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Boemia

“Rua Feliz”, 7 de Setembro teve João Desaforo e as meninas

No início do século passado, rua foi palco de progresso e também de boemia e tiroteios

26 AGO 15 - 10h:00CELSO BEJARANO

Campo Grande completa 116 anos nesta quarta-feira e no decorrer do dia vamos mostrar curiosidades da cidade que se tornaram parte da história, clique aqui e confira as matérias já publicadas.

João Desaforo era como chamavam um sujeito “grande, ossudo, de cara larga, antipático, de permanente sorriso irônico na beiçola”. 

Certa feita, o indivíduo em questão entra num cabaré, como de costume, armado com revólver, e logo procura confusão. Históricos passados dão vantagem ao desaforado João. Desta vez, a sorte mudou e o valentão deu-se mal. Juca Sten, um branquinho zarolho, pálido e franzino derrubou o peitudo forasteiro.

A cena descrita acima, embora pareça, não é trecho de conto policial. Ocorreu por volta de 1920, no bordel da Júlia Magra, na rua 7 de Setembro, centro de Campo Grande. 

Esta via, batizada com a data da Independência do Brasil no dia 18 de junho de 1909, 102 anos atrás, produziu no século passado históricos de romances, progresso, arte e muitos, muitos casos de discórdias e mortes.

A intriga de João é narrado no livro Pelas Ruas da Cidade, de Paulo Coelho Machado. 
Júlia Magra preparava comes-e-bebes, enquanto suas garotas arrumava o salão para a festa. Chegou o sanfoneiro e logo Juca Sten, amigo da dona do bordel. 

Os dois conversam num canto do salão, daí aparece João Desaforo que, segundo o autor, para chamar a atenção geral, meio borracho [bêbado], chato, logo começou com as provocações.

João gritou que queria dançar no escuro, catou a arma, um calibre 44, e iniciou um tiroteio, quebrando lanternas dependuradas no teto. Ao apontar para a lamparina que reluzia sobre a mesa de Juca, o rapaz pequeno, com voz fraca, disse: “esta vai ficar acesa”.

O desaforado riu por desprezo, cuspiu do lado e quis atirar na última lamparina. Num estalo, o barulho dois disparos e o tombo de João. 

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