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CAARAPÓ

Advogado sugeriu que invasão
serviria como “reduto eleitoral”

Ex-candidato a vereador por Caarapó, Cassio Amaral seria um dos líderes do movimento em Mato Grosso do Sul

8 AGO 19 - 09h:19LUANA RODRIGUES

Mensagens de voz que tratam sobre megainvasão planejada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Mato Grosso do Sul revelam que a ação também tinha objetivos políticos. Em um dos áudios que circulam pelas redes sociais, suposto líder do movimento disse que a articulação deveria ser usada como “reduto eleitoral”.

A mensagem teria sido enviada pelo advogado Cássio Amaral, ex-candidato a vereador por Caarapó, a uma das lideranças do grupo, responsável por conseguir mais famílias interessadas na invasão.

Em um trecho da conversa, um homem identificado como Marcelo diz ao ex-candidato que gostaria de ir à rádio da cidade para divulgar o movimento e conseguir um número maior de famílias que participassem da invasão.“Eu tava pensando aqui, Cássio, numa situação que seria bastante interessante [...] se a gente fosse lá na rádio? Lá na *** e falar com a dona *** ceder um espaço, falar sobre os projetos do MST, daí a gente conseguir através da rádio chamar essas outras 250 famílias que falta, né? Aí a gente poderia colocar lá sobre os fatores que realmente são interessantes dentro desse processo, que é o apoio do governador, apoio do prefeito, apoio dos fazendeiros aí da região. O que você acha, não seria uma boa ideia? [sic]”, questiona.

Cássio responde que o número de mil famílias será alcançado com apoio de outros municípios e que não negocia com fazendeiros. “Marcelo, nós vamos entrar com mil famílias para dentro; vamos pegar 500 famílias aqui, o restante vem de Eldorado, Dourados, Rio Brilhante, Antonio João, Tacuru e Sete Quedas. Nós vamos fazer um acampamento de mil famílias. Não tem como fazer essa divulgação pela rádio, porque a rádio não é simpatizante do MST, então a nossa arma é o Facebook, mas não tem como. Fazendeiro também, o MST não negocia com fazendeiro. Eu vou conversar com os fazendeiros, mas nomeado como advogado do MST. Inclusive, vou para Brasília daqui uns meses para ter um curso lá, mas depois a gente conversa sobre isso, beleza? [sic]”, diz.

Em outro áudio, o advogado sugere que líder deve fazer uma reunião com o grupo de famílias, como forma de construir um “reduto eleitoral”. “Eu acho que pra dar uma visibilidade boa para você, cê tinha que pegar, marcar uma reunião com esse grupo seu e a gente chama o coordenador do MST estadual e nacional, como veio na outra reunião, e você conversa e coloca. Porque você precisar usar isso ai como reduto eleitoral seu, entendeu?[sic]”, emenda.

OUTRO LADO

Ao Correio do Estado, Cássio Amaral confirmou que está à frente do grupo, mas negou que o objetivo seja promover uma invasão. “Nós encabeçamos essa luta pela terra. Como eu sou advogado, sei que a Constituição prevê direito à reforma agrária. Nós não vamos fazer em Caarapó e região por meio de invasões de terra. Vamos, sim, pleitear reforma agrária por aquisição, onde o fazendeiro seja indenizado e o governo arque com isso, pelo modo de aquisição ou financiamento rural. Tomei todo o cuidado para não usar a questão da invasão, não quero invadir. Quero que o Incra negocie para adquirir”, diz.

O advogado confirma, ainda, que foi o responsável por criar dois grupos de WhatsApp, cada um com 250 famílias, para organizar a ação. “Na região, tem várias pessoas com interesse em ter seu pedaço de terra; 98% dos participantes são pessoas de Caarapó, com moradia própria delas. Mas outros municípios estão montando grupos para pleitar a reforma agrária. Vamos fazer luta para negociar com o governo. As pessoas que querem terra são humildes, de forma geral, e sonham em ter um pedaço de terra. Por isso, não tem nenhum tipo de cobrança de taxa para participar”, disse.

Amaral reforça que o grupo não entrará nas fazendas, mas não nega a organização do acampamento. “Estamos organizando pra ver o local onde vamos montar o acampamento. Não decidimos ainda, queremos procurar um lugar que tenha respaldo jurídico. Não vamos entrar na propriedade, vamos ficar da porteira para fora. O projeto de luta pela terra está sendo organizado, com filiação de pessoas que têm interesse de fazer a luta com a gente”, concluiu.

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