sede do Garras”, escreveu.

No processo, a defesa dos suspeitos afirma que houve “premissa equivocada” por parte do Gaeco e  informa que a mulher de Rios apresentou representação na Corregedoria Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul contra a autoridade policial responsável pela sua inquirição em depoimentos prestados à Polícia Civil, no caso, o delegado Fábio Peró.

Em outro documento, este direcionado à Corregedoria da Polícia Civil, a mulher alega que foi mantida em cárcere privado na delegacia por quatro dias, juntamente com os filhos, que agora apresentam “profundos traumas psicológicos” por terem visto o pai algemado, entre outras situação de “violência velada”.

RELEMBRE O CASO

No dia 19 de maio, policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, apreenderam dezenas de armas de grosso calibre em poder do guarda municipal Marcelo Rios, 42 anos, no Bairro Monte Líbano, em Campo Grande. No local, a polícia encontrou dois fuzis AK-47, quatro fuzis calibre 556, duas espingardas calibres 12 e 22, 17 pistolas e um revólver calibre 357. 

Além das armas de fogo, foram apreendidos supressores de ruídos (silenciadores), diversos carregadores e munições. Um veículo com restrição criminal por roubo/furto também foi apreendido no local.

A prisão em flagrante de Rios acabou convertida em prisão preventiva, durante audiência de custódia realizada na segunda-feira (20), no Fórum da Capital. 

No dia 22 de maio, com o desdobramento das investigações, policiais fizeram a prisão de mais dois integrantes da Guarda Municipal e um terceiro envolvido, suspeitos de envolvimento no caso. Conforme as investigações, os três são suspeitos de planejarem o sequestro e cárcere privado da mulher do colega preso com o arsenal. Eles foram autuados por obstrução de Justiça.

A suspeita da polícia é da existência de uma organização criminosa por trás do esquema das armas e que, com o sequestro, o grupo tinha o objetivo de impedir possível delação por parte de Rios. Para coagi-lo, os criminosos teriam planejado e encomendado a ação contra a esposa dele.

Declaração de próprio punho feita pela testemunha
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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".