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PARADAS

Abandonadas, obras de 16 escolas vão custar mais

Município anunciou a retomada de 13 construções em 2017, mas entregou três

25 MAI 19 - 09h:30NATALIA YAHN

Mesmo com ordem de retomada das 16 obras paradas de Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) – os antigos Centros de Educação (Ceinfs) – feita há quase dois anos, as construções continuam abandonadas e sem andamento em diversos bairros de Campo Grande. 

O retorno das atividades de construção pode custar caro aos cofres públicos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) não tem levantamento do valor total para terminar as unidades. Porém, em pelo menos uma delas, nas obras da escola municipal do Bairro Parati – a segunda na região –, o orçamento teve acréscimo, em julho do ano passado, de R$ 872 mil, passando a custar mais de R$ 3,8 milhões.

Em muitos casos, os prédios sem muros, grades, portas e janelas, e com livre acesso, servem de abrigo para moradores de rua, usuários de droga e até como esconderijo de criminosos e depósito para itens furtados e roubados.

Vizinhos das obras reclamam da falta de segurança nos locais, que também são alvos constantes de vandalismo. Diversos materiais que seriam usados na construção e itens instalados ali – telhas, portas, janelas – foram furtados. Na Rua das Camélias, no Bairro Oliveira III, a obra do então Ceinf está parada há, pelo menos, cinco anos, de acordo com moradores. 

A aposentada Maria José de Araújo, 72 anos, mora em frente ao local há 26 anos e reclama da insegurança por conta do abandono da área. “É dia e noite gente entrando e saindo para usar droga, fazer o prédio de motel e também esconder coisas roubadas. A gente não tem segurança nem tranquilidade aqui. A iluminação é ruim e não tem nem grade pra impedir a entrada”.

A pedagoga Vera Lúcia Alves, 59 anos, é moradora da Rua Rogério Giordado, paralela à obra abandonada, e observa outro problema. “Meus netos, todos com idade de ir para a creche, tiveram que ser matriculados em outro bairro, porque a daqui está desse jeito. E a obra está parada desde sempre; começaram e só. Ficou pela metade. E onde está o dinheiro que não usaram?”, questiona.

A obra fica ao lado da Escola Municipal Professor José de Souza “Zezão”, que tem 1,3 mil alunos do primeiro ao nono ano que fizeram a educação infantil fora do bairro, justamente por não haver Emei. “Muitas famílias se desdobram para levar as crianças nas creches dos outros bairros. E tem gente que não consegue vaga; fica sem trabalhar por causa disso, tendo uma obra dessas que poderia atender, mas está abandonada”, pondera o presidente do bairro, Waldemar Moraes de Souza, 57 anos.

A situação da Emei do Oliveira não é caso isolado. Em vários bairros da periferia da Capital, “proliferam” obras inacabadas que estão na mesma situação. A Sisep informou que apenas seis unidades devem ser finalizadas e entregues até o fim do ano: as dos bairros Parati, Vespasiano Martins, Nascente do Segredo, Inápolis, Zé Pereira e Popular. 
Desde 2017, apenas três das 19 obras que estavam paradas foram finalizadas e entregues – nos bairros Jardim Noroeste, Jardim Centro-Oeste e Tijuca II.

ANÚNCIO

Em 9 de junho de 2017, a prefeitura havia anunciado a retomada de 13 obras de Emeis que estavam paradas – algumas desde 2012 – e que foram depredadas e furtadas. Porém, na época havia necessidade de novos orçamentos para o término. O valor do investimento previsto era de R$ 17,8 milhões, sendo R$ 7,3 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e R$ 10,5 milhões em contrapartida do município. 

A previsão inicial da Secretaria Municipal de Educação (Semed) era de que todas as 13 unidades – inicialmente com obras paradas – oferecessem, juntas, 1,6 mil vagas de educação infantil. Entre elas estava a Emei do Oliveira III, que ainda não teve nenhum tipo de intervenção. Também estão paralisadas as obras localizadas no Jardim Centenário, Radialista, São Conrado, Anache, Talismã, Serraville, Nashville, Jardim Colorado e Moreninha II.

A Sisep informou não tem programação definida para a retomada das obras. Algumas devem demandar ainda mais esforço, pois precisam de novas licitações. É o caso justamente da Emei do Oliveira III, cuja obra era conduzida pela Selco – assim como a do São Conrado. A empresa faliu e abandonou a construção. Além disso, muito do que já foi feito se perdeu por conta da ação do tempo e dos furtos

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