EDUCAÇÃO

Ano letivo começa sem professores e materiais

Pais contam que em 2019 turmas ficaram o ano todo sem livros
14/02/2020 11:00 - Daiany Albuquerque


 

O ano letivo nas escolas municipais de Campo Grande começou oficialmente no dia 6, mas uma semana se passou e ainda não há professores suficientes em muitas instituições e em outras o que preocupa os pais é a falta de materiais didáticos, que no ano passado não foram entregues em algumas turmas, segundo relatos.

Uma das mães com quem a reportagem conversou disse que na escola em que o filho estuda, a Geraldo Castelo, localizada no Bairro Monte Líbano, no ano passado a turma toda do período vespertino ficou sem material didático por conta da falta de livros para todos os alunos.

“Como não tinha livro para todas, a diretora avisou que faria um sorteio entre os turnos, para ver com quem ficariam os livros. Meu filho estudava à tarde e só os alunos da manhã tiveram material de apoio, as crianças da sala dele estudaram só com o conteúdo que foi passado na lousa pela professora”, relatou Yanara Campos, 33 anos.  

Em 2019, a criança estava no 3° ano do Ensino Fundamental e neste cursa o 4° ano. Segundo ela, em conversa com profissionais da escola, foi informada de que os materiais este ano só devem chegar depois do dia 16 de março, quase 40 dias após o início das aulas. “E disseram também que iriam ver como ia ficar, se ia ter material para todos de novo”.

A informação foi confirmada por outra mãe de aluno que estudou na mesma turma que o filho de Yanara. “Sem livros o ano todo e este ano ainda nada. Sem o material de apoio fica complicado”, contou Andressa Malhada dos Santos, que neste ano decidiu mudar o filho de horário, mas o manteve na instituição.  

O mesmo problema também foi apontado por outras mães com quem a reportagem conversou. Na Escola Padre José Valentim, no Jardim Jóquei Club, uma das mães relatou que no ano passado o material só foi entregue no começo de abril e que neste ano ainda não sabe quando isso ocorrerá.

Outro problema apontado em várias instituições, como na Escola Wilson Taveira Rosalino, no Bairro Aero Rancho, é a falta de professores. Conforme uma mãe que preferiu não se identificar e que tem filho matriculado nessa instituição, as turmas de alguns anos estão tendo aula “dobrada” de algumas disciplinas por conta da falta de profissionais.

Já em outras, o relato é de que turmas inteiras ainda não voltaram para a aula por conta da falta do professor regente. “Uma das turmas está até sem o professor regente, então, eles não estão tendo aula de nenhuma matéria, do 2° ano Fundamental I”, contou Yanara, de acordo com ela, isso ocorre na Escola Geraldo Castelo.

A direção da Escola Geraldo Castelo preferiu não conversar com a reportagem, mas uma das funcionárias informou que, no caso das aulas que ainda estão sem professor, docentes da própria instituição estariam se voluntariando para atender os alunos no contraturno de seus contratos. “Ninguém está sem aula, professores da tarde estão vindo de manhã, e os da manhã, à tarde”.

Já na Escola Nicolau Fragelli, que foi municipalizada este ano, o principal problema também é a falta de docentes. Porém, segundo a dona de casa Taís Barros, 37 anos, que faz parte da Associação de Pais e Mestres (APM), esse problema tem sido resolvido nos últimos dias.

“No primeiro dia, tinha apenas os professores regentes, de Português e Matemática, mas aos poucos os novos professores estão sendo apresentados e a gente espera que até sexta-feira o quadro já esteja completo. Se isso não acontecer, vamos fazer uma reunião da APM para saber o que está acontecendo e como podemos ajudar”, contou.  

O filho dela estuda no terceiro ano do Ensino Fundamental e está na escola há alguns anos. Segundo Taís, como a diretora antiga e uma das professoras permaneceram na escola mesmo após a cedência para a prefeitura, os pais confiam que até semana que vem esses problemas estejam resolvidos.

KIT E UNIFORME  

Em outras instituições, porém, a falta é de uniforme e kit escolar. Na quarta-feira, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) entregou os kits nas escolas Nazira Anache, Maestro João Corrêa, João Cândido e Nérone Maiolino.

Conforme o superintendente de Finanças da Semed, Walter Pereira, a falta de uniformes e kits é pontual, de crianças que não estavam na primeira lista enviada pelas instituições. “Já entregamos em todas as escolas, mas as crianças que se matricularam depois ainda estão sem porque elas não constavam na primeira lista que nos foi enviada. Assim que a escola entra em contato conosco, nós deslocamos uma equipe até ela para resolver essa questão”.

Já no caso das escolas que foram municipalizadas, quatro ao todo, Pereira relata que elas não constavam na lista de envio que a Semed tinha e, por isso, houve demora maior em relação a outras instituições.

Em nota, a Semed respondeu que foi feito um processo seletivo para contratação de professores temporários e que eles estão sendo chamados para assumir os postos de trabalho. “Os professores estão sendo encaminhados para as unidades escolares e assumindo as suas aulas. Ocorre que vários professores efetivos estão começando a entregar atestado médico nas unidades de 40, 50 e até 120 dias, e esses casos se caracterizam como convocação”, afirma resposta da secretaria.

“Ressaltamos que todas as escolas estão sendo atendidas e nenhum aluno está sendo dispensado. Todos estão com professores em suas unidades”, completou.

Quanto ao livro didático, a Semed informou que está sendo feito um remanejamento entre as escolas. “As que têm livro sobrando estão repassando para as que não têm. O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) vai abrir a reserva técnica em abril de 2020, por isso o remanejamento”.

Já sobre o sorteio de livros didáticos, a secretaria afirmou que “orienta os diretores para que estes só entreguem os livros quando houver para todos”.

 
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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".